Atlético de Madrid e Real Madrid sabiam da importância do dérbi deste sábado. Não era apenas o primeiro clássico disputado no novo Wanda Metropolitano. Depois de quase de duas semanas de paralisação no Campeonato Espanhol, por conta da Data Fifa, os times entravam em campo para ganhar fôlego na reta final do primeiro turno e, quem sabe, encurtar distâncias em relação ao líder Barcelona. No entanto, os dois madrilenos acabam mais longe dos blaugranas. Em uma partida bastante disputada, concentrada no meio-campo, o zero imperou no placar, com o empate sem gols. Os merengues até foram melhores ao longo da noite, mas sem conseguir vencer o goleiro Jan Oblak nas oportunidades que criaram.

A aposta de Diego Simeone ao Atleti era um meio de campo com muita pegada. Já a principal novidade ficava por conta da entrada de Lucas Hernández na lateral esquerda, com Filipe Luís, se recuperando de lesão, permanecendo no banco de reservas. Já o Real Madrid comemorava o retorno de Dani Carvajal, principalmente, com o restante do time praticamente completo – exceção feita ao gol, onde Kiko Casilla suplanta Keylor Navas.

O início de jogo do Atlético de Madrid foi exemplar. Os anfitriões pressionavam a saída de bola do Real Madrid e quase abriram o placar aos dois minutos. Após um erro da defesa, Ángel Correa ficou em ótimas condições de marcar, mas chutou para fora. Os merengues começaram a encontrar o seu jogo a partir dos dez minutos. Então, travou-se uma grande batalha nas trincheiras do Metropolitano. Gabi e Thomas fazia um trabalho intenso na cabeça de área, fechando a porta para Toni Kroos e Luka Modric. Isco, por sua vez, tentava buscar mais espaço se movimentando pelos lados. Já do outro lado, o leão era Casemiro, impecável na marcação.

As faíscas, obviamente, saíram aos montes. Os dois times entravam forte nas jogadas, e a arbitragem aliviava nas marcações. Seis titulares do Atleti tomaram o amarelo e, mesmo assim, os jogadores do Real estavam insatisfeitos com a postura passiva de David Fernández Borbalan. Já a partir dos 30, o futebol prevaleceu um pouco mais, com uma série de bons lances para os merengues. Kroos saiu de frente para o gol e foi travado, Cristiano Ronaldo chutou de longe em cobrança de falta e Oblak defendeu, Sergio Ramos cabeceou com muito perigo para fora – em lance no qual também reclamaram pênalti, por um chute de Lucas no rosto do capitão. Faltou pouco para que o gol saísse, mas ainda assim os visitantes tinham dificuldades para abrir as linhas defensivas colchoneras.

O intervalo serviu para o Atlético de Madrid se recuperar, equilibrando mais a partida, com a entrada de Yannick Ferreira-Carrasco. Além disso, o Real Madrid perdeu Sergio Ramos, que sequer voltou para o segundo tempo após a pancada que sofreu no nariz, substituído por Nacho Fernández. Foram minutos tensos, com a intermediária sitiada e poucos riscos tomados, até que os dois treinadores finalmente resolvessem apostar nos 15 minutos finais. Antoine Griezmann (tão mal a ponto de ser vaiado) e Ángel Correa saíram no Atleti, com Fernando Torres e Kevin Gameiro renovando as energias no ataque. Já Zinedine Zidane colocou Marco Asensio no lugar de Karim Benzema. As necessidades impulsionaram os times, que deixaram de se resguardar tanto na defesa.

A melhor chance foi do Atlético de Madrid, após ótima jogada de Fernando Torres, em tentativa de Gameiro que Raphaël Varane salvou quase em cima da linha. De qualquer maneira, o Real Madrid martelou bem mais. Oblak voltou a negar o gol a Cristiano Ronaldo e, depois de rebater uma bomba de Toni Kroos para frente, acabou salvo pelos companheiros. Já no último suspiro, CR7 recebeu com liberdade pelo lado direito, mas Lucas deu um carrinho salvador para bloquear a bomba. O jovem, aliás, terminou a noite entre os melhores de sua equipe.

Ao invés de um ponto ganho, ambos os times podem considerar os dois pontos perdidos, que tranquilizam o Valencia na vice-liderança e deixa o Barcelona abrir já dez pontos no topo da tabela, após vencer o Leganés por 3 a 0. Até o momento, só os Ches conseguem acompanhar minimamente os blaugranas, ficando a quatro pontos se vencerem o Espanyol na Catalunha, em jogo que acontece neste domingo. Já em Madri, Simeone e Zidane precisam pensar no que fazer. O Real Madrid não faz uma campanha tão empolgante na Liga dos Campeões, mas ninguém ousa tirar os atuais bicampeões da lista de favoritos, especialmente pela maneira como crescem nos mata-matas. Já o Atleti corre sérios riscos de eliminação, rezando para que o ano vire, para finalmente contar com os reforços de seu ataque. O empate, no fim das contas, só resume as preocupações que perduram de ambos os lados.

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