Brazil Paraguay Soccer Copa Libertadores

A aura daquele Atlético iluminado parece ter se perdido na Libertadores

O Atlético Mineiro estava encantado em sua campanha na Libertadores 2013. Por mais que os alvinegros sofressem fora de casa, parecia bastar aos torcedores um simples fechar de olhos para que o sonho se mantivesse vivo no infalível Horto. Milagre após milagre, o Galo se tornou campeão. Mas o sentimento de certeza, pelo menos até agora, não vem se repetindo na competição continental. Os atleticanos se mantêm invictos na Libertadores 2014. Mas aquela impressão de que tudo convergia ao sucesso não acontece mais, como o empate por 1 a 1 com o Nacional paraguaio, dentro do Independência, bem mostrou nesta quarta-feira.

Não quer dizer que o tropeço do Atlético tenha apenas “razões místicas”, por mais que Cuca tenha deixado o comando da equipe. O fato é que, mesmo com a manutenção de vários campeões, o time parece não ter o mesmo encaixe. A desorganização e o excesso de erros na construção das jogadas foram decisivos para o tropeço. O Galo pressionou o Nacional durante a maior parte do tempo, mas criando pouquíssimas ocasiões com a bola rolando. Faltava o passe final. Tanto é que o goleiro Ignacio Don teve pouquíssimas ameaças reais.

O gol do Atlético saiu em um pênalti convertido por Ronaldinho, minutos depois uma cobrança defendida pelo arqueiro argentino. Tirando isso, a chance mais clara de gol foi em uma tabela que deixou Neto Berola na cara do gol e, mesmo de frente para Don, o atacante isolou – sem contar o gol corretamente anulado de Jô, por impedimento. Pouco para quem queria se impor em casa. E o que acabou custando a vitória, já que Victor nada pôde fazer na cobrança de falta perfeita de Riveros, no final do primeiro tempo.

Paulo Autuori não consegue deixar o time na mesma sintonia de meses atrás. E não mostrou capacidade de modificar o jeito dos atleticanos jogarem quando a equipe precisava de uma transformação. A troca do lesionado Fernandinho por Neto Berola no primeiro tempo era incompreensível, diante da possibilidade de usar Guilherme, também no banco. E os erros em excesso do substituto ajudaram a sustentar a tese de quem discorda do treinador.

O Nacional tem futebol para se classificar para as oitavas de final. Ao lado do Atlético, que não deve ter tantas dificuldades para se manter na ponta em um grupo relativamente tranquilo. A interrogação maior fica sobre o progresso do time. Não é mais aquele Galo que passava firmeza no último ano, com pinta de campeão desde o início. Por enquanto, os tropeços não custam muito aos alvinegros. Um aviso para o que os aguarda a seguir na competição. Seguir como favorito ao bicampeonato depende da capacidade de Autuori de chacoalhar um campeão sem a mesma pegada. Só que, mesmo para um clube que fez impossível no ano passado, não será tão simples assim.