Flamengo, Independiente, Junior de Barranquilla e Libertad. As semifinais da Copa Sul-Americana estarão repletas de camisas imponentes. Dos quatro times que restam na briga pelo título, apenas os paraguaios possuem uma representatividade continental mais recente, e mesmo assim merecem respeito por aquilo que construíram. Serão partidas em que o apelo da “redescoberta” além das fronteiras repercutirá entre as torcidas. E se a tradição pesa por todos os lados, sobretudo ao Independiente, é preciso dizer também que, em campo, cada equipe contará com a sua dose de experiência.

O Flamengo é um capítulo à parte e, por aquilo que se acompanha no noticiário nacional todos os dias, não nos debruçaremos sobre o elenco caro e referendado de Reinaldo Rueda. Mas vale notar que cada um dos concorrentes na Sul-Americana possuem os seus medalhões – de idade avançada ou não. Os seus jogadores rodados, com histórico até mesmo de seleção nacional, que sustentam a esperança dos torcedores. Abaixo, um pouco mais sobre aqueles caras que dão tarimba a cada um dos times estrangeiros nestas semifinais:

Junior de Barranquilla

Os holofotes no litoral da Colômbia vão para Teo Gutiérrez. O que falta de autocontrole sobra de capacidade ao atacante de 32 anos. E o currículo recente nos torneios sul-americanos, especialmente pela maneira como ajudou o River Plate a reconquistar a América, vale bastante ao Tiburón. Ídolo do clube por suas passagens anteriores, retornou com grandes pompas, apresentado diante de uma multidão no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez. Muitos podem estar esperando quando a bomba-relógio irá explodir. Mas, por enquanto, o veterano está centrado em seus objetivos. Tem anotado os seus gols no Colombiano e, no torneio continental, brilhou bastante no duelo que garantiu a classificação em cima do Cerro Porteño, nas oitavas.

Também à frente, sobram opções experientes. O principal parceiro é Yimmi Chará, outro contratado com gritaria e que encheu o estádio em sua apresentação. O veloz camisa 8 é mais novo, aos 26 anos, mas já possui muita rodagem, defendendo outros grandes clubes do país e também equipes representativas do México. Aposta paga com gols, diante da excelente média exibida no Colombiano, com 10 tentos em 14 aparições. É um jogador incisivo e que pode causar muitos problemas nas jogadas verticais. Além dele, há também o paraguaio Roberto Ovelar, de 33 anos. Artilheiro do Junior nos últimos anos, não tem sido tão efetivo, mas disputou várias vezes as copas continentais. Em situação parecida, na reserva, está o meia Matías Mier, ex-Peñarol e Universidad Católica.

Mais atrás, a segurança fica por conta do goleiro Sebastián Viera, de longos serviços prestados à seleção uruguaia. Aos 34 anos, o camisa 1 está em Barranquilla desde 2011, após anos atuando na Europa, com destaque para sua passagem pelo Villarreal semifinalista da Champions. Não costuma ser tão regular, mas coleciona seus milagres e ainda serve de arma nas bolas paradas. Já na defesa, outro nome que se sobressai é o do lateral Marlon Pedrahita, que nos últimos anos zanzou por vários clubes de Libertadores, incluindo o Independiente Santa Fe.

E vale dizer também que, no banco de reservas, está um dos treinadores mais identificados com o Junior. O uruguaio Julio Comesaña foi jogador do clube, campeão nacional nos anos 1970. Já como técnico, esta é sua sétima passagem pelos Tiburones. A mais notável aconteceu no início dos anos 1990, quando comandou o timaço estrelado por Carlos Valderrama, que faturou o Campeonato Colombiano em 1993 e alcançou as semifinais da Libertadores no ano seguinte, perdendo nos pênaltis para o campeão Vélez Sarsfield.

Independiente

A camisa pode carregar o peso de sete Libertadores, uma honra que nenhum outro clube da América do Sul possui. Nos últimos tempos, porém, os Rojos acabaram relegados a um papel menor. E a Copa Sul-Americana foi justamente o torneio que os permitiu recobrar um pouco da grandeza, com o título em 2010. Nesta campanha, de qualquer forma, o clube de Avellaneda tem passado com autoridade por todas as fases, inspirado por figurinhas carimbadas, como Juan Manuel Martínez. O ‘Burrito’, antigo ídolo do Vélez, não deu muito certo em suas passagens por Corinthians e Boca Juniors. Entretanto, não demorou a mostrar serviço com a camisa do Rey de Copas. Chegou em setembro, depois de furar acordos com o Arsenal de Sarandí e o Chicago Fire. Já nesta quinta anotou seu primeiro gol, no jogo que selou a classificação às semifinais, diante do Nacional de Assunção.

O Independiente, aliás, contratou bastante nos últimos meses. E entre os jogadores que chegaram, dois defensores que costumam frequentar as Eliminatórias Sul-Americanas. O nome mais experiente é o do zagueiro Fernando Amorebieta. O venezuelano atravessou grande fase com o Athletic Bilbao na virada da década, mas não se deu bem em sua mudança à Inglaterra, atuando por Fulham e Middlesbrough. Depois de passar pelo Sporting de Gijón, foi trazido pelos Rojos. Aos 32 anos, não é titular absoluto. Já na lateral aparece Gastón Silva, uruguaio que despontou bem no Defensor e na base da Celeste, mas não deu certo no Torino e voltou à América do Sul. Inclusive, deu duas assistências no jogo que selou a classificação do Uruguai à Copa de 2018. Reserva de Muslera, Martin Campaña é quem protege a meta em Avellaneda, trazido após grandes serviços prestados ao Defensor.

Outro convocável do Independiente é o capitão Nicolás Tagliafico, que aos 25 anos parece ter a experiência de um veterano. Nome frequente em sua época de seleções da base, esteve na primeira lista de Jorge Sampaoli, enfrentando o Brasil no amistoso disputado em junho. O meio-campo não pode contar com o maior decano atual do elenco, Jonás Gutiérrez. O voluntarioso veterano jogou pelo Defensa y Justicia durante as primeiras fases da competição, o que o impede de voltar a campo no torneio pelo Independiente. De qualquer forma, não deixa de ser uma liderança e um exemplo nos vestiários, por toda a sua história de vida. E não faltam referências possíveis ao setor, com os ex-xeneizes Walter Erviti e Juan Sánchez Miño. Por fim, na frente, vale mencionar Emmanuel Gigliotti, outro que construiu sua reputação na Bombonera e estava na China.

Já no banco de reservas, o técnico Ariel Holan possui uma trajetória curiosa. Seus primeiros sucessos foram alcançados como treinador no hóquei de grama feminino, comandando alguns dos principais clubes argentinos e faturando a medalha de bronze com o Uruguai nos Jogos Pan-Americanos de 2003. A mudança para o futebol aconteceu a partir daquele ano, atuando como assistente de nomes como Jorge Burruchaga e Matías Almeyda. A primeira chance no posto principal veio no Defensa y Justicia, até ser contratado pelo Independiente neste ano.

Libertad

Há um fenômeno bastante comum no futebol paraguaio: o de contratar os antigos veteranos que compuseram a seleção em suas últimas participações nas Copas do Mundo. A Albirroja completará sua segunda edição consecutiva fora do Mundial. Mesmo assim, estes “velhinhos” têm rendido bem, como se pôde ver em outras campanhas recentes das equipes guaranis nos torneios continentais. E o Libertad não faz muito diferente. Até porque conta justamente com a estrela da última participação mundialista, Óscar Cardozo. Muito respeitado no Benfica, o centroavante de 34 anos tinha passado por Trabzonspor e Olympiacos nos últimos anos. Resolveu voltar para casa em meados de julho e, ao menos na Sul-Americana, causa impacto. Foram três gols em cinco partidas no torneio. Passou em branco contra o Racing, mas ajudou a eliminar Huracán e Independiente Santa Fe.

Se Cardozo é o jogador paraguaio com mais gols ainda em atividade, tem a companhia do segundo da lista. Santiago Salcedo não foi chamado tantas vezes à seleção, mas rodou o mundo, balançando as redes por clubes como Cerro Porteño, FC Tokyo, Ankaragücü, Newell’s Old Boys, Lanús, Sol de América, entre outros. Aos 36 anos, permanece como artilheiro do clube e até integrou a Albirroja nas Eliminatórias. No meio, o Libertad segue confiando em Sergio Aquino, de 38 anos. O capitão passou por Cerro Porteño e Olimpia antes de assinar com os alvinegros. Desde 2006, acostumou-se a liderar a equipe que participa com frequência das competições continentais. Ao seu lado, outro símbolo do Gumarelo é o goleiro Rodrigo Múñoz, que despontou no Nacional de Montevidéu e chegou em Assunção há seis anos, se projetando à seleção uruguaia que disputou a Copa do Mundo de 2014. E o zagueiro Adalberto Román, com períodos no Palmeiras e River Plate, está no clube desde 2013.

Por fim, não há prato mais cheio ao “veteranismo” do Libertad que o seu sistema defensivo. São três jogadores acima dos 34 anos atuando regularmente. O menos reconhecido internacionalmente é o lateral Salustiano Candía, cuja o período mais relevante veio com a camisa do Olimpia. Ao seu lado, dois totens da seleção paraguaia. Recordista em jogos com a albirroja, somando 150 aparições, Paulo da Silva dispensa apresentações. O zagueiro de 37 anos tem uma passagem anterior pelo Libertad, encerrada em 2003. Justamente depois se mudou ao México, onde construiu o auge de sua carreira, especialmente no Toluca. Retornou a Assunção em junho e foi titular em cinco jogos na Sul-Americana. Ao seu lado, o companheiro de sempre é Antolín Alcaraz, presente também na Copa de 2010. Aos 35 anos, ainda tinha mercado na Europa, atuando por Everton e Las Palmas depois de deixar o Wigan. Foi o primeiro dos ex-selecionáveis a assinar com o Libertad, estreando no início do ano.

E em um time tão singular, nada melhor que um técnico com trajetória especial. Fernando Jubero nasceu na Espanha e, enquanto trabalhava como professor, atuava como olheiro do Barcelona. O negócio ficou sério e ele acabou contratado pela Aspire, do Catar, que capta jogadores em diferentes partes do mundo para as suas categorias de base. Representante da academia no Paraguai, no país ganhou a sua oportunidade. Fez história com o Guaraní semifinalista da Libertadores, não deu certo no Olimpia e agora eleva seu nome no Libertad, com o qual foi campeão do último Torneio Apertura.