Morocco Soccer Club World Cup

Atlético volta do Mundial tentando recuperar a raça que esqueceu no Horto

Diante do clima festivo do final de ano, poderia muito bem ser um ‘Amigos de Ronaldinho contra Amigos de Muriqui’. Mas era a decisão do terceiro lugar do Mundial de Clubes. Um amistosão com a chancela da Fifa, em que o Atlético Mineiro não queria perder para evitar uma frustração ainda maior na visita ao Marrocos, mas também não estava com aquela empolgação para se esforçar. Aos trancos e barrancos, ganhou por 3 a 2, em uma ocasião tão desanimadora quanto toda a participação no Mundial.

Não dá nem para dizer que o Atlético foi superior ao Guangzhou Evergrande. O time de Cuca finalizou mais e balançou as redes três vezes, com Diego Tardelli, Ronaldinho e Luan. Porém, os alvinegros tomaram pressão durante boa parte do tempo, permitiram a virada dos chineses com apenas 15 minutos de jogo e só não sofreram mais gols porque foram salvos pelas boas defesas de Victor e pela trave, que barrou três chutes dos adversários. Para piorar, Ronaldinho ainda foi expulso por um lance infantil.

No mais, aconteceu o que se espera de uma decisão de terceiro lugar. Dois franco-atiradores, em um jogo aberto apenas pela falta de motivação. A quantidade de chances e de gols tornaram a partida até mais agradável de se assistir, considerando que o interesse era o mínimo para uma cerimônia fadada ao esquecimento. O bronze do Galo só será lembrado pelo fracasso que representa a queda na semifinal, o desperdício da chance de enfrentar o Bayern de Munique e tentar surpreender o mundo com uma vitória. Uma honraria destinada ao Raja Casablanca, que teve seus méritos para isso.

Além das medalhas e de um possível prêmio individual que pinte, o Atlético volta ao Brasil trazendo as dúvidas. O time passou cinco meses totalmente dedicados ao Mundial, ignorando o Brasileirão. E o plano ruiu em um jogo. Cuca já não será mais o técnico dos mineiros daqui para frente. Também há a dúvida se Ronaldinho fica em Belo Horizonte, sob a especulação de que se transfira para fora do país. O próprio time já não rende tanto, apesar das boas formas de Diego Tardelli e Victor.

Paulo Autuori assume o comando do Galo mais pelo nome que possui do que pelos últimos trabalhos que fez. Por sorte, terá tempo para tentar reerguer a equipe depois do fiasco e a si mesmo. O Campeonato Mineiro está longe de ser um desafio e o sorteio da Libertadores foi bastante camarada, colocando o Galo em um grupo que deve garantir a classificação tranquila às oitavas de final.

Os atleticanos têm força para buscar o bicampeonato. Só precisam voltar a ter o ‘sangue nos olhos’ que marcou o time na Libertadores passada, se valendo da força no Independência para reverter resultados difíceis e conseguir vitórias milagrosas. Uma característica que faltou contra o Raja Casablanca e que com certeza não apareceria em uma mera decisão do terceiro lugar.