Impossível dizer que a intertemporada já está a pleno vapor para os clubes holandeses. Afinal de contas, alguns clubes sequer viajaram para os destinos habituais destas duas semanas de pausa na Eredivisie. Com novidade na lateral esquerda (Nicolás Tagliafico, do Independiente) e novo técnico Erik ten Hag tendo pela frente o enorme desafio de manter a equipe firme na disputa pelo título mudando o que precisava ser mudado, o Ajax tomará o caminho do Algarve português neste fim de semana. A mesma coisa fará o PSV (que fez nova aposta latino-americana: o atacante argentino Maxi Romero, do Vélez Sarsfield), tendo como destino a Florida Cup – e os jogos contra Corinthians, na próxima quarta, e Fluminense, na próxima sexta. Ao Feyenoord, no balneário espanhol de Marbella, resta sonhar de novo com o retorno de Robin van Persie (o agente do atacante discute a rescisão do contrato com o Fenerbahçe, e a volta já é falada em Roterdã).

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Sendo assim, sem muito a falar, é melhor começar a tradicional avaliação do que as equipes fizeram no primeiro turno (e uma partida do returno, para ser preciso) dentro do Campeonato Holandês. Começando pelas equipes de baixo, região da tabela em que há a boa surpresa do VVV-Venlo, as possibilidades promissoras do Heracles Almelo… e várias equipes ruins. Algumas, ruins-mas-podem-melhorar, caso do Willem II; outras, ruins-mas-esforçadas, como o Twente; e ainda outras, quase-irremediavelmente-ruins, como Sparta Rotterdam e Roda JC. De todo modo, eis aqui a análise delas – que pode até ser o momento de menor audiência da coluna, mas sempre tem um ou outro caro e raro leitor a prestigiar este paciente colunista que viu essas equipes pelo menos três vezes.

VVV-Venlo 

Posição: 10º lugar, com 22 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols)

Técnico: Maurice Steijn

Time-base: Unnerstall; Rutten, Promes, Röseler e Roel Janssen; Van Bruggen, Ralf Seuntjens e Leemans; Van Crooij, Thy e Hunte

Artilheiro: Clint Leemans (atacante), com 7 gols

Destaques: Clint Leemans (meio-campista) e Lennart Thy (atacante)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Avaliação: Está certo que a equipe ainda pode melhorar na defesa. Todavia, os gols dos destaques e as boas atuações da defesa podem ajudar na permanência – e em coisa melhor

Após o título conquistado na segunda divisão e o consequente retorno à Eredivisie, esperava-se que o VVV obviamente sofresse para tentar manter seu lugar na primeira divisão. Afinal, o orçamento de um clube pequeno na Holanda já não é lá essas coisas – e o time ainda demoraria a se entrosar um bocado. Pois bem: 18 rodadas depois, a opinião já é mais otimista. O time aurinegro de Venlo mostra condições de manter certa regularidade e conseguir alcançar seu principal objetivo. Se tinha poucos reforços, Maurice Steijn apostou na continuidade.

Isso favoreceu a defesa, contando com o entrosamento de Moreno Rutten, Jerold Promes e Nils Röseler (e as elogiáveis atuações de um raro contratado, o goleiro Lars Unnerstall): levou 22 gols – marca razoável, considerando que o VVV tomou mais gols só do que os três grandes, AZ, Zwolle e Vitesse. Na parte ofensiva, outro contratado se destaca: Lennart Thy, mostrando rapidez como atacante e ajudando Clint Leemans a fazer os gols necessários (na criação das jogadas, Ralf Seuntjens merece menção). Assim, os Venlonaren conseguiram bons resultados, como um empate contra o Feyenoord. E apostam na maior firmeza que têm para resistirem à pressão no returno. Talvez até para ousarem coisas maiores.

Heracles Almelo

Posição: 11º lugar, com 22 pontos

Técnico: John Stegeman

Time-base: Castro; Breukers, Droste (Pröpper), Wuytens e Hardeveld; Pelupessy, Niemeijer e Jamiro; Kuwas, Vermeij (Gladon) e Peterson

Artilheiro: Brandley Kuwas (atacante), com 7 gols

Destaque: Brandley Kuwas (atacante)

Objetivo do início: vaga nos play-offs pela Liga Europa

Avaliação: Ainda é possível alcançar o objetivo inicial, porque os Heraclieden têm um meio-campo firme e um ataque promissor. Falta melhorar fora de casa e ter uma sequência positiva de resultados

Estrear na temporada já com um resultado histórico – 2 a 1 no Ajax, de virada, na primeira vitória sobre os Amsterdammers pelo Campeonato Holandês desde 1965 – aumentava a expectativa sobre o Heracles para a atual temporada. 17 rodadas depois, há uma notícia boa, e outra ruim. A negativa é que a equipe de Almelo ainda não cumpriu plenamente seu potencial. Fraqueja muito fora de casa – não por acaso, é a pior equipe da Eredivisie neste quesito (em nove partidas deixando Almelo, foram duas vitórias e sete derrotas). Além do mais, a defesa exibe fragilidades que colocam tudo a perder vez por outra. Exemplo disso foi a goleada sofrida para o AZ, na 15ª rodada, quando o goleiro Bram Castro falhou em pelo menos dois gols nos 5 a 0 da equipe de Alkmaar.

Mas a notícia boa é que, jogando no seu estádio, os Heraclieden compensam plenamente tais falhas: são a quarta melhor equipe, piores apenas do que PSV, Ajax e AZ. Além disso, no meio-campo, há jogadores que podem proteger mais a defesa, se mostrarem a velocidade com que chegam ao ataque (casos de Reuven Niemeijer e Jamiro Monteiro). E nos três da frente, não falta velocidade com Brandley Kuwas, nem gols – com o próprio Kuwas, além de Kristoffer Peterson. Assim, foi possível manter a proximidade da parte superior da tabela, o que ainda torna possível pensar nos play-offs por vaga na Liga Europa. Certo, a derrota na primeira partida do turno, para o adversário direto VVV-Venlo, foi inoportuna. Mas não faltam condições para o Heracles melhorar.

Excelsior

Posição: 12º lugar, com 21 pontos

Técnico: Mitchell van der Gaag

Time-base: Kristinsson; Karami, Mattheij, De Wijs e Massop; Faik, Koolwijk e Messaoud (Bruins); El Azzouzi (Hadouir), Van Duinen (Caenepeel) e Elbers

Artilheiro: Luigi Bruins (meio-campista), com 4 gols

Destaques: Hicham Faik (meio-campista) e Zakaria El Azzouzi (atacante)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Avaliação: Até que o Excelsior tem sido outra boa surpresa, com alguns jogadores técnicos e uma defesa menos frágil. Se atuar em casa como joga fora, e controlar eventual queda de desempenho, pode se salvar com facilidade ainda maior do que em 2016/17.

Havia algumas temporadas que o Excelsior sofria com a ameaça constante do descenso – ou da repescagem para defini-lo. Em 2014/15 e 2015/16, salvou-se nas últimas rodadas. Também foi assim na temporada passada, mas já houve uma indicação de que as coisas poderiam ser melhores: afinal, o time de Kralingen (periferia de Roterdã) conseguiu garantir a permanência na primeira divisão com algumas rodadas de antecedência. Certo, perdeu Nigel Hasselbaink, o herói da manutenção, antes da temporada. Mas tinha boa parte da base da edição passada do campeonato, e mantê-la poderia dar boa coisa. Pelo menos nesta primeira parte do campeonato, deu.

Na defesa, Khalid Karami voltou ao clube, dando técnica na lateral. No meio-campo, o capitão Ryan Koolwijk segue seguro, enquanto Hicham Faik dá a velocidade que os torcedores dos Kralingers já se acostumaram a ver no ataque, sejam quais forem os nomes: Zakaria El Azzouzi, Anouar Hadouir, Stanley Elbers, sem contar Mike van Duinen para finalizar. Serviu para uma campanha honrosa no turno – péssima em casa, é verdade (foi a pior equipe jogando no próprio estádio), mas boa o suficiente como visitante para estabilizar a equipe no meio da tabela, fazendo-a até sonhar com luta nos play-offs por vaga na Liga Europa. Se os resultados forem mais regulares no decorrer do returno, o Excelsior pode esperar (e batalhar por) coisa melhor no campeonato.

Groningen

Posição: 13º lugar, com 20 pontos

Técnico: Ernest Faber

Time-base: Padt; Te Wierik, Memisevic, Van Nieff e Warmerdam; Bacuna, Doan e Jenssen (Jesper Drost); Mahi, Van Weert (Jesper Drost) e Idrissi

Artilheiro: Mimoun Mahi (atacante), com 6 gols

Destaques: Sergio Padt (goleiro) e Mimoun Mahi (atacante)

Objetivo do início: vaga pelos play-offs na Liga Europa

Avaliação: Um time tão ágil no ataque quanto duvidoso na defesa – com exceção do goleiro – resulta numa campanha irregular. Resta ver até quando irá a paciência da torcida.

O guia para a atual temporada dizia que somente a sequência dela revelaria as reais perspectivas do time do norte holandês, já que era uma equipe tradicionalmente regular: nunca passava sufoco, mas também não dava a impressão de poder aspirar a coisa melhor. Pois bem: pelo menos por enquanto, se não chega a ser perigosa como as situações de Willem II, NAC Breda ou Twente, a posição dos Groningers não é confortável. E nem regular. Numa rodada, o time dá um salto para o meio da tabela e os play-offs por vaga na Liga Europa voltam a ser acessíveis; noutra, com derrota, o calor da zona de repescagem/rebaixamento volta a ser levemente sentido. Se a campanha em casa não é nada desprezível (sexta melhor equipe), fora de casa o Groningen é presa fácil (apenas na 14ª posição). Até mesmo vendo os destaques da equipe – e suas atuações na temporada -, a irregularidade salta aos olhos.

No ataque, Mimoun Mahi poderia muito bem estar num dos grandes holandeses, ou talvez até num centro maior, aposta da seleção marroquina que é. Porém, fora de campo seu comportamento já o levou a ser barrado por algumas rodadas (como também ocorreu com Oussama Idrissi). Ainda assim, o Groningen só não fez mais gols do que o Trio de Ferro e o AZ. Porém, a defesa não colabora: se há firmeza no setor, ela vem apenas do goleiro Sergio Padt, que continua como um dos melhores da posição na Eredivisie (a ponto até de ser convocado para a seleção holandesa, como terceiro goleiro). Às vezes, a torcida vê altos e baixos na mesma partida – como contra o PSV, na 16ª rodada, quando o time estava com 2 a 0 de desvantagem em apenas 16 minutos, ficou atrás em boa parte do jogo, para conseguir o empate em 3 a 3 no minuto final dos acréscimos. Além da dúvida se a melhora é possível, fica a pergunta sobre a paciência da torcida. Porque o Groningen pode mais.

Willem II

Posição: 14º lugar, com 16 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols)

Técnico: Erwin van de Looi

Time-base: Branderhorst (Wellenreuther); Lewis, Lachman, Heerkens, Van der Linden e Tsimikas; Rienstra, Chirivella e Haye (El Azzaoui); Fran Sol e Ogbeche

Artilheiro: Fran Sol (atacante), com 9 gols

Destaques: Fran Sol e Bartholomew Ogbeche (atacantes)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Avaliação: Eis um time com margem de evolução. Graças à boa qualidade dos atacantes, os Tricolores terminaram o turno melhores do que o NAC Breda, e podem subir mais.

Ao pé da letra, o Willem II talvez viva situação mais dramática do que o NAC Breda. Tem a mesma pontuação da equipe de Breda, só melhor pelo saldo de gols. Defesa mais vazada do campeonato (40 gols sofridos). Teve desempenho lamentável jogando em casa (só foi melhor do que o Excelsior). Viu algumas atuações promissoras terminarem em derrota – por exemplo, nas duas partidas feitas contra o Ajax: tanto no turno quanto no returno, começou ganhando mas tomou a virada. Então, por quê dizer que os Tricolores de Tilburg têm margem de evolução? Provavelmente, por causa do ataque da equipe.

Na primeira parte da temporada, Fran Sol vinha sendo sinônimo de gols, até o tumor testicular que forçou seu afastamento por algumas rodadas. Aí entrou Bartholomew Ogbeche: com cinco gols em quatro partidas na fase final do primeiro turno, o veterano nigeriano voltou a ser protagonista. De quebra, o meio-campo exibe algum entrosamento, entre Pedro Chirivella, Ben Rienstra e Thom Haye. E na defesa, Mattijs Branderhorst substitui bem no gol o alemão Timon Wellenreuther, barrado por problemas disciplinares. Já foi o suficiente para terminar fora da zona de rebaixamento. Se se arrumar na zaga e o ataque seguir ajudando, distanciar-se das últimas posições será mais fácil.

NAC Breda

Posição: 15º lugar, com 16 pontos

Técnico: Stijn Vreven

Time-base: Bertrams (Birighitti); Sporkslede, Meijers, Pablo Marí e Angeliño; Vloet, Manu García e Verschueren (Nijholt); Korte, Ambrose e El Allouchi

Artilheiro: Thierry Ambrose (atacante), com 6 gols

Destaques: Angeliño (lateral esquerdo) e Thierry Ambrose (atacante)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Avaliação: Continua muito difícil para o time de Breda ter alívio, por causa de vários problemas. A aposta segue em alguns talentos cedidos pelo parceiro Manchester City

Pelo esforço visto em campo, até que o NAC Breda mostrava uma equipe capaz de ficar no meio de tabela. Porém, a falta de qualidade técnica logo se impôs, com a equipe virando um membro quase fixo na incômoda região das três últimas posições da Eredivisie. Se servia de consolo, a parceria oficial com o Manchester City rendia empréstimos de bons jogadores, que mostram algum talento – casos principais são os destaques do time, Angeliño e Thierry Ambrose, além das presenças frequentes de Manu García e Giovanni Korte. Com isso, de vez em quando, era possível obter surpresas – uma delas, o assombroso 2 a 0 no Feyenoord, em pleno De Kuip.

Mas de nada adiantava promessas no ataque e no meio se a defesa punha tudo a perder. Principalmente no gol: Andries Noppert começou a temporada, sem agradar. O australiano Mark Birighitti foi comprado às pressas, e foi pior ainda. Assim, o turno terminaria com Nigel Bertrams… se ele não tivesse sido expulso e suspenso na derrota para o Twente. Com tanta fragilidade, nem é de se impressionar que haja resultados como o 8 a 0 sofrido para o Ajax (simplesmente a pior derrota em casa da história do clube na Eredivisie). Talvez por isso, Stijn Vreven tenha mudado o esquema para um 4-3-3, tentando aproveitar o que tem de bom sem que o ruim prejudique demais. É possível que dê certo. Basta os destaques jogarem bem. Além do time de Breda, o City agradeceria.

Twente

Posição: 16º lugar, com 15 pontos

Técnico: René Hake (até a 8ª rodada), Marino Pusic (interino, na 9ª e na 10ª rodada) e Gertjan Verbeek (desde a 11ª rodada)

Time-base: Brondeel (Drommel); Ter Avest, Bijen, Thesker, Hooiveld e Cuevas; Holla, Jensen e Lam (Liendl); Boere e Assaidi

Artilheiro: Oussama Assaidi (atacante), com 6 gols

Destaques: Stefan Thesker (defensor) e Oussama Assaidi (atacante)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Avaliação: Após atuações elogiáveis em 2016/17, enfim o Twente se vê às voltas com sua dura realidade: situação financeira difícil, time em dificuldades, luta contra o rebaixamento. Pelo menos, esforço não falta.

É o caso de dizer que se trata de “efeito retardado”. Após ser salvo do rebaixamento imposto pela federação holandesa, pela falta de saneamento financeiro após 2015/16, esperava-se que o Twente sofresse muito na temporada passada. Não sofreu: mesmo condenado a ficar três anos sem poder disputar competições europeias, o time de Enschede se valeu de um time jovem e veloz (e dos gols de Enes Ünal, é verdade) para conseguir um sétimo lugar honroso e surpreendente. Só que veio esta temporada, Ünal tomou o caminho do Villarreal… e a realidade esperada enfim chegou. Com onze derrotas nos 18 jogos disputados até agora, o Twente só perdeu menos no campeonato do que o lanterna Roda JC.

Além do mau desempenho fora de casa (sete derrotas), os Tukkers sofriam com uma defesa extremamente insegura, em que pesem o espírito de luta de Stefan Thesker na zaga, a relativa qualidade técnica de Fredrik Jensen no meio-campo e o esforço de Tom Boere no ataque. Foi demais para René Hake, demitido após a oitava rodada. E coube a Gertjan Verbeek voltar à Eredivisie com uma tarefa: melhorar a defesa. Até tentou, adotando um esquema com três zagueiros. Mas sem grandes resultados: o time chegou a sofrer oito gols em dois jogos (4 a 3 do PSV, na 11ª rodada, e 4 a 0 do Heerenveen). Ainda assim, a paciência da torcida segue, pelo esforço visto contra o Ajax (na liga, o empate em 3 a 3 buscado nos acréscimos; na copa nacional, a classificação nos pênaltis), por resultados promissores e pelo crescimento de Oussama Assaidi na frente. Quem sabe haja uma reação no segundo turno…

Sparta Rotterdam

Posição: 17º lugar, com 11 pontos

Técnico: Alex Pastoor (até a 17ª rodada), Dolf Roks (interino, na 18ª rodada) e Dick Advocaat (comandará a partir da 19ª rodada)

Time-base: Kortsmit; Holst, Breuer, Fischer e Floranus; Duarte, Sanusi e Dougall; Brogno (Goodwin), Proschwitz e Mühren

Artilheiro: Robert Mühren e Nick Proschwitz (atacantes), ambos com 3 gols

Destaque: Roy Kortsmit (goleiro)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Avaliação: Só o fato do goleiro ser, de longe, o mais destacado jogador do Sparta mostra como o clube sofrerá para evitar, no mínimo, a repescagem.

Após várias perdas de jogadores fundamentais para que o time se livrasse do rebaixamento em 2016/17 – dois exemplos são Mathias Pogba e Martin Pusic -, já se previa que o Sparta teria outra temporada na qual fugir das três últimas colocações seria o grande “troféu” a se buscar. E mesmo com o esforço dos jogadores dos “Kasteelheren” (“Donos do Castelo”, em referência a Het Kasteel, o estádio do clube), está difícil conseguir isso. E prova disso, para o bem e o mal, são as atuações do goleiro Roy Kortsmit. Muito acionado, Kortsmit sofreu grandes goleadas (um exemplo é o 4 a 0 do Ajax, e o outro já será citado), mas também exibiu capacidade e reflexos para, por exemplo, pegar cinco pênaltis em sequência no campeonato – só contra o AZ foram dois.

No ataque, Robert Mühren e Nick Proschwitz fazem o que podem. Mas a fragilidade defensiva levou a resultados como o doloroso 7 a 0 sofrido para o Feyenoord, rival citadino – cobrando o preço da demissão de Alex Pastoor. E após um jogo sob o interino Dolf Roks, caberá a um velho conhecido tentar dar jeito no time. Após tentar remediar a situação da seleção holandesa (sem sucesso), Dick Advocaat – que teve no Sparta boa passagem como jogador, entre 1980 e 1982 – aceitou o desafio que vem pela frente no returno. Não lhe falta experiência para acalmar os jogadores, claro. Mas caberá a eles, dentro de campo, se acertarem e ajudarem os destaques para evitar que o Sparta caia. Porque, atualmente, o Sparta só é superior ao Roda JC pelo jogo a menos que tem (contra o Vitesse, em 16 de janeiro, pela 15ª rodada, após cancelamento por neve).

Roda JC

Posição: 18º lugar, com 11 pontos (atrás por ter um jogo a mais do que o Sparta Rotterdam)

Técnico: Robert Molenaar

Time-base: Jurjus; Götz (Dijkhuizen), Kum, Ananou (Werker) e Vansteenkiste; Ndenge e El Makrini; Rosheuvel, Gustafson e Engels; Schahin

Artilheiro: Simon Gustafson (meio-campista), com 6 gols

Destaques: Hidde Jurjus (goleiro) e Simon Gustafson (meio-campista)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Avaliação: Há muitas temporadas sofrendo para evitar o rebaixamento, o Roda JC vive dificuldades, novamente. Será difícil escapar, com tanta fragilidade defensiva.

Faz pelo menos duas temporadas que o Roda JC vive a mesma rotina incômoda: atuações terríveis no primeiro turno, contratações a granel na pausa de inverno, e a salvação do rebaixamento no returno, a duríssimas penas. Pelo menos a primeira parte está “garantida”. O roteiro de um clube fadado ao rebaixamento foi seguido à risca: só em uma das dezoito rodadas, até agora, os Koempels ficaram fora da zona de repescagem/queda. Têm a pior defesa (40 gols sofridos, empatados com o Willem II). Fizeram a pior campanha do turno: última posição, com 11 pontos. E já começaram perdendo na 18ª rodada, a primeira do returno – aliás, sendo goleados (Feyenoord 5 a 1). Mesmo partidas em que há atuações razoáveis, como contra o Ajax, acabam resultando em goleadas sofridas.

Grande parte da culpa desse desempenho terrível recai na irregularidade da defesa. Seja por causa da indecisão do técnico Robert Molenaar (jogar no 4-2-3-1 ou no 4-3-3?), seja pela falta de qualidade técnica dos quatro escalados (já se tentou escalar muita gente em muitos lugares, sem sucesso), o fato é que o time de Kerkrade fracassa ao tentar conter os ataques adversários. Azar do único defensor a ter alguma qualidade: assim como Kortsmit no Sparta, Hidde Jurjus (emprestado pelo PSV) é daqueles goleiros que tomam muitos gols, mas também fazem ótimas defesas. E os esforços do ataque também são insuficientes: Simon Gustafson – cedido pelo Feyenoord – mostra talento na armação, Mikhail Rosheuvel e Dani Schahin se dedicam… até dá para conseguir algumas surpresas, como o 1 a 1 contra o Feyenoord no turno. Mas fica difícil conseguir conter a clara irritação da torcida, por ver outra temporada ruim. Ainda é possível escapar da queda, mas, de novo, será duro.