A liga profissional australiana (A League) teve sua edição inaugural em 2005/06, com um regulamento estranho às maiores competições nacionais do mundo. Se na Europa o sistema de pontos corridos prevalece, o Campeonato Brasileiro, que atualmente adota o mesmo regulamento, já teve mata-mata para definir o campeão. Na Austrália, entretanto, utilizam-se ambos os sistemas.

Há uma primeira fase, em que as equipes jogam entre si três vezes. Ao vencedor desta etapa dá-se o título de Premiers, mas a temporada local não acaba aí. Atualmente, com o aumento no número de participantes para dez, os seis melhores se classificam para a fase de mata-mata.

O vencedor e o vice da primeira fase ganham pré-classificação para as semifinais, mas não se enfrentam. Eles esperam quem passa das quartas de final, definidos com embates entre o segundo e sexto e o quarto e quinto colocados. O campeão da Grand Final é considerado Champions, ou seja, tem segundo a federação australiana, condecoração de igual tamanho ao Premiers, o vencedor da primeira fase.

Enfim, a Austrália tem dois campeões nacionais na mesma temporada, com os primeiros colocados da primeira fase assegurando vaga na Liga dos Campeões da Ásia. Mas qual dos títulos é o mais importante no país? Seria mais interessante adotar apenas um sistema ou o atual é rentável?

Goleada nas estatísticas

Na primeira edição da A League, em 2005/06, oito times participaram. Após 21 rodadas, o Adelaide United ficou com a primeira posição, ao somar 43 pontos (13v, 4e, 4d), vantagem de sete para o Sydney. O título do Premiers, dedicado ao campeão desta fase, veio com três rodadas de antecedência, quando a diferença para o segundo colocado alcançou 11 pontos.

No jogo seguinte ao troféu, o Adelaide United levou 13.008 torcedores ao estádio. No primeiro jogo de mata-mata, o Adelaide United encarou o Sydney, diante de 15.104 torcedores. Em jogos de ida e volta, o adversário levou a melhor e se garantiu na final. Ao Adelaide United restou a possibilidade de disputar o título via repescagem, com o Central Coast Mariners, perdedor da outra semifinal. A derrota de 1 a 0 do Adelaide foi vista por 11.405 torcedores. O público do Adelaide não variou muito, pois era apenas a primeira temporada do futebol australiano. Mas a final entre Sydney e Central Coast Mariners levou 41.689 torcedores.

Na temporada seguinte, o Melbourne Victory dominou o campeonato e faturou os dois títulos. O dos pontos corridos veio na 16ª rodada (cinco de antecedência), mas o público na partida seguinte foi de apenas 15.563 pessoas. Já nas semifinais, os torcedores se interessaram mais e encheram 47.413 cadeiras do estádio Telstra Dome. Na disputa do título do mata-mata, 55.436 pessoas viram o Melbourne Victory golear por 6 a 0 o Adelaide United.

A temporada 2007/08 é bastante peculiar. A disputa nos pontos corridos foi acirrada até a rodada final, quando Central Coast Mariners levou vantagem sobre o Newcastle Jets apenas no saldo de gols – ambos somaram 34 pontos em 21 partidas. A última rodada pode ser encarada como final, mesmo com ambos enfrentando outro adversário. Mas o público não se entusiasmou: o Central Coast levou apenas 9.849 torcedores, enquanto o Newcastle Jets atingiu 16.212.

O público aumentou consideravelmente nas semifinais, em que ambos se enfrentaram por vaga na decisão de mata-mata. No jogo de ida, o Newcastle Jets levou 22.960 pessoas, ao passo que o Central Coast Mariners atraiu 19.112. A grande final também foi entre ambos, pois o Newcastle Jets ganhou a repescagem: 36.354 torcedores no estádio do Mariners para ver o título do adversário.

Os números dos times campeões são parecidos nas temporadas seguintes, mas a estatísticas gerais ao longo do tempo mostram queda de público total na fase de mata-mata. O melhor ano foi em 2006/07, quando 177 mil pessoas viram os jogos de mata-mata. Este número vem caindo a cada temporada, excetuando boa subida ocorrida em 2009/10 (161 mil torcedores).

Em 2012/13, apenas 105 mil pessoas viram os cinco jogos de mata-mata, média de 21 mil por partida. Resultado ainda superior ao de 12 mil torcedores em cada um dos 135 jogos do sistema de pontos corridos – o público total na primeira fase foi de 1,6 milhão de pessoas, o atual melhor resultado na história do Campeonato Australiano. Ou seja, mesmo a maior presença de torcedores na primeira fase ficou aquém da média no mata-mata.

Sistema único

A presença de público é um dos principais fatores para se atestar a importância de um campeonato único. Diante das estatísticas, entende-se que o recente título do Brisbane Roar nos pontos corridos, com três rodadas de antecedência, após somar 48 pontos em 24 jogos (15v, 3e, 6d), dez à frente do Western Sydney Wanderers (com o segundo melhor ataque e melhor defesa), não vale de nada.

A federação australiana deveria extinguir o título de campeão dos pontos corridos, pois não se pode ter dois campeões nacionais numa mesma temporada. O público não se interessa tanto pelos pontos corridos, e é natural que haja mais atração no mata-mata, com final em jogo único. Caso a entidade local deseje manter os dois títulos, que se faça uma final com os dois campeões, estabelecendo assim o vencedor da temporada. O que não dá é manter o atual sistema. Os torcedores já escolheram qual preferem…

Curtas

- O Brisbane Roar dominou a primeira fase do Campeonato Australiano 2013/14. A equipe só não foi líder na primeira rodada, quando o Adelaide United assumiu a ponta, e na sexta, quando o Western Sydney teve o gostinho do topo da tabela. Não há nenhuma razão para o Brisbane Roar ganhar um troféu, e a primeira posição é valorizada pela vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões da Ásia 2015 e a pré-classificação às semifinais do mata-mata.

- O sistema de mata-mata na Austrália é bastante interessante. Como foi campeão, o Brisbane Roar já está pré-classificado às semifinais, assim como o segundo colocado, a ser definido. Eles esperam os vencedores das quartas de final (Elimination Round) e quem passar joga a grande final, em partida única, no próximo dia 4 de maio.