As coisas são como são – não como a gente gostaria que fosse. E, nesse ano de 2014, alguns Estaduais vão voltar não apenas de férias. Vão voltar a ter um peso que fazia muitos anos não tinham. O Paulistinha perdeu o “inha” e, olha, parece que vai ser realmente um Paulistão.

Após uma temporada constrangedora em 2013, os times de São Paulo só terão o Estadual para disputar, valendo título, no primeiro semestre. E todas as equipes grandes terão algo a provar – tanto para elas quanto para alguém.

O Corinthians precisa mostrar que o desempenho pífio no Brasileirão foi apenas um acidente de percurso e que o projeto megalomaníaco de se tornar um dos times mais importantes do mundo continua firme e forte. O Palmeiras, bem, é o ano do centenário. Qualquer título importa – especialmente se o seu centenário sucede uma temporada na série B. O São Paulo precisa provar que não está vivendo um longo e prolongado período de decadence avec elegance -  a decadência com a elegância de Paulo Henrique Ganso. E o Santos, mais uma vez, entra em campo para provar que é um clube-clube, e não um clube de jogadores que surgem a cada dez anos – como Robinho e Neymar.   

O Rio é outro caso típico em que o Estadual terá um grande peso. O futebol do Estado vem vivendo oscilações geográficas. Vai dos confins das Fossas Marianas, tendo dois clubes rebaixados em campo, no mesmo ano, ao Everest das conquistas de Brasileirão e Copa do Brasil. Vasco e Fluminense entram no Carioca dispostos a mostrar, mais uma vez, que não estão flertando com a espiral da destruição (apesar de o rebaixamento de ambos ainda estar em discussão na Justiça, a bagunça como método, de ambos os times, é preocupante). Por outro lado, embora estejam na Libertadores, Botafogo e Flamengo estão com times em formação e perderam jogadores essenciais para as suas boas campanhas de 2013. Como já diria o cantor Buchecha para o seu companheiro de dupla Claudinho, morto em 2002:

“Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu assim, sem você
Futebol sem bola
Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim, sem você”

É o Botafogo sem Seedorf e o Flamengo (provavelmente) sem Elias: é como avião sem asa, fogueira sem brasa, é o Botafogo e Flamengo assim, sem vocês.

Por outro lado, o Mineirão, com Atlético Mineiro e Cruzeiro na Libertadores, é um forte candidato a ser um Mineirinho. O gaúcho continua uma incógnita. Vai depender muito da campanha do Grêmio da Libertadores e da remontagem do Inter.

Mas o fato é que 2014 começa com um ar vintage, uma coisa assim, meio anos 1980, anos 1990. Estaduais fortes, regulamentos complicados e um Brasileirão que, poucos meses antes de começar, ninguém sabe se existirá  – e como será disputado. Bem vindo, leitor, de volta para o passado.