Danrlei, Arce, Rivarola, Adílson e Roger; Dinho, Luís Carlos Goiano, Carlos Miguel e Arilson; Paulo Nunes e Jardel. No banco, Luiz Felipe Scolari. Qualquer brasileiro que viveu minimamente o futebol nos anos 1990 sabe de cor esta escalação. Afinal, o Grêmio campeão da Libertadores em 1995 representa demais ao espírito do que se experimento nos estádios do país durante aquele momento histórico. O tricolor copeiro de Felipão sabia superar seus desafios com uma garra inigualável. Assim, se transformou em uma das equipes mais temidas do continente. Uma das mais marcantes, durante uma década na qual o Brasil atravessou sua era mais dominante na Libertadores.

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Se o título de 1983 volta à tona neste momento de expectativa, especialmente pela presença em comum de Renato Portaluppi, o time de 1995 está bem mais fresco na memória dos gremistas. Mais vivo. E é aquele que ocupa os sonhos, por toda a energia se que oferecia em campo e por aquilo que representava à identidade de ser tricolor. Imortal. A equipe protagonizou épicos inesquecíveis até recolocar o clube no topo das Américas. Em uma década que não havia começado boa, especialmente pelo rebaixamento no Brasileirão, o Grêmio se reergueu de maneira inquestionável. Era, de fato, um grupo vencedor e que mereceu ficar gravado na história.

As batalhas contra o esquadrão do Palmeiras, especialmente nas quartas de final, talvez sejam ainda mais lembradas que a decisão. Aquele Grêmio derrubou adversários de peso, incluindo Olimpia e Emelec nos mata-matas. Já no confronto final, o Atlético Nacional podia não ser mais o time temível de anos antes, mas inspirava um enorme respeito, sobretudo por ter eliminado o River Plate e o Peñarol nas etapas anteriores. Porém, os Verdolagas de Higuita, Aristizábal e Ángel estiveram longe de se equiparar ao Tricolor. No velho e querido Olímpico Monumental, diante de uma multidão incendiada, Paulo Nunes e Jardel comandaram a vitória por 3 a 1. Já no reencontro em Medellín, o gol do título no empate por 1 a 1 saiu já no apagar das luzes, graças ao volante Dinho, que se identificava tanto com o clube por sua postura aguerrida em campo.

Depois do São Paulo de Telê Santana, o Grêmio de Felipão abriu o caminho para os brasileiros continuarem dominando a Libertadores até a virada do século. Os tricolores mesmo, apesar de três participações consecutivas nos anos seguintes, acabariam caindo sempre nos mata-matas – para América de Cali, Cruzeiro e Vasco, todos finalistas, os dois últimos campeões. Ainda assim, não dá para negar o posto daqueles timaços gremistas entre os melhores do continente na década de 1990. O lugar no panteão da América do Sul está assegurado. E, curiosamente, os gaúchos não puderam se cruzar com um dos argentinos mais bem-sucedidos além das fronteiras naquela época: o Lanús, agora seu adversário pelo reencontro da glória.

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Em tempos nos quais a Libertadores era bem mais restrita, limitada a dois representantes por país a cada edição, o Lanús nunca figurou na linha de frente da Argentina. Era um período de renascimento do Granate, que vinha de anos nas divisões inferiores, mas passou a figurar nas primeiras colocações do Campeonato Argentino. Campanhas que não renderam a Libertadores, mas garantiram a Copa Conmebol como prêmio de consolação. E foi justamente no torneio secundário que os grenás conquistaram seu primeiro título de primeira grandeza, antes mesmo de faturarem a liga nacional pela primeira vez.

Em 1996, ano em que o Grêmio bateu o Independiente (campeão da Supercopa) na Recopa Sul-Americana e caiu para o América de Cali nas semifinais da Libertadores, o Lanús faturou a Copa Conmebol. Superou adversários com mais tradição: Bolívar, Guaraní-PAR e Rosario Central, até pegar o Independiente Santa Fe na decisão. O triunfo começou a ser construído em La Fortaleza, batendo os Cardinales por 2 a 0, gols de Óscar Mena e Ariel Ibagaza. Já no reencontro em Bogotá, embora o Santa Fe tenha aberto o placar logo nos primeiros minutos, o Granate segurou a diferença mínima durante os quase 90 minutos seguintes e pôde comemorar. Juntava-se ao grupo de argentinos campeões continentais, mesmo um degrau abaixo de seus compatriotas. O peso dos grenás seria construído principalmente a partir de então.

E se o Grêmio de 1995 possui uma escalação para ser recitada de cor, o Lanús também possuía os seus destaques. A começar pelo banco de reservas, onde Héctor Cúper eclodia como um técnico de primeira linhagem, após dar os seus primeiros passos no Huracán. Se nos anos seguintes pesaria o rótulo de “azarado” ao comandante, só quebrado com a classificação do Egito à Copa de 2018, naquela época ele era visto como um nome ao futuro, respaldado por seus homens de confiança na chamada ‘La Cuperativa’. Carlos Roa foi quem chegou mais longe, goleiro da seleção na Copa de 1998. Ao seu lado, ainda haviam os promissores Ariel Ibagaza e Hugo Morales, além do artilheiro Ariel López. Cúper logo seguiria ao Mallorca, para onde levou parte de sua base. Viveria outras campanhas surpreendentes, incluindo o vice da Recopa Europeia e o terceiro lugar em La Liga, que valeu uma vaga na Liga dos Campeões e sua mudança ao Valencia, antes de dirigir a Internazionale.

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Já modificado, o Lanús ainda chegaria à final da Copa Conmebol em 1997. Acabou, porém, amassado pelo Atlético Mineiro de Emerson Leão dentro de casa – em decisão bem mais lembrada pela pancadaria que aconteceu na Argentina. A volta do clube aos holofotes continentais ocorreu em 2007, com a conquista inédita do Campeonato Argentino, em ano no qual o Grêmio disputou a final da Libertadores pela quarta vez. Mesmo coincidindo em duas edições do torneio anteriormente, os dois clubes não chegaram a se encontrar. O duelo, que poderia acontecer com resquícios de grandeza em outros momentos, fica mesmo para a ocasião mais grandiosa, nesta quarta. E definindo os rumos da história de ambos os clubes.