Franco Armani foi um dos símbolos do Atlético Nacional no grande ano vivido em 2016. Não fossem as defesas miraculosas do goleiro, certamente os Verdolagas não conquistariam a Libertadores e nem chegariam tão longe na Copa Sul-Americana. O arqueiro, porém, também serviu de emblema da solidariedade. Assumiu a linha de frente nas homenagens e na empatia com a Chapecoense, diante do acidente aéreo que vitimou 71 pessoas. Um ano depois da tragédia, o arqueiro falou. Abriu seu peito e mostrou o coração gigante, ainda sentido pelos catarinenses. Ainda capaz de oferecer sua compaixão.

VEJA TAMBÉM: Chape eterna: Um ano depois, o pensamento persiste e o sentimento rasga o peito

“Foi um momento de muita tristeza, porque me doeu muitíssimo. Foram quatro dias em que não parava de chorar, que estava na minha casa e não queria sair”, contou Armani, ao FutbolRed. “Chorava ao lado da minha esposa. Precisávamos deixar de ver televisão ou mudar de canal, porque todas as notícias eram sobre isso, e nos machucava. Foi muito duro e minha família pensava por que ainda teríamos viajar ao Japão, depois de tudo. Eles são nossa fortaleza e os que sempre dão ânimo para seguir em frente”.

Neste momento de dor, Armani ainda foi capaz de um belo gesto. Em suas redes sociais, escreveu um texto dedicado a Danilo, companheiro de posição e herói da Chapecoense naquela campanha até o final. Dedicou doces palavras ao colega falecido, assim como falou sobre as dificuldades em se despedir da família a cada viagem.

“A tragédia me afetou de maneira muito dura e resolvi escrever aquilo. Como colega e como goleiro, quis escrever uma mensagem, que saiu do coração e do mais profundo da alma. Foi um desafogo por tudo o que eu sentia”, relembra. Além disso, o argentino também se aproximou de Jakson Follmann: “Na época, conversei com o pai do Follmann. Ele me contou tudo com muita força, ouvi com nostalgia e tristeza. Seu filho tinha esperanças e sobreviveu. É um milagre que tanto ele quanto Neto e Alan Ruschel estejam vivos. Meu humilde presente, e que fiz de coração, foi entregar minha camisa”.

No dia seguinte à tragédia, o Atlético Nacional protagonizou um gesto de humanidade enorme: ofereceu o título da Copa Sul-Americana à Chapecoense, o que acabou acatado pela Conmebol. Segundo o goleiro, a ideia nasceu da diretoria verdolaga e da comissão técnica, ainda na noite do acidente.

“No dia seguinte, quando chegamos para treinar depois da tragédia, os jogadores e o corpo técnico tomaram a decisão de entregar esse reconhecimento, que era mais do que merecido. Foram campeões da vida e os rapazes que ficaram vivos também mereciam. Ficamos muito felizes por ir a Chapecó e pela maneira como nos receberam, foi muito gratificante. Isso nos fez sentir mais orgulhosos por entregar com toda a humildade este título”, contou.

Já durante a noite seguinte, a solidariedade foi comandada pelo povo colombiano, no simbólico encontro realizado no Estádio Atanásio Girardot para relembrar as vítimas: “Foi muito bonito ver as mostras de solidariedade dos colombianos. Nós assistimos à homenagem e ver o estádio cheio, com as pessoas lotando as ruas do lado de fora, foi um ato de gratidão muito grande para com as vítimas, suas famílias e o povo de Chapecó. Como colombiano, porque faz anos que estou no país, eu me senti muito orgulhoso por testemunhar isso”.

O Atlético Nacional, ainda assim, seguiu em frente. Continuou disputando o Campeonato Colombiano com uma equipe mista, enquanto se preparava ao Mundial de Clubes. Rotina dura que precisou ser superada pelo elenco, embora o resultado na competição da Fifa, com a eliminação para o Kashima Antlers na semifinal, não tenha saído como o esperado.

“Foram dias muito complicados para o nosso ânimo, mas sabíamos que precisávamos terminar o Campeonato Colombiano e enfrentar o Mundial de Clubes, então a equipe tinha que se reerguer. Foi mais uma mentalidade positiva dentro do grupo e isso nos serviu para estar mais unidos, encarando o que se seguia. Trabalhamos muito o mental para ter força e também o reconhecimento que recebemos nos deu um ânimo importante”, apontou o goleiro.

Por fim, Armani falou sobre sua relação com o episódio e o impacto que as memórias possuem sobre o seu dia a dia: “Obviamente o desastre me mudou. Por exemplo, no meu caso, a cada vez que precisamos viajar ou temos uma partida fora, sobretudo as internacionais, se passam mil coisas por minha cabeça. Penso na família e que os clubes tomem consciência sobre a maneira como viajamos, em qual companhia viajaremos, que seja uma empresa séria. Começo a pensar um monte de coisas”.