Nos 4 a 0 sofridos para o Liverpool, há duas rodadas, a falta de cuidados defensivos foi o motivo para as críticas mais duras ao Arsenal. Nada como um jogo após o outro: no clássico contra o Chelsea, pela 5ª rodada do Campeonato Inglês, os Gunners foram a Stamford Bridge apostando na proteção maior à linha defensiva, a ponto de Arsène Wenger decidir colocar Alexis Sánchez na reserva. Deu certo: com as boas atuações dos laterais, o time alvirrubro trouxe perigo – principalmente no primeiro tempo – e diminuiu o ímpeto dos Blues. Faltou o gol no 0 a 0, mas os visitantes tiveram mais motivos para sorrir do que os mandantes, com sério risco de perderem terreno para a dupla de Manchester na disputa do título.

É justo dizer que a proteção defensiva do Arsenal só funcionou porque, além da maior proteção do meio, os dois laterais foram constante opção de ataque. Principalmente durante o primeiro tempo. Começando pela direita: aos 16 minutos, Hector Bellerín entrou pela direita, e cruzou, mas Alex Iwobi pegou fraco com a cabeça, e a bola saiu sem rumo pela linha de fundo. No minuto seguinte, outro cruzamento de Bellerín, e a jogada foi mais perigosa: Alexandre Lacazette escorou, forçando Thibaut Courtois a defender. Porém, a jogada mais perigosa veio do lateral esquerdo do Arsenal: aos 20, Courtois defendeu bem o chute de Sead Kolasinac.

Por sua vez, era justo dizer que o Chelsea também estava retraído demais, mesmo jogando em casa. Sem Eden Hazard, a aposta era aproveitar os espaços que o Arsenal por ventura deixasse. Mas isso só aconteceu aos 21 minutos, com uma oportunidade valiosa perdida. Aos 21′, Pedro Rodríguez entrou livre na área, após ótimo lançamento de Cesc Fàbregas, mas chutou em cima de Petr Cech, que espalmou para a linha de fundo. De resto, o Arsenal seguiu mais perigoso nas estocadas que deu durante os 45 minutos iniciais – como aos 31, quando Granit Xhaka arriscou de fora da área, e a bola passou perto do gol de Courtois, chegando a balançar as redes após bater numa placa de publicidade.

A partir do começo do segundo tempo, o Chelsea viu que precisaria sair mais do gol. Mais ativo, já apareceu aos dois minutos, com Victor Moses, que cruzou rasteiro para a área. Atento, Cech defendeu sem dar rebote. Ainda assim, demorou para chegar de novo: só aos 15, em cobrança de falta ensaiada. Fàbregas rolou a bola para William dominar ainda na esquerda, cortar para o meio e arriscar, para fora. O Arsenal tentou aos 17, quando Kolasinac avançou pela esquerda e chegou à área, mas perdeu o domínio da bola na hora de cruzar.

As más atuações de alguns atacantes (Álvaro Morata, pelo Chelsea; Daniel Welbeck, pelo Arsenal) e o cansaço de outros (Lacazette) foram minando a ofensividade do time aos poucos. Para tentar acelerar, ambos os técnicos colocaram em campo seus reservas principais na partida: Sánchez e Hazard foram tentar algo na parte final do jogo. Aos 30, o Arsenal pensou ter conseguido o gol que até merecia, mas o tento de Shkodran Mustafi foi anulado por impedimento. E o 0 a 0 ficou inevitável por parte do Chelsea a partir dos 42 minutos, quando David Luiz foi expulso por entrada perigosíssima em Kolasinac.

Se era para garantir um ponto, que se garantisse. Ainda assim, mesmo que a situação siga num apagado 12º lugar, pelo menos o Arsenal deu um pouco mais de esperanças de ter aprendido sua lição com a goleada de antes.