Strootman era peça-chave na seleção holandesa (AP Photo/Peter Dejong)

A ausência de Strootman força a Holanda a escolher: volante brucutu ou mais técnico?

A chave para se compreender porque a Holanda foi tão mal no amistoso contra a França reside na apatia do meio-campo, como já se leu na coluna da última sexta. Havia um sujeito que podia ajudar bastante a mudar isso: Kevin Strootman, titularíssimo do setor na Oranje, elogiado pela capacidade de marcar com lealdade e, principalmente, de ditar a saída para o ataque. Só que ele lesionou o joelho no amistoso, saindo aos 39 minutos da etapa inicial.

A Holanda não teve Strootman durante a maior parte da derrota para os franceses. E não o terá para a Copa do Mundo, já que a lesão com que o volante já entrara em campo contra o Napoli, neste domingo, pelo Campeonato Italiano, foi agravada logo aos 11 minutos do primeiro tempo. Ausência confirmada, após exames na manhã desta segunda-feira que mostraram rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, caiu a dúvida: como Louis van Gaal organizará o time, agora que ficará sem justamente o principal arrumador?

É bem provável que a tendência já apontada pela maior parte de torcida e imprensa, após o 2 a 0 no Stade de France, passe a ser empreendida no esquema tático de Van Gaal. Se ter alguém de mais pegada já era recomendável com Strootman no time – até para liberá-lo nos trabalhos de iniciar a armação -, sem ele passa a ser quase obrigatório. E aí, o nome de Nigel de Jong, muito lembrado após a quarta passada, vira quase certo para o Mundial.

No entanto, a má impressão deixada pelo exagero com que o volante do Milan entrava nas divididas, durante a última Copa, ainda não foi totalmente apagada. E num trabalho como o de Van Gaal, dedicado exatamente a apagar a estranha impressão que a Oranje deixou em campos sul-africanos e trazer de volta a “escola holandesa”, isso deverá ser levado em conta. Assim, é bastante lúcido cogitar que De Jong pode ser deixado de lado, em detrimento de um volante mais “suave”, embora predominantemente marcador. Aí, Stijn Schaars, do PSV, ganharia pontos na disputa pela posição.

Outra hipótese bastante plausível para o modo como a Holanda será disposta taticamente na Copa seria manter o 4-3-3 com que ela tem ido a campo, apostando em volantes no mesmo estilo de Strootman, com capacidade para marcar e atacar. Aí, cresceriam bastante as chances de Jonathan de Guzman (utilizado constantemente com Van Gaal), e até as de Leroy Fer, mais esquecido nos últimos tempos. Caso não estivesse apenas voltando de contusão e reiniciando os trabalhos no Chelsea, Marco van Ginkel estaria firme na disputa, também.

Todavia, fossem quem fossem, esses dois volantes que ficariam atrás do principal armador teriam de demonstrar mais rapidez do que Clasie demonstrou contra a França. Se isso não ocorrer, é provável que Van Gaal tenha de esquecer o 4-3-3 e retornar o 4-2-3-1 com que a Holanda foi escalada no final dos tempos de Marco van Basten, e principalmente durante todo o comando de Bert van Marwijk. Mas num país onde o estilo ofensivo ainda é bastante valorizado, apesar das leves mudanças de concepção tática nos últimos anos, só essa mudança de esquema já traria mais dores de cabeça.

4-3-3 ou 4-2-3-1? Volantes leves ou fortes na marcação? E de que adianta mudar o esquema e fortalecer a marcação, se o armador não levar a bola com qualidade ao ataque, seja ele Sneijder ou Van der Vaart? Dúvidas que a Holanda não precisava ter, a essas alturas da preparação para a Copa do Mundo. Mas que estão postas, com a quebra da “Lavadora”, o apelido dado por Rudi Garcia a Strootman, pela importância de seu papel na Roma (“Ele sempre clareia as jogadas, quando elas chegam sujas”). A lesão que tirará o volante da Copa diminui ainda mais o ânimo já baqueado da Holanda para o torneio.