A Escócia é uma seleção com ligação muito próxima com a origem do futebol como conhecemos e mesmo sendo uma potência na criação do esporte, ficou para trás e ainda não conseguiu a classificação para uma Copa do Mundo no século 21. Em 1978, porém, a Escócia era mais que um time respeitável: era de fato uma seleção forte e chegava à Copa do Mundo na Argentina com a confiança em alta. Tanto que o técnico escocês, Ally MacLeod, disse, ao embarcar com o time rumo à América do Sul: “Você pode marcar que o dia 25 de junho de 1978 como o dia que o futebol escocês conquista o mundo”.

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A afirmação era muito ousada, não pela força da Escócia, que tinha estrelas como Kenny Dalglish, Alan Hansen, Joe Jordan, Graeme Souness e Archie Gemmill. Era ousado porque era uma época que um europeu ganhar na América do Sul era uma missão dificílima, como os confrontos do Mundial Interclubes, chamado de Intercontinental, mostrava ano após ano. Olhando para o passado, é ainda pior se pensarmos que era a ditadura argentina, no seu auge. MacLeod era um otimista incorrigível. E realmente acredita no que os escoceses podiam fazer.

A confiança não vinha da sua cabeça. A Escócia tinha passado por uma Eliminatória muito dura. O time estava no Grupo 7 junto com a campeã europeia de 1976, Tchecoslováquia, e Gales, um rival local. E a campanha começou com derrota por 2 a 0 para os tchecoslovacos em Praga. Depois, venceu Gales por 1 a 0, venceu a Tchecoslováquia por 3 a 1 e, por fim, bateu novamente Gales por 2 a 0. Garantiu vaga na Copa. Mais significativo ainda se pensarmos que a Inglaterra, pela segunda vez consecutiva. Os ingleses caíram no Grupo 2, junto com a Itália, e acabou vendo os italianos garantiram vaga na Copa da Argentina.

Já na Copa, os escoceses tomaram um banho de água fria logo na estreia. Contra o Peru de Teófilo Cubillas, o time escocês acabou derrotado por 3 a 1 em Córdoba, enquanto a Holanda passeava contra o Irã. Na segunda rodada, os escoceses ficaram em um empate com o Irã, 1 a 1, o que complicou demais a situação. Ainda mais porque Holanda e Peru empataram por 0 a 0.

A rodada final daquele Grupo 4 foi no dia 11 de junho. O Peru abriu vencendo o Irã por 4 a 1, colocando pressão sobre os escoceses. Seria preciso vencer a Holanda e, mais: tirar o saldo de gols. O atacante Rob Ronsenbrink abriu o placar para os holandeses aos 34 minutos. A Escócia precisava de uma vitória por dois três de diferença para conseguir avançar, tirando a própria Holanda do páreo. Aos 44 minutos, o King Kenny conseguiu empatar o jogo. Logo no início do segundo tempo, Archie Gemmil colocou a Escócia em vantagem. Aos 23, Gemmil marcou o terceiro gol. A Escócia precisava de mais um gol para classificar e naquele momento parecia possível.

A Holanda, então, foi buscar o placar. Johnny Rep, três minutos depois do terceiro gol escocês, voltou a deixar a diferença em apenas um gol e devolver a vaga aos holandeses. Um gol espetacular, em uma jogada pelo meio, tabelando, e um chute no ângulo. A decepção foi enorme. Os escoceses voltaram para casa criticados. “Com um pouco de sorte na Copa do Mundo, eu poderia ter virado cavaleiro”, afirmou o técnico, depois de voltar ao país. “Agora, provavelmente eu serei decapitado”. MacLeod falou muito sobre a glória e agora tinha que lidar com uma eliminação precoce. Uma eliminação doída, porque se sabia que o time era bom. Mas a sua confiança era tal que ninguém tinha mais certeza que ele que seria campeão. No fim, ele deixou a história para ser contata. A Holanda avançou até a final, quando foi derrotada pela anfitriã Argentina na prorrogação.

Neste mesmo dia, mas em 1998, Chile e Itália fizeram um grande jogo ainda na primeira fase da Copa do Mundo. Um empate por 2 a 2 que teve o ataque badalado dos chilenos com Salas e Zamorano e a Itália de Christian Vieri e especialmente de Roberto Baggio. Ele cobrou um pênalti que garantiu o empate por 2 a 2, no final do jogo, espantando um fantasma da Copa anterior.

Em 2002, a França, super badalada antes da Copa, então campeã europeia, chegava ao último jogo da fase de classificação precisando vencer para não ser eliminada. Só que não combinaram com os dinamarqueses. O time escandinavo venceu por 2 a 0 e encerrou o sonho da França de chegar ao bicampeonato. E ainda na primeira fase, o que foi mais surpreendente.

1978: Escócia 3×2 Holanda

1998: Itália 2×2 Chile

2002: Dinamarca 2×2 França