Era tudo que o Atlético Paranaense precisava para um épico. Afinal, depois da classificação contra o Sporting Cristal na primeira fase da Libertadores, o impossível era trivial para os rubro-negros. Que, primeiro, enfrentavam a temível altitude do Estádio Hernando Siles, em La Paz. Viam Weverton, o melhor jogador do time na competição continental, operando verdadeiros milagres. E ainda comemoraram um gol de Adriano, o grande filho pródigo do futebol, que mais uma vez largou (mesmo que parcialmente) a boemia para voltar a sua velha casa: a grande área, balançando as redes. Um sonho que não saiu da imaginação.

O Furacão caiu de joelhos na Libertadores. O que aconteceu, de fato, foi uma atuação de pouco valor do time de Miguel Ángel Portugal. Tentou amarrar o jogo diante da pressão do Strongest. Atacou abaixo do mínimo para quem queria se classificar. Foi um time pobre, de criatividade e mesmo de espírito, já que mesmo nos minutos finais não parecia ter nem mesmo o ímpeto necessário para buscar aquele golzinho salvador, o suficiente para a vaga nas oitavas de final. Venceu o Strongest por 2 a 1, imbatível dentro de casa, na próxima fase ao lado do Vélez.

A campanha na Libertadores enganou a muitos que acompanhavam o Atlético, especialmente da única vitória naquela semana em que todos os outros brasileiros perderam. Mas, analisando na frieza dos números (e também sob a certeza da eliminação), ela esteve longe de ser incendiária, não passou de uma fagulha. Dos nove pontos que o Furacão acumulou, seis foram conquistados contra o fraquíssimo Universitário, o ‘bônus’ do grupo. Bateu o Strongest na Vila Capanema em um jogo que também poderia ter terminado com um empate. Foi presa fácil para o Vélez, de quem perdeu os dois duelos, mas do qual precisava arrancar pontos para que o desastre não acontecesse. Não foi páreo.

Mas a verdade é que, apesar da campanha espetacular em 2013, com o vice na Copa do Brasil e o terceiro lugar no Brasileirão, atleticano consciente já estava ressabiado com o que poderia acontecer. Alguns dos esteios do time foram embora, em especial Paulo Baier. E por uma questão de contrato, a diretoria preferiu abrir mão do ótimo trabalho de Vágner Mancini, o grande responsável pelo desempenho dos rubro-negros. Fez uma aposta obscura em Miguel Ángel Portugal, técnico que chegava mais pela grife de seu passaporte, indicando sua nacionalidade espanhola, do que realmente por seus trabalhos.

Com um elenco limitado, Portugal fez água. Não conseguiu dar aquela energia antes vista por Mancini. Primeiro, começou errando na armação do time, que perdeu o seu excelente encaixe do último ano. Depois, mostrou deficiências também em mexer no time, com improvisações desnecessárias. Por último, não mostrou capacidade nem de superar um rival que já conhecia. Oriundo do Bolívar, o espanhol sabia muito bem como o Strongest jogava. Ou deveria saber. Porque, da forma como o Atlético jogou em La Paz, um time contente em apenas se defender, o técnico não passou essa impressão. Por fim, não conseguiu nem mesmo imprimir em campo a motivação necessária para reverter o resultado, com o Furacão apático, quase entregue.

Os próximos dias de folga que o Atlético Paranaense terá, até o começo do Campeonato Brasileiro, deveriam ser vitais. Para repensar os rumos que o time está tomando. É lógico que um técnico precisa ter seu trabalho avaliado a longo prazo, tempo para desenvolvê-lo. Mas, pelo que Miguel Ángel Portugal demonstrou até aqui, o futuro não é nada promissor. Com um elenco curto, os rubro-negros não devem ser ingênuos para crer em uma campanha tão boa como a do último ano. E talvez seja até melhor se precaver, se preparar para o pior. Ou esperar que a Arena da Baixada, reaberta à torcida apaixonada, transforme esses ares de tragédia.