O Bayern de Munique venceu por 2 a 0, em Londres, e dificilmente perde a vaga nas quartas (Foto: AP)

Displicência de Özil e estrela de Guardiola colocam a vaga no colo do Bayern de Munique

Não havia exatamente um motivo para achar que ele aceitaria. Talvez o excesso de concorrência, uma escassez de auto-confiança. O Manchester United tentou levar Toni Kroos para a Inglaterra na janela de transferências de janeiro e não conseguiu. O alemão preferiu ficar, mesmo sabendo que quando Schweinsteiger voltasse de lesão, ele teria que disputar posição com mais uma dezena de meias. A torcida pode comemorar essa decisão. A precisão do seu chute assegurou ao Bayern de Munique a vitória por 2 a 0 sobre o Arsenal, em Londres, e encaminhou a vaga às quartas de final da Liga dos Campeões.

A finalização foi bastante diferente, um chute colocado com efeito contra uma batida para baixo, que fez a bola quicar, mas a jogada do gol de Toni Kroos lembrou aquele que ele marcou contra o mesmo Arsenal, na mesma fase do torneio, na temporada passada. A sensação de déja vú era evidente desde o sorteio, mas a torcida inglesa esperava que desta vez, com um time mais forte e liderado por Mesut Özil, o final da história fosse diferente.

O que ela não esperava é que a grande contratação de Arsène Wenger, a principal esperança da temporada, fosse o rosto da decepção. Contrariando as expectativas, a bola ficou com o Arsenal no começo do jogo. Foram duas, três investidas que ameaçaram Manuel Neuer, até o árbitro italiano Nicola Rizzoli flagrar Jéröme Boateng dando uma rasteira no meia alemão dentro da área.

Özil pegou a bola e tentou esquecer que havia perdido um pênalti nesta mesma edição da Liga dos Campeões, contra o Olympique de Marseille. Parece, porém, que da sua mente fugiu que do outro lado daquela reta de onze metros havia um dos melhores goleiros do mundo. Não bateu nem muito alto e nem muito baixo. Fraco. No meio. Seu erro exalou displicência. Neuer fez a defesa sem precisar suar.

Transformar a contratação de Özil em fracasso tão rapidamente seria precoce, mas o futebol do jogador está, pouco a pouco, desaparecendo, coincidentemente ou não, junto com o do seu time, que ganhou apenas duas das últimas seis partidas que disputou por todas as competições. E na hora de pegar a bola e colocá-la debaixo do braço, de assumir a responsabilidade em um jogo decisivo, também falhou.

O Arsenal criou outras chances, a melhor delas em um chute de Yaya Sanogo, a surpresa de Wenger, que deixou Olivier Giroud, indeciso sobre ter traído a sua mulher ou não, no banco de reservas. O primeiro tempo foi tão equilibrado que o Bayern de Munique também teve a sua chance de abrir o placar de pênalti. David Alaba, que converteu quatro cobranças na temporada passada e uma na atual, deslocou Lukasz Fabianski exageradamente e acertou o pé da trave direita.

Sim, porque Fabianski entrou no lugar de Santi Cazorla depois da expulsão de Szczesny pelo lance do pênalti. E a partida, que estava à disposição para quem quisesse vencê-la, caiu no colo do clube alemão. Pep Guardiola deixou o primeiro tempo terminar para fazer aquela alteração que vem sendo treinada desde a pré-temporada. Tirou Jéröme Boateng, que havia recebido cartão amarelo, e colocou Rafinha na lateral direita. Javi Martínez virou zagueiro, e Philipp Lahm foi para o meio-campo.

A metáfora do segundo tempo foi o valentão de dois metros encurralando o coleguinha nos corredores da escola. O Bayern de Munique não deixou o Arsenal tocar na bola. Na verdade, deixou, durante apenas 12% do segundo tempo. Completou 508 passes contra 62 do time da casa nos 45 minutos finais. Os ingleses defenderam bravamente, mas, sem nenhum espaço para respirar, seria impossível manter a concentração afiada por tanto tempo contra um time que gira a bola de um lado para o outro com uma velocidade impressionante.

Em nove minutos, a muralha vermelha e branca desfaleceu. Da direita, Lahm achou Kroos na entrada da área. O chute de primeira do meia alemão pegou efeito, velocidade e direção. Entrou no ângulo de Fabianski. Reverter essa derrota parcial por 1 a 0, em casa, já seria um trabalho complicado para o Arsenal, mas o Bayern não estava satisfeito. Continuou pressionando, trocando passes e buscando uma brecha na defesa inglesa, que se recompôs depois de sofrer o primeiro gol.

Foi apenas a dois minutos do fim que o poder de concentração do Arsenal voltou a deixar os torcedores do Emirates Stadium na mão. Lahm, mais uma vez, apareceu no meio-campo, como Guardiola queria, e cruzou na cabeça de Thomas Müller, que havia substituído Mandzukic. O pênalti perdido por Özil e a expulsão de Szczesny vieram a calhar, mas o técnico espanhol viu a chance e a aproveitou, sem hesitar. As suas alterações funcionaram, e o Bayern de Munique recebe o Arsenal, em 11 de março, com uma vantagem tão gigante quanto o futebol que o lateral direito e capitão do atual campeão europeu jogou na noite desta quarta-feira.

Formações iniciais

Arsenal x Bayern

 

Destaque do jogo

Depois da alteração de Guardiola, Philipp Lahm virou meia e deu as duas assistências que o Bayern de Munique necessitou para ganhar o jogo. O capitão do time deu 123 passes no jogo e acertou 99% das tentativas. E nem pense que foram toques de lado. Ele deu oito cruzamentos e quatro passes para finalização. Foi o cara do jogo.

Momento chave

É impossível ignorar que a expulsão de Szczesny, no final do primeiro tempo, mudou a partida. Estava tudo equilibrado até então, mas, na etapa final, o Bayern de Munique não deixou o Arsenal tocar na bola de jeito nenhum. Com 11 contra 11 até o final, poderia ser diferente. Ou pelo menos um pouco mais difícil para os alemães.

Os gols

9’/2T – GOL DO BAYERN DE MUNIQUE! Robben tocou para Toni Kroos, que deu para Philipp Lahm. O lateral direito devolveu para o meia alemão, que pegou a bola com muito efeito, colocando-a no ângulo de Fabianski.

43’/2T – GOL DO BAYERN DE MUNIQUE! Lahm cruzou com perfeição da entrada da área, e Thomas Müller cabeceou segundo o manual, sem chance para Fabianski.

Ficha técnica

ARSENAL 0 X 2 BAYERN DE MUNIQUE

Arsenal_escudo Arsenal
Wojciech Szczesny; Bacary Sagna, Per Mertesacker, Laurent Koscielny e Kieran Gibbs (Nacho Monreal, 31’/1T); Mathieu Flamini, Jack Wilshere e Mesut Özil; Santi Cazorla (Lukasz Fabianski, 39’/1T), Alex Oxlade-Chamberlain (Tomás Rosicky, 29’/2T) e Yaya Sanogo. Técnico: Arsène Wenger.
Bayern_escudo Bayern de Munique
Manuel Neuer; Philipp Lahm, Dante, Jérôme Boateng (Rafinha, 1’/2T) e David Alaba; Javi Martínez, Toni Kroos, Thiago Alcântara (Claudio Pizarro, 34’/2T), Arjen Robben e Mario Götze; Mario Mandzukic (Thomas Müller, 19’/2T). Técnico: Pep Guardiola
Local: Estádio Emirates, em Londres (ING)
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Gols: Toni Kross, 9’/2T; Thomas Müller, 43’/2T
Cartões amarelos: Yaya Sanogo e Tomás Rosicky (Arsenal); Jéröme Boateng e Mario Mandzukic (Bayern de Munique)
Cartões vermelhos: Wojciech Szczesny, 37’/1T