Villa Iniesta Espanha Austrália 169

Austrália 0×3 Espanha: Uma despedida tão fácil quanto melancólica para a Roja

A crônica

Ninguém esperava que a Espanha chegasse  à última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, contra a Austrália, já eliminada da competição, mas foi com esse cenário que a Roja venceu a Austrália por 3 a 0, na Arena da Baixada, nesta segunda-feira. O placar pode até sugerir que foi uma vitória fácil para os atuais campeões do mundo, e foi mesmo. Na mesma intensidade com que foi simples, o jogo foi também melancólico. Ver uma geração de atletas tão vitoriosos ter de se despedir do Mundial desta maneira torna inevitável essa sensação de decepção.

Nos primeiros minutos do jogo, a impressão era de que a já triste saída da Espanha seria ainda pior. A Austrália começou bem melhor no jogo, propondo mais a partida que os campeões mundiais, e poderia ter feito o primeiro gol do jogo. Com o passar do tempo, a Espanha equilibrou as ações, sobretudo graças à qualidade de Andrés Iniesta. O jogador do Barcelona, que deverá ser um dos remanescentes da geração que conquistou tudo nos últimos seis anos, foi o grande maestro da Roja. No primeiro gol, aos 36 minutos, o camisa 6 deu um lindo passe para Juanfran aparecer na linha de fundo e rolar para David Villa. Na área, o artilheiro da última Copa do Mundo acertou um belo toque de letra para fazer 1 a 0.

Enquanto Iniesta era o mestre dos passes no jogo, Villa era o senhor da raça e da entrega. Corria por todo o setor ofensivo e participava de quase todas as jogadas ofensivas da seleção espanhola. Enquanto esteve em campo, foi o melhor do time, o mais aplicado e o que mais parecia querer deixar o Brasil com uma boa impressão. Por isso a frustração com a substituição de Del Bosque logo aos 12 minutos do segundo tempo. Era a última partida de David Villa pela Espanha. O atacante tinha consciência de que estava sendo o melhor em campo, e ainda assim o treinador o sacou para colocar Juan Mata no jogo. Obviamente emocionado, Villa chorou no banco de reservas. Um choro autêntico, que pode ter sido por ter percebido que vestiu pela última vez a camisa de seu país. Ou então pela frustração de ver tirarem dele preciosos 30 minutos restantes de jogo.

Foi assim, com qualidade, mas sem coração, que a Espanha jogou o resto da partida. A Austrália não oferecia resistência, e logo Fernando Torres ampliou o placar. Aos 24 minutos, Iniesta, mais uma vez, deu belo passe rasteiro para o atacante, na cara do gol, finalizar na saída de Mathew Ryan e fazer 2 a 0. Mais tarde, aos 37, foi a vez de Cesc Fàbregas dar assistência magistral para Juan Mata, outro dos substitutos, fechar o placar em 3 a 0.

Se alguém foi à Arena da Baixada esperando ver a despedida de alguns ícones da seleção espanhola, como Xavi e Iker Casillas, cotados para não mais atuar pela Roja, se decepcionou. A dupla ficou o tempo todo no banco de reservas e não ganhou sequer alguns minutinhos em campo. Por outro lado, Xabi Alonso e Villa tiveram sua oportunidade, começaram a partida como titulares e seguem suas carreiras agora de cabeça erguida. Quanto aos australianos, depois do enorme trabalho que deram à Holanda e do jogo equilibrado com o Chile, não sobrou força para encarar os espanhóis. Com o futebol apresentado no Beira-Rio, por exemplo, com a Oranje, teria sido possível imaginar uma surpresa dos Socceroos nesta segunda, o que não aconteceu.

FICHA TÉCNICA

Austrália 0×3 Espanha

Austrália 

Escudo AustráliaMathew Ryan; Ryan McGowan, Alex Wilkinson, Matthew Spiranovic e Jason Davidson; Mile Jedinak, Matt McKay, Mathew Leckie, Oliver Bozanic (Mark Bresciano, 27′/2T), Tommy Oar (James Troisi, 16′/2T); Adam Taggart (Ben Halloran, intervalo). Técnico: Ange Postecoglou

Espanha

Espanha_escudoPepe Reina; Juanfran, Raúl Albiol, Sergio Ramos e Jordi Alba; Xabi Alonso (David Silva, 38′/2T), Koke, Santi Cazorla (Cesc Fàbregas, 23′/2T), Andrés Iniesta e David Villa (Juan Mata, 12′/2T); Fernando Torres. Técnico: Vicente Del Bosque

Local: Arena da Baixada, em Curitiba
Árbitro: Nawaf Shukralla (BHR)
Gols: Villa, 36′/1T, Torres, 24′/2T, e Mata, 37′/2T
Cartões amarelos: Sergio Ramos, Spiranovic e Jedinak
Cartões vermelhos: nenhum

O cara

David Villa

Se faltou apetite à seleção espanhola como Xabi Alonso disse, o mesmo não pode ser dito de David Villa. O atacante fez sua última partida pela Espanha, foi o melhor em campo enquanto esteve no jogo, deixou seu suor no gramado solto da Arena da Baixada, marcou um golaço e ainda chorou no banco de reservas ao ser substituído no início do segundo tempo. Deu qualidade e dedicação à equipe, mas também seu coração.

Os gols

36’/1T: GOL DA ESPANHA!

Golaço da Espanha! David Villa abre o placar contra a Austrália de letra, após receber lindo passe de Juanfran, que havia sido lançado por Iniesta.

24’/2T: GOL DA ESPANHA!

Iniesta dá lindo passe para Fernando Torres, sozinho, bater na saída do goleiro Mathew Ryan, ampliando para 2 a 0.

37’/2T: GOL DA ESPANHA!

Fàbregas encontra Juan Mata com perfeição dentro da área, e o jogador do Manchester United, livre, finaliza para fazer 3 a 0.

A Tática

Austrália Espanha Campinho

Com esquemas parecidos, Austrália e Espanha fizeram um jogo bom ofensivamente falando. Já eliminados, jogaram de maneira leve, e o 4-2-3-1 escolhido tanto por Postecoglou como por Del Bosque facilitou um jogo para a frente. Na Austrália, os jogadores respeitaram bastante suas posições e o que se viu em campo foi basicamente o que está no esquema acima, talvez com exceção para Leckie, que se movimentava mais livre. Já na Espanha, Koke, como volante, no lugar de Xavi, tinha bastante liberdade para atacar, assim como Iniesta para se movimentar por trás de Torres e ao lado de Villa e Cazorla.

A Estatística

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Apesar do bom desempenho demonstrado, a Austrália terminou pela primeira vez uma fase de grupos da Copa do Mundo sem pontuar em nenhum jogo.