Poucas equipes brasileiras que disputaram Copas do Mundo são tão criticadas – às vezes, até exageradamente – quanto a da Copa de 1990. Faz algum sentido, tendo em vista os sérios problemas internos naquela delegação, o excesso de pragmatismo nas atuações, a eliminação precoce nas oitavas de final (e ainda para a arquirrival Argentina, após muitas chances perdidas). Todavia, houve um raro momento de brilho daquela Seleção. Mais precisamente, um momento de brilho que veio de um jogador: Careca. Esperava-se muito do atacante do Napoli, e ele entregou na estreia naquela Copa, com o 2 a 1 brasileiro na Suécia, no Delle Alpi de Turim.

Considerado um adversário perigoso – o técnico Olle Nordin falava até em chances de título -, a Suécia começou o jogo em 10 de junho de 1990 buscando o ataque. Depois, o Brasil se recompôs. Quase chegou ao gol com Mozer, escalado na zaga, completando uma jogada aérea após falta. No entanto, só quando Careca apareceu é que as redes balançaram. Aos 40 minutos do primeiro tempo, após jogada individual pela esquerda, Branco (outra boa atuação) lançou o camisa 9 em profundidade. E Careca teve a calma típica do goleador habilidoso que era: driblou o goleiro Thomas Ravelli com uma ginga de corpo e tocou para o gol vazio, indo comemorar o 1 a 0 com a lambada na bandeirinha de escanteio – terá inspirado Roger Milla?

Destaque futuro daquela Copa, o camaronês poderia ter se inspirado também naquela atuação de Careca. Porque no segundo tempo, aos 18 minutos, em avanço veloz de Muller pela direita, a bola foi cruzada. E o atacante brasileiro teve agilidade para iludir Klas Ingesson na área e escorar para o 2 a 0. Os suecos até trouxeram mais perigo no final do jogo, e confirmaram isso com o gol de honra de Thomas Brolin, a onze minutos do fim da partida. Aí Careca voltou. Com a rapidez dos laterais e o auxílio que Alemão tentava dar nos avanços, o atacante teve outras chances. Quase marcou um golaço, aos 44: chegou à área com a bola dominada, saiu da marcação de Roland Nilsson com um corte seco na área e chutou por cima do gol de Ravelli. E a estreia do Brasil em 1990 terminou com Careca sendo unanimemente apontado como destaque, pelo dia brilhante que tivera em campo. Seria o único daquela Seleção.

1934: Itália 2×1 Tchecoslováquia

Final
Estádio Nacional, em Roma
Gols: Orsi e Schiavo (Itália); Puc (Tchecoslováquia)

1990: Brasil 2×1 Suécia

Primeira rodada da fase de grupos
Gols: Careca (2) (Brasil); Brolin (Suécia)

1998: Brasil 2×1 Escócia

Primeira rodada da fase de grupos
Gols: César Sampaio e Cafu (Brasil); Collins (Escócia)