Para aqueles que queriam novidades na Oceania, a temporada 2013/14 foi mais do mesmo: pela quarta vez consecutiva, o Auckland City levou o caneco na Liga dos Campeões e vai representar o continente no Mundial de Clubes 2014 – o adversário será o campeão marroquino, a ser definido em 25 de maio, entre Moghreb Tétouan e Raja Casablanca.

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O domínio da Nova Zelândia na competição é flagrante, com oito títulos em nove edições desde a saída da Austrália para a Ásia. Apenas o Hekari United (Papua Nova Guiné) conseguiu frear a supremacia ao vencer o Waitakere United em 2009/10. Com esse histórico, pode parecer loucura atualmente, mas há boas chances de os outros times da Oceania começarem a surpreender a dupla da Nova Zelândia no médio prazo.

A própria entrevista do técnico espanhol Ramon Tribulietx, do Auckland City, deixa evidente que a diferença entre os neozelandeses e os demais está diminuindo a cada temporada: “Parabéns ao Amicale, que foi um grande rival e até mereceu o título. Tivemos sorte, pois começamos perdendo o jogo e só conseguimos virar nos minutos finais”.

Queda natural

É inegável que os times da Nova Zelândia estão se enfraquecendo. O próprio elenco do Auckland City vem perdendo bons jogadores nos últimos anos, pois é evidente que estes utilizam o clube apenas como trampolim, no evidente objetivo de aparecer no Mundial de Clubes e conseguir contrato num time profissional.

Em 2010/11, por exemplo, o Auckland City encarou o mesmo Amicale e venceu as duas partidas (2 a 1 em Vanuatu e 4 a 0 na Nova Zelândia). Ramon Tribulietx tinha no elenco duas peças importantes: os espanhóis Albert Riera e Manel Expósito. Ambos ficaram até 2012/13, quando se renderam a propostas de times profissionais.

Riera continuou na Nova Zelândia, mas foi defender o Wellington Phoenix, que joga no Campeonato Australiano. Já Manel Expósito aceitou convite do Eupen, time que briga para ascender à elite da Bélgica. Em 2013/14, o Auckland City chegou a contar com o atacante fijiano Roy Krishna, mas ele preferiu aceitar proposta do Wellington Phoenix, sua grande chance na carreira.

O que restou a Ramon Tribulietx na Liga dos Campeões da Oceania foi um elenco de jogadores sem nenhum renome, embora de qualidade acima do nível do continente. O atacante argentino Emiliano Tade, autor do gol do título, só jogou no Villa Mitre (quarta divisão da Argentina) e em times neozelandeses, enquanto o português João Moreira já foi da seleção sub-21 e vestiu as camisas de Estrela Amadora, Beira-Mar e estava no DPMM FC, time de Brunei que joga na liga de Cingapura.

Por esta razão, o Auckland teve dificuldades na primeira fase, perdendo para o próprio Amicale (1 a 0) e ficando na segunda posição do Grupo B – foi às semifinais por ter melhor campanha entre os segundos colocados. A derrota de 2 a 1 para o Pirae (Taiti) nas semifinais, fora de casa, não poderia acontecer, mesmo diante da tranquilidade em razão do triunfo a três gols no jogo de ida. Como bem disse Ramon Tribulietx: “Foi uma temporada difícil para nós, pois perdemos muitos jogadores durante o ano. Será difícil permanecer no topo da Oceania”.

Vexame internacional

Se a situação do Auckland City inspira cuidados, a do Waitakere United é simplesmente vexamosa. Campeão da LC da Oceania pela última vez em 2007/08, ao golear o Kossa FC (Ilhas Salomão) por 6 a 3 no placar agregado, o time havia conseguido dois vice-campeonatos, um deles perdendo para a surpresa Hekari United.

Com dois técnicos/jogadores (Brian Shelly e Paul Temple), a única estrela do Waitakere era o atacante solomonense Benjamin Totori, 28 anos, que atuava na liga da Austrália. A média de idade do elenco é bastante baixa, incluindo os estrangeiros, mas não se esperava campanha tão ruim na fase de grupos.

Já na primeira rodada, a vitória de míseros 2 a 0 contra o minúsculo Kiwi (Samoa Ocidental) deve ter assustado os jogadores – o Kiwi sofreria duas derrotas de 8 a 0 nas partidas seguintes. O empate com o modesto Solomon Warriors (Ilhas Salomão) por 1 a 1 só veio aos 41 minutos do segundo tempo, e com gol contra do adversário!

Para terminar a humilhação, o Waitakere United perdeu de 3 a 1 do Pirae, terminando o Grupo A na terceira posição, com quatro pontos, quatro gols marcados e mesmo número sofrido. Mas a possibilidade de mais zebras como a do Hekari United não se faz presente apenas pelas quedas de Auckland City e Waitakere United.

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Em 2010/11, oito times jogaram a Liga dos Campeões da Oceania. Ao final de seis rodadas dentro das chaves, Amicale e Auckland City fizeram a final, em dois jogos, um em cada país. O time da Nova Zelândia venceu por 6 a 1 e ficou com o título. O regulamento se repetiu em 2011/12, mas a confederação da Oceania viu condições de aumentar a competição nas duas temporadas seguintes.

A novidade em 2012/13 foi a criação da fase preliminar, que reuniu os campeões de Ilhas Cook (Tupapa Maraerenga), Tonga (Lotoha’apai United), Samoa Ocidental (Kiwi) e Samoa Americana (Pago Youth). Entretanto, o vencedor Tupapa Maraerenga não entrou diretamente na fase de grupos, tendo de enfrentar o time de pior campanha na fase de grupos do ano anterior.

Claro, o time cookense levou de 3 a 1 do Mont-Dore (Nova Caledônia) e perdeu a chance de enfrentar adversários superiores. Em 2013/14, porém, o campeão da fase preliminar (Kiwi) jogou a fase de grupos e este é um caminho para que os times mais fracos possam evoluir – o Kiwi não marcou gols e sofreu 18 em três jogos.

Outra ótima ideia da confederação da Oceania foi aumentar o número de participantes, de oito para 12, dando ainda mais oportunidade de confrontos na região. Reunir a fase de grupos num só pais (Fiji, no caso) é salutar, pois diminui os altos custos de deslocamentos das equipes, o que também interefere na condição física dos atletas, que já não são profissionais.

Os times menores também andam investindo bem em contratações de estrangeiros. O Amicale, por exemplo, trouxe o técnico Nathan Hall, que já trabalhou em Índia, Indonésia e Tailândia, além de três sérvios e um escocês que jogou no Aston Villa. O AS Pirae contou com jogadores da seleção do Tahiti de futebol de areia e Marama Vahirua, que fez carreira na França e esteve na Copa das Confederações 2013.

Melhor ainda foi o Dragon, cuja base é a da seleção nacional que esteve no Brasil em 2013, com destaque para o zagueiro Nicolas Vallar, o goleiro Mikaël Roche, além de Alvin e Jonathan Tehau. É capaz de o Auckland City ainda levar a Liga dos Campeões da Oceania nos próximos um, dois ou três anos. Mas é bom os times da Nova Zelândia ficarem espertos e investirem, pois as outras equipes dão sinais de evolução. Quem ganha é o futebol da Oceania.

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