“Atenção, torcida, provavelmente a despedida de Franco será neste sábado. Cancelem as férias, voltem de onde estão ou o que seja, mas 50 mil pessoas devem estar lá no estádio para se despedir do maior ídolo do Atlético Nacional! Obrigado por tudo, Franco Armani!”.

A mensagem publicada por Los Del Sur, a principal barra do Atlético Nacional, dimensiona bastante a importância de Franco Armani para o clube. O goleiro teria o seu lugar especial na história verdolaga de qualquer maneira, por tudo o que fez na conquista da Copa Libertadores de 2016. Sua sequência de defesas contra o Rosario Central, sobretudo, está impregnada na memória de cada torcedor. As atuações espetaculares, no entanto, foram só um acréscimo à trajetória de dedicação e garra ao longo de oito temporadas no Estádio Atanásio Girardot. Não é por menos o anúncio da barra para oferecer um digno adeus ao arqueiro argentino, naturalizado colombiano.

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Armani teve um início de carreira modesto em seu país. Profissionalizou-se pelo tradicional Ferro Carril Oeste, mas disputou poucas partidas. Sua eclosão aconteceu com a camisa do Deportivo Merlo, ganhando destaque na segunda divisão do Campeonato Argentino. Foi quando atraiu as atenções de outros clubes locais, embora o acaso tenha sido fundamental em sua transferência à Colômbia. Em pré-temporada, o Atlético Nacional enfrentou justamente o time de Armani, que fechou o gol e acabou convencendo a diretoria paisa a contratá-lo em junho de 2010. Ainda assim, demorou um tempo para que ele emplacasse em Medellín. O titular absoluto era o veterano Gastón Pezzutti. Quando teve a brecha de se firmar, com a lesão do compatriota, Armani rompeu os ligamentos do joelho. Apenas em 2013 é que começou a emendar uma boa sequência de jogos.

A partir de então, Armani tomou conta da meta do Atlético Nacional. Era um nome de confiança a Juan Carlos Osório, não apenas por sua capacidade sob as traves, mas também pela saída de jogo com os pés. Sua agilidade e o bom posicionamento logo o colocaram nas graças da torcida, colecionando milagres. Neste momento, chegou a ficar 11 partidas consecutivas sem sofrer gols. E o camisa 1 virou parte fundamental do sucesso desfrutado pelos verdolagas. Como titular, faturou o Apertura e o Clausura em 2013, além da Copa da Colômbia. Depois, também com Reinaldo Rueda, seriam mais três títulos da liga e um da copa. Acima disso, a façanha na Libertadores, além das duas finais da Copa Sul-Americana, sempre como protagonista. Sem muitas margens à dúvida, foi o melhor goleiro do continente em 2016.

Em 2017, Armani se tornou o jogador com mais títulos conquistados na história do Atlético Nacional, somando também as taças faturadas quando era reserva. Aproximando-se da marca de 250 partidas, ainda está longe dos que mais vestiram a camisa verdolaga. Independentemente disso, não se questiona o seu lugar entre os maiores ídolos do clube. Não é exagero discutir até mesmo se o atual camisa 1 não foi o maior goleiro que já se viu no time de Medellín, competindo por este posto com Raúl Navarro (argentino que é o terceiro com mais aparições pelos paisas, defendendo a meta nos anos 1970) e com o lendário René Higuita (decisivo na conquista da primeira Libertadores e também na classificação à segunda final continental). Armani também tem bons argumentos para a sua defesa.

Aos 31 anos, porém, Armani tinha aberto a possibilidade de voltar ao seu país, caso um dos grandes clubes o procurasse. E por mais que a adoração no Atanásio Girardot seja imensa, ele acabou por aceitar a oferta do River Plate para se transferir ao Monumental. Desde a saída de Marcelo Barovero, os Millonarios carecem de um goleiro que honre o peso de sua camisa. Ganham um que, tecnicamente, é até superior ao campeão da Libertadores 2015. Que, além de poder se tornar ídolo em Núñez, possui uma capacidade inquestionável para figurar entre os três convocados à Copa do Mundo de 2018.

Na segunda, Armani publicou em suas redes sociais uma carta de despedida ao Atlético Nacional. “Quero expressar todo o amor e o orgulho que a torcida do Atlético Nacional me faz sentir, por pertencer ao maior clube da Colômbia. Não tenho palavras de agradecimento para a oportunidade que me brindaram, confiando-me o gol de tão respeitável instituição e com tantos próceres do futebol que me precederam neste posto”, escreveu o goleiro, declarando que a chance de se aproximar da família e de vislumbrar a Copa orientaram a sua decisão. Além disso, ele pediu desculpas por não cumprir a promessa de se aposentar em Medellín, embora também manifeste seu desejo de retornar no futuro. “Hoje peço a vocês pela primeira vez algo muito difícil, que me apoiem para poder cumprir meu sonho, com a minha promessa que voltarei logo”.

Já nesta quarta, o Atlético Nacional confirmou o negócio com o River Plate, que pagou a cláusula de rescisão no contrato de Armani. Os Verdolagas exaltaram o comprometimento do arqueiro em todos estes sete anos e publicaram uma série de homenagens com a hashtag “Armani para sempre”. Além disso, o clube confirmou para a próxima sexta, no Atanásio Girardot, a despedida do argentino. A chance para que Los Del Sur e todos os torcedores representem a grandeza daquele que construiu com as próprias mãos parte da história vitoriosa do clube.