Era daqueles jogos para consolidar a sua força na disputa pelo título. O Atlético de Madrid já tinha sofrido na rodada passada diante do Levante, fora de casa, e acabou perdendo. Desta vez, o adversário era o Málaga, mas em casa. O nervosismo dos jogadores era evidente. Até David Villa, que jogou no lugar de Diego Costa, machucado. E o futebol gosta de um drama. Villa, 32 anos, perdeu três boas chances de marcar. O Málaga saiu na frente e obrigou o Atlético a escrever um capítulo com muita emoção nessa trajetória.

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Ser melhor, em um jogo como esse, só vale se ganhar. O jogo é decisivo demais para jogar bem e não vencer. O desespero fiou evidente e o Málaga começou a ameaçar. Mas o primeiro tempo teve pouco de relevante. O segundo é que os corações dos torcedores ficaram na garganta. O Málaga se recolheu mais e o Atlético deu espaços para contra-ataques. Em um deles, veio um golpe naqueles milhares de torcedores colchoneros. Alderweireld falhou miseravelmente, furando uma bola, Courtois saiu mal e Samuel marcou para o Málaga. Momentos de silêncio agonizantes no estádio Vicente Calderón, aos 20 minutos do segundo tempo.

O desespero era evidente no Atlético, que não conseguia jogar bem. Nem Koke, nem Turan, nem Villa, ninguém tinha atuação destacada. Os dois primeiros deixaram o campo para deixar o time mais ofensivo e tentar sangue novo. Sosa e Diego entraram bem no jogo. O brasileiro deu boa movimentação e arriscou em bons passes e chute de fora da área. Até que o vilão se redimiu. Em escanteio, o zagueiro Alderweireld empatou de cabeça, para explosão em vermelho e branco. Eram 29 minutos e a esperança passou a ser rojiblanca. O time acendeu nos minutos seguintes e partiu para cima.

Com aquele misto de raça e pressa, o Atlético foi para cima. Tentou, forçou, cruzou bolas na área, chutou de fora, criou jogadas e, em um dos últimos lances do jogo, teve uma chance clara de gol. Adrián, em boa jogada, chutou buscando o ângulo, mas o goleiro Willy Caballero foi buscar e mandou para escanteio. Seria o gol do título, porque àquela altura, 49 minutos do segundo tempo, o jogo do Barcelona com o Elche já tinha terminado empatado em 0 a 0.

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Agora, a decisão do título fica para a última rodada. O Atlético de Madrid chega como favorito, com três pontos a mais. Por isso, o Barcelona precisa vencer o jogo para se igualar na pontuação e vencer no primeiro critério de desempate, justamente o confronto direto entre os times.

O Atlético é um time à imagem e semelhança dos seus torcedores, que sabe sofrer. Mas deixar para decidir tudo no Camp Nou, na última rodada é um risco muito grande, quase como brincar de roleta russa. Aliás, é o que o Atlético tem jeito nos últimos dois jogos do Campeonato Espanhol. Mas o time já mostrou que é capaz de aguentar o sofrimento. A essa altura, o torcedor já pode ter certeza que seja qual for o resultado em Barcelona, o sofrimento virá. A questão é saber se será só antes e durante o jogo ou se irá durar até depois do jogo também.

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