Marc Wilmots foi um dos grandes nomes da história do futebol belga. Não nasceu a tempo de ser um dos expoentes da geração da década de 1980, a melhor da história dos Diabos Vermelhos, que caiu apenas para a Argentina e para Maradona na semifinal da Copa de 1986. Era o herdeiro daquele time talentoso, incluído no elenco a partir do Mundial de 1990. Esteve presente em quatro edições do torneio. E, à medida que o tempo passava, ia perdendo as boas companhias: Ceulemans, Scifo, Nilis. Ficava mais difícil a missão de liderar os belgas, repetir as grandes campanhas do passado.

Bélgica 2×1 Argélia: Maior trunfo da virada belga foi conseguir consertar os erros

Em 2002, Wilmots já era um veterano de 33 anos. A principal referência ofensiva de um time longe de ser bom, mas pronto para (realmente) surpreender. Primeiro, ao eliminar a favoritíssima República Tcheca na repescagem das Eliminatórias europeias. Wilmots, de pênalti, marcou o gol decisivo em Praga. Depois, por fazer boa campanha na Copa do Japão e da Coreia do Sul, apesar das limitações da equipe. Wilmots marcou um gol no empate por 2 a 2 contra o Japão e também no 1 a 1 com a Tunísia. Contra a Rússia, carimbou a classificação aos 37 do segundo tempo. E poderia ter feito mais.

A Bélgica acabou na segunda colocação do Grupo H. Pegaria o Brasil, líder do Grupo C, que vinha voando na primeira fase. Wilmots jogou muito naquela partida das oitavas de final. Teve gol anulado, exigiu grandes defesas de Marcos, foi o que se esperava do melhor jogador do time. Não adiantou. Rivaldo impulsionou os brasileiros à vitória por 2 a 0, a mais difícil na campanha do pentacampeonato. Era o fim da linha para Wilmots.

Desde então, a Bélgica nunca mais havia se classificado para um Mundial. Conseguiu justamente com Wilmots no comando, orientando um excelente (e totalmente renovado) grupo de jogadores. No dia 17 de junho de 2014, exatamente 12 anos depois daquela dolorosa eliminação, o treinador tentava se redimir. Em uma posição diferente, mas com tanta responsabilidade.

Por mais que muitos apontassem que a Bélgica surpreenderia no Mundial (o que até se tornou lugar comum), na verdade ela que acabou surpreendida. A Argélia deu muito mais trabalho do que a maioria poderia prever. Com uma dose de culpa de Wilmots. Apostou em um esquema tático ao qual o time não estava acostumado. Mandou para campo jogadores contestados e deixou outros talentos no banco.

Wilmots, no entanto, se redimiu. Mexeu bem no time, consertou seus erros. Fellaini e Mertens saíram do banco de reservas para mudar o jogo, marcar os gols da virada por 2 a 1. O técnico foi tão decisivo quanto em 2002, quanto ainda tinha o direito de marcar gols. E é esse peso da liderança do veterano: chamar a responsabilidade para si nos momentos mais difíceis, algo que já fez em outras Copas do Mundo. Por mais inexperiente que seja como técnico, e cometa os seus erros, o ex-meia tem tarimba em Mundiais. Algo importantíssimo para uma “promissora geração” que precisa se provar.