A Federação Chinesa de Futebol cobrou dívidas de salários e bônus de 13 clubes da elite do país e os ameaçou de exclusão da Superliga, caso os pagamentos devidos não sejam realizados até meados de agosto, em mais um episódio das autoridades chinesas subindo o tom para tentar controlar as gastanças irreais dos últimos anos.

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As cobranças foram realizadas a todos os clubes da Superliga, menos Yanbian Funde, Henan Jianye e Guizhou Zhicheng. Isso inclui, portanto, o Shanghai Shenhua, de Tevez, dono do maior salário do mundo, o atual hexacampeão Guangzhou Evergrande, e o Shanghai SIPG, de Elkeson, Hulk e Oscar, além de cinco agremiações de divisões inferiores.

A carta emitida pela Federação Chinesa afirmava que esses clubes corriam risco de exclusão das competições de 2018 caso não resolvessem suas dívidas. “Esses clubes precisam prestar atenção urgente para o problema e resolver suas dívidas, antes de enviarem evidências para a Federação Chinesa. Os que não conseguirem resolver as dívidas ou perderem o prazo serão excluídos de qualquer liga profissional da China em 2018, de acordo com as diretrizes e exigências da CFA para clubes profissionais”, escreveu.

A Federação Chinesa agiu depois de uma cobrança similar da Confederação Asiática, que pediu a todas suas filiadas que investigassem quais clubes estariam com problemas financeiros e enviassem atualizações até 15 de agosto, com a intenção de “promover disciplina financeira”, entre os clubes do continente. A AFC assegurou que não se referiu especificamente à China, mas a todos os países sob sua influência.

No entanto, a China cobrou explicações de seus clubes e, por enquanto, as tem recebido.  Até agora, Guangzhou Evergrande, Beijing Guoan, Shandong Luneng, Shanghai Shenhua e SIPG negaram estarem com dívidas. Quatro deles admitiram pendências financeiras, mas pequenas, e não relacionadas a salários e bônus, como alegado pela Federação Chinesa.

De acordo com o South China Morning Post, o SIPG, de Hulk e Oscar, alegou que pagou tudo que estava atrasado em outubro do ano passado e enviou os certificados para a federação. O Shenhua, de Tevez, reconheceu que pode haver pendências do mecanismo de solidariedade nas contratações de atletas estrangeiros. “Neste momento, não podemos garantir que pagamos todas as taxas de solidariedade, porque um jogador, especialmente estrangeiro, pode ter jogado por muitos clubes, inclusive alguns pequenos, antes de chegar ao Shenhua. Podemos ter esquecido ou negligenciado um ou dois deles, inadvertidamente”, afirmou o secretário de imprensa do clube, Mr. Yue. “Não tem nada a ver com salários e bônus”.

O Shandong Luneng, de Diego Tardelli e Gil, explicou que pagou tudo que deveria, mas indicou que o problema seria não ter recebido os recibos das quantias depositadas para os clubes brasileiros envolvidos nas transações. O Beijing Guoan foi acusado de não ter pago a taxa de solidariedade para o Flamengo, na negociação com Renato Augusto, que chegou à China ano passado, mas o clube, em um comunicado, insistiu que realizou o pagamento em outubro de 2016 e que enviará os documentos para as autoridades. O Guangzhou Evergrande também culpou os mecanismos de solidariedade e garantiu ter os comprovantes dos pagamentos.

Os clubes tem mais ou menos 20 dias para comprovarem as suas alegações e que as cobranças foram de fato exageradas, mas as autoridades chinesas estão deixando bem claro a intenção de supervisar e controlar tudo de perto. Em janeiro, o governo acusou os clubes de “queimarem” dinheiro em jogadores estrangeiros em vez de investir no desenvolvimento de jovens, em busca de resultados de curto prazo. O número de estrangeiros permitidos caiu de quatro para três e foi imposta uma taxa de 100% em contratações, o que efetivamente dobra o valor pago pelas equipes.