A janela de transferências da Major League Soccer ainda está aberta. Os clubes, aliás, retornam para a pré-temporada, começam a apresentar seus novos uniformes e, claro, os reforços para 2018. Depois de anos com grandes contratações sendo anunciadas, a temporada começa tímida nos Estados Unidos e isso, por incrível que pareça, é bom para o campeonato. Os jogadores sul-americanos, principalmente os mais jovens, são as grandes apostas para o futuro.

Jogadores sul-americanos na MLS não são novidade. Na última temporada, Diego Valeri, do Portland Timbers, foi eleito o MVP da liga após bater recordes de gols em partidas consecutivas e comandar sua equipe até a eliminação nos playoffs. A questão é que Valeri já tem 31 anos, é mais experiente e com vários clubes no currículo. Os clubes aparentemente gostaram da ideia de atletas latino-americanos, diante das perspectivas comerciais / esportivas, e decidiram colocar os olheiros para visitar a América do Sul em busca de jovens talentos. O que se vê atualmente é uma invasão de jogadores do continente nos Estados Unidos.

A chegada de Tata Martino ao Atlanta United em 2016 mudou o cenário na liga. O argentino logo decidiu montar uma ‘panela’ latina no elenco da equipe e confiou tudo no paraguaio Miguel Almirón (23 anos), no argentino Héctor Villalba (23 anos) e no venezuelano Josef Martínez (24 anos). A equipe não decepcionou em 2017, em sua temporada inaugural, e fez boa campanha até os playoffs, quando acabou eliminada para o Columbus Crew. Para 2018, o Atlanta não economizou e gastou 15 milhões de dólares para levar o jovem Ezequiel Barco (18 anos), destaque do Independiente campeão da Sul-Americana, em uma longa e complicada negociação.

O Orlando City, rival do Atlanta United, não ficou só observando. A equipe da Flórida perdeu o experiente Kaká, que se aposentou do futebol, mas rapidamente se mexeu para contratar um novo camisa 10, dessa vez sem tanta badalação. O paraguaio Josué Colmán (19 anos) vindo do Cerro Porteño, e com passagens pelas seleções de base do seu país, é uma das novidades na Major League Soccer para 2018.

O Los Angeles FC, que estreia este ano na MLS, anunciou o atacante uruguaio Diego Rossi (19 anos) que estava no Peñarol e conquistou o Sul-Americano Sub-20 com sua seleção na última temporada. Outras novidades interessantes são as chegadas do zagueiro argentino Emiliano Amor (22 anos) emprestado pelo Vélez Sarsfield para jogar no Sporting Kansas City e também do atacante paraguaio Jesús Medina (20 anos) que saiu do Libertad para atuar no New York City FC. O peruano Andy Polo (23 anos), já consolidado na seleção de seu país, vai atuar pelo Portland Timbers.

O Brasil exportou muitos jogadores para a Major League Soccer, mas a grande maioria era experiente e poucos conseguiram se firmar ou ganhar algum destaque nos Estados Unidos. Igor Julião, revelado pelo Fluminense, se aventura na liga há alguns anos. Em 2017, no entanto, o jovem Artur (21 anos), criado na base do São Paulo, foi um dos destaques do Columbus Crew eliminado na semifinal da Conferência Leste. Sem chances no time paulista, o volante foi inicialmente emprestado após chamar a atenção na pré-temporada da equipe americana feita no Brasil em 2017. Em dezembro do último ano, foi contratado em definitivo por aproximadamente R$ 5 milhões.

Depois de tantos nomes conhecidos que passaram pela Europa, a MLS apostava nos jovens promissores da América do Sul e isso pode ser muito interessante, gerando uma visibilidade para a liga, inclusive aumentando o nível de competitividade e do futebol mostrado em campo. Uma postura que tende a se ampliar nos próximos anos, especialmente se render lucros e boas atuações às franquias. O que acontece em Atlanta, sobretudo, serve de parâmetro aos demais times.