Kompany levanta o troféu da Premier League (AP Photo/Jon Super)

Ataque avassalador e crescimento na hora certa dão título ao Manchester City

No começo da temporada, se imagina que o Manchester City seria um dos times a brigar pelo título. Ao longo da temporada, porém, o time teve muitas oscilações e viu Arsenal começar com tudo, Liverpool entrar inesperadamente na disputa pelo título e o Chelsea conseguir pontos importantes. Só que as vitórias na virada do ano e o desempenho do time em 2014 fizeram o Manchester City voltar à liderança, à disputa e, com uma reta final impecável, à conquista do título. A vitória por 2 a 0 sobre o West Ham na última rodada, neste domingo, só foi a coroação de uma campanha que culminou no título.

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Há alguns pontos que precisam ser destacados nesse time do Manchester City. O primeiro deles é que o ataque avassalador. São 102 gols marcados, um a mais do que outro ataque incrível, o do Liverpool, que chegou a 101 com a vitória sobre o Newcastle. O grande destaque em gols é o volante Yayá Touré. Foram 20 gols dele, que atua como um “todo campista”, fazendo todas as funções, de marcação, armação de jogo e conclusão. Sergio Agüero, talvez o mais talentoso jogador de ataque do time, fez 17 gols em 22 jogos, em uma temporada que teve problemas com lesões. Edin Dzeko marcou outros 16 gols nos 30 jogos que fez.

Vale destacar também David Silva. Se em 2012 ele foi um dos melhores jogadores do time, desta vez não podia ser diferente. Foi novamente versátil, atuando pelos lados ou pelo centro, e ainda fez 12 passes para gols, o líder no quesito no time. É um jogador que se torna cada vez mais completo à medida que o tempo passa.

Ainda no setor de meio-campo, é importante destacar outro jogador, que chegou nesta temporada e já fez diferença em um time tão milionário e cheio de estrelas: Fernandinho. O brasileiro foi contratado inicialmente como um reserva, para rechear o elenco do time. Ganhou a posição, tornou-se um primeiro volante brilhante no time, ao lado de Yayá Touré no setor de marcação.

Vale lembrar que Fernandinho surgiu como um meia ofensivo, camisa 10 do Atlético Paranaense, foi recuado para segundo volante no Shakhtar Donetsk e tornou-se primeiro homem de marcação no City, sem perder qualidade na chegada ao ataque. Tanto que ganhou, nesta reta final, a vaga na seleção brasileira e vai para a Copa do Mundo.

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Na defesa, um grande destaque: Pablo Zabaleta. É um jogador longe de ser um primor de técnica, ou um às da marcação, mas é esforçado e regular, consegue fazer jogos sempre em um bom nível. Tanto que Maicon, irregular demais e mal fisicamente, não conseguiu concorrer com ele. Micah Richards, inglês que parecia promissor, nunca foi páreo. Zabaleta é fisicamente bem preparado e é uma espécie de Alessandro (ex-Corinthians) do Manchester City: era muito criticado, mas de repente se tornou símbolo de um time muito vencedor.

Fora de campo, um destaque importante: o técnico Manuel Pellegrini. O chileno chegou nesta temporada ao Manchester City com a missão de melhorar o time que já era muito forte nas mãos de Roberto Mancini. Teve problemas em fazer o time funcionar no início da temporada e isso fez com que parecesse que o City não seria o mesmo de anos anteriores. Aos poucos, o time se acertou e o técnico, que comandou, por exemplo, o Real Madrid em temporadas passadas, além do Málaga na ótima campanha na Liga dos Campeões, consegue o seu primeiro título de liga nacional na Europa. Na América do Sul, já tinha levantado a taça do Campeonato Argentino duas vezes, com San Lorenzo e River Plate.

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O Manchester City agora tem que olhar para o futuro. Nesta temporada, a equipe conseguiu uma recuperação importante na Premier League e passaram da primeira fase da Liga dos Campeões, caindo para o Barcelona nas oitavas de final. Apesar do adversário qualificado e muito mais experiente, ficou a sensação que o Manchester City ficou devendo em futebol na principal competição da Europa. Em 2014/15, um dos desafios de Manuel Pellegrini será fazer do time uma força continental também. Será difícil, a concorrência é forte, mas é preciso que o time dê um passo além. Ganhar o título é sempre muito complicado, mas o time tem capacidade para chegar em fases decisivas, como quartas de final e, com alguma sorte, até semifinais.

Com o poder de fogo que o time tem no mercado, não é difícil imaginar que se reforce ainda mais. Só que provavelmente terá que enfrentar restrições impostas pela Uefa à gastança, o que deve fazer o elenco ser reduzido na Europa de 25 para 21 inscritos, além de um teto salarial. Será o momento do Manchester City começar a colher os frutos dos vultosos investimentos que fez nas categorias de base nos últimos anos, inclusive trazendo algumas ideias e profissionais do Barcelona.

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