Poucas imagens são mais bonitas no futebol do que uma final disputada em estádio grande, abarrotado por uma torcida apaixonada. E a massa alviceleste do Paysandu sabe, como poucas no Brasil, o poder que tem para criar uma atmosfera inebriante no Mangueirão. O gigante de concreto lotado, entre luzes, cores, fumaça e mosaico, é o grande destaque na decisão da Copa Verde. E pouco importa que a vitória não tenha vindo, já que o título veio. A multidão deixa um quadro inesquecível à memória por, mais uma vez, gritar que o Papão é campeão. O empate por 1 a 1 contra o Atlético do Espírito Santo já serviu para confirmar o segundo troféu do Lobo no torneio.

A torcida do Paysandu, que já é cheia de si, tinha todos os motivos para se sentir mais confiante. A vitória por 2 a 0 no jogo de ida valeu uma ótima vantagem para o reencontro em Belém. E o mínimo que poderia se esperar no Mangueirão era a lotação. Pois teve mais. As ruas ao redor do estádio estavam apinhadas de gente para receber o time e, na entrada dos jogadores em campo, certamente eles se impressionaram com o clima proporcionado nas arquibancadas – especialmente pelo enorme mosaico de um lobo que se formou, resultado de um financiamento feito por arrecadações entre os próprios torcedores, que logo seria substituído pelas luzes dos celulares e pela fumaça que tomava os céus.

Dentro de campo, o Paysandu tomou um susto. O time pressionou durante boa parte do primeiro tempo, para resolver o jogo logo. Mas aos 39 minutos, o Atlético saiu em vantagem, graças a uma cabeçada de Eraldo. Ainda não era um resultado suficiente para tirar a taça das mãos do Papão, embora ligasse o sinal de alerta. Porém, de tanto forçar o goleiro Bambu, os alvicelestes anotaram o gol decisivo aos 27 do segundo tempo. Pedro Carmona chutou da entrada da área e, desta vez, ninguém conseguiu impedir que a bola estufasse as redes. Depois disso, era deixar que a festa tomasse conta, entre os 35 mil presentes no Mangueirão.

“Não é a toa que o apelido da nossa torcida é ‘fiel bicolor’. Fizeram um espetáculo, um show. Ficou lindo o estádio. Precisávamos dar esse retorno ao torcedor, que sem sombra de dúvidas é um grande aliado em Belém, seja na Curuzu ou no Mangueirão. A presença do público ao nosso lado é um diferencial. Óbvio que quem fez o resultado foram os atletas em campo, a organização da equipe, porém esse ‘doping’ externo do nosso torcedor ao nosso lado ajuda demais. Muitas vezes, em momentos de dificuldades, isso empurra a nossa equipe para frente”, exaltou o técnico Dado Cavalcanti, que também treinava o Papão no título da Copa Verde de 2016.

Herói do título, Pedro Carmona também reconheceu a energia transmitida pela torcida: “Essa atmosfera aqui é incrível. A festa que eles fazem arrepia, não tem como não entrar ligado. Têm os dois lados: o bom, quando está do nosso lado; e o ruim, quando está contra. A gente tem que saber administrar. Hoje aconteceu isso durante o jogo. O que a gente menos queria era sair perdendo, porque toda essa atmosfera podia se voltar um pouquinho contra a gente, mas tivemos maturidade de soubemos sair da situação para trazer de volta o torcedor para o nosso lado”.

O Pará é o estado de maior relevo futebolístico entre os que participam da Copa Verde. E o momento do Paysandu, principal expoente local no momento, se reflete diretamente no histórico da competição. São dois títulos do Papão, dois vices e uma terceira colocação – quando, eliminado pelo Remo nas semifinais, viu os rivais tomarem a virada improvável contra o Cuiabá na decisão. Além da taça, os alvicelestes garantem um prêmio (cujo valor de R$168 mil está bem aquém do desafio que a competição oferece) e, mais importante, a vaga direta nas oitavas de final da Copa do Brasil, aí sim com um gordo rendimento de R$2,4 milhões. E a própria motivação é importante, considerando o bom início do clube na Série B. A massa fica à espera de outras festas no Mangueirão.