Jogadores do Benfica comemoram: o time voltou a ser campeão depois de quatro anos (AP Photo/Francisco Seco)

Balanço do Campeonato Português 2013/14: Benfica retoma o topo e Sporting renasce

Benfica campeão após três temporadas, Sporting voltando a brigar pelos primeiros lugares, Porto em crise. A temporada recém-encerrada do futebol português foi pródiga em emoções e algumas surpresas. Uma delas, positiva, foi o Rio Ave, finalista da Taça de Portugal e da Taça da Liga. A outra, negativa, ficou com o Paços de Ferreira, que de terceiro colocado na temporada passada passou a quase rebaixado. A competição foi a última com 16 clubes. A partir da próxima temporada, o Portuguesão passará a ter 18 equipes, entre elas o tradicionalíssimo Boavista. Confira abaixo um resumo do que cada time fez em 2013/14.

ACADÊMICA

Colocação final: 8º lugar, com 37 pontos (9v, 10e, 11d)

Treinador: Sérgio Conceição

Maior vitória: 3 x 0 Arouca (fora), 03/03/2014

Maior derrota: 0 x 4 Sporting (em casa), 24/08/2013

Artilheiro: Marcos Paulo (5 gols)

Competições europeias: não disputou

A Acadêmica esteve longe de empolgar, mas também não levou sustos na temporada do Campeonato Português. Sempre se mantendo no meio da tabela de classificação, os estudantes garantiram a permanência na primeira divisão com várias rodadas de antecedência. O time sofreu com seu ataque, que marcou apenas 25 gols na competição. Mais da metade dos gols anotados pelo artilheiro Marcos Paulo (três, de cinco) foram em cobranças de pênaltis.

AROUCA

Colocação final: 12º lugar, com 31 pontos (8v, 7e, 15d)

Treinador: Pedro Emanuel

Maior vitória: 3 x 0 Gil Vicente (fora), 22/12/2013

Maior derrota: 1 x 5 Sporting (em casa), 18/08/2013

Artilheiro: Roberto Rodrigo (6 gols)

Competições europeias: não disputou

Nos últimos 20 anos, o Arouca foi apenas o quarto time estreante na primeira divisão a não ser rebaixado logo na primeira temporada que disputa. É um motivo e tanto de comemoração para o clube, que passou o campeonato às voltas com problemas. No meio do certame, o técnico Pedro Emanuel só não foi demitido porque o elenco de jogadores bancou sua permanência. E no final precisou jogar em Aveiro, por causa de um desentendimento com a Prefeitura de Arouca sobre a utilização do Estádio Municipal.

BELENENSES

Colocação final: 14º lugar, com 28 pontos (6v, 10e, 14d)

Treinador: Lito Vidigal (antes, Mitchell van der Gaag até 5ª rodada e Marcos Paulo até 23ª rodada)

Maior vitória: 3 x 1 Vitória de Guimarães (em casa), 12/04/2014

Maior derrota: 0 x 3 Rio Ave (em casa), 18/08/2013

Artilheiro: Miguel Rosa (5 gols)

Competições europeias: não disputou

Quando o técnico angolano Lito Vidigal assumiu o Belenenses, a sete rodadas do final do campeonato, o time era um fortíssimo candidato ao rebaixamento. Mas três vitórias nas cinco rodadas finais fizeram os azuis reais respirarem aliviados e garantirem a permanência na elite. A importância de Lito na recuperação fica clara ao se notar que metade dos triunfos do Belenenses no campeonato aconteceu sob seu comando. Pior ataque da competição, o tradicional time da Cruz de Cristo levou susto aos torcedores e quase conviveu com uma tragédia (o treinador holandês Mitchell van der Gaag sofreu um ataque cardíaco no banco de reservas, na quinta rodada), mas, para o bem do futebol português, permanece entre os grandes.

BENFICA

Colocação final: Campeão, com 74 pontos (23v, 5e, 2d)

Treinador: Jorge Jesus

Maior vitória: 4 x 0 Rio Ave (em casa), 07/04/2014

Maior derrota: 1 x 2 Marítimo (fora), 18/08/2013; 1 x 2 Porto (fora), 10/05/2014

Artilheiro: Lima (28 gols)

Competições europeias: Liga dos Campeões (eliminado na fase de grupos) e Liga Europa (vice-campeão)

O técnico Jorge Jesus fez questão de deixar claro desde o início da temporada: o objetivo do Benfica era ser campeão nacional. Por isso, a eliminação precoce na Liga dos Campeões não abalou o elenco encarnado, que seguiu firme rumo à conquista que não acontecia há três anos – e que veio de maneira tranquila, a três rodadas do final. A temporada 2013/14, aliás, ficará para sempre marcada na memória dos benfiquistas. Além de ser campeão português, o clube levantou a Taça de Portugal e a Taça da Liga e ficou com o vice (de novo) da Liga Europa, mantendo a escrita de não ganhar competições internacionais. Fora de campo, o Benfica lamentou as mortes dos ídolos Eusébio e Coluna e viu seu estádio ser o palco da final da Liga dos Campeões.

BRAGA

Colocação final: 9º lugar, com 37 pontos (10v, 7e, 13d)

Treinador: Jorge Paixão (antes, Jesualdo Ferreira até 20ª rodada)

Maior vitória: 4 x 1 Olhanense (em casa), 29/11/2013; 4 x 1 Gil Vicente (em casa), 09/02/2014

Maior derrota: 0 x 3 Nacional (fora), 06/10/2013

Artilheiro: Felipe Pardo (7 gols)

Competições europeias: Liga Europa (eliminado nos playoffs)

A campanha do Braga no Campeonato Português foi a pior dos últimos 11 anos. Para se ter uma ideia do fracasso, é a primeira vez neste período que a equipe não se classifica para qualquer competição europeia. Reflexo das brigas políticas, que conturbaram o ambiente do clube. Nem mesmo Jesualdo Ferreira (responsável pela recuperação do Sporting na temporada passada) foi capaz de dar jeito na situação. Coube ao desconhecido Jorge Paixão comandar o time na reta final, mas sem causar qualquer empolgação nos torcedores. Não fossem os gols do colombiano Felipe Pardo, a situação poderia ter ficado ainda pior.

ESTORIL

Colocação final: 4º lugar, com 54 pontos (15v, 9e, 6d)

Treinador: Marco Silva

Maior vitória: 4 x 0 Olhanense (em casa), 01/03/2014

Maior derrota: 0 x 2 Vitória de Setúbal (em casa), 11/03/2013; 0 x 2 Vitória de Guimarães (em casa), 02/12/2013; 0 x 2 Benfica (fora), 09/03/2014

Artilheiro: Evandro (11 gols)

Competições europeias: Liga Europa (eliminado na fase de grupos)

Longe de ser encarado como uma surpresa, o Estoril conseguiu nesta temporada uma façanha ainda maior do que aquela obtida no campeonato passado. O time subiu uma posição e pode se orgulhar de ter superado a ausência de jogadores que foram fundamentais em 2012/13, como Steven Vitória, Jefferson, Licá, Carlos Eduardo, Luís Leal (negociados) e Sebá (contundido). A chave da boa campanha foi a força fora de casa. O Estoril conquistou nove de suas 15 vitórias longe de seus domínios. Como visitante, sofreu apenas 12 gols, marca alcançada apenas pelo campeão Benfica.

GIL VICENTE

Colocação final: 13º lugar, com 31 pontos (8v, 7e, 15d)

Treinador: João de Deus

Maior vitória: 2 x 0 Acadêmica (em casa), 18/07/2013; 2 x 0 Paços de Ferreira (fora), 09/03/2014

Maior derrota: 1 x 4 Braga (fora), 09/02/2014

Artilheiro: Diogo Viana (4 gols)

Competições europeias: não disputou

Para quem havia fechado o primeiro turno em oitavo lugar, a 13ª colocação foi decepcionante. O Gil Vicente só não correu sérios riscos de cair para a segunda divisão porque seus adversários na briga contra a degola eram bem piores. Mas a campanha ficou aquém do que havia sido planejado – o presidente Antonio Fiúza declarou, antes do campeonato, que o time terminaria a competição no meio da tabela. Os 11 jogos seguidos que passou sem vencer (somando apenas dois empates no período) foram cruciais para a má classificação final. De positivo, fica o destaque para o goleiro brasileiro Adriano Facchini, que mostrou serviço.

MARÍTIMO

Colocação final: 6º lugar, com 41 pontos (11v, 8e, 11d)

Treinador: Pedro Martins

Maior vitória: 4 x 2 Vitória de Setúbal (fora), 15/09/2013

Maior derrota: 0 x 3 Porto (fora), 25/08/2013

Artilheiro: Derley (16 gols)

Competições europeias: não disputou

A falta de um elenco um pouco mais experiente foi crucial para que o Marítimo não alcançasse ao menos o quinto lugar, que lhe daria vaga na Liga Europa da próxima temporada. Ainda assim, é elogiável o trabalho feito pelo técnico Pedro Martins, que encerrou seu ciclo de cinco anos no clube com uma campanha consistente. O Marítimo foi bem, especialmente dentro de casa – onde ganhou de Porto e Benfica. Mas, longe de seus domínios, obteve apenas duas vitórias, índice muito baixo para quem briga pelas primeiras posições. Individualmente, o destaque foi o atacante Derley, vice-artilheiro do campeonato.

NACIONAL

Colocação final: 5º lugar, com 45 pontos (11v, 12e, 7d)

Treinador: Manuel Machado

Maior vitória: 5 x 0 Paços de Ferreira (fora), 19/04/2014

Maior derrota: 0 x 3 Vitória de Setúbal (fora), 06/04/2014

Artilheiro: Mario Rondón (12 gols)

Competições europeias: não disputou

Pela quinta vez em sua história, o Nacional da Madeira vai disputar um torneio continental. O quinto lugar no Campeonato Português deu à equipe a vaga nos playoffs da Liga Europa. Para tanto, foi fundamental a incrível sequência de 13 partidas sem perder na competição. Nem mesmo o fato de ser o rei dos empates no Portuguesão (foram 12, ao todo) prejudicou o Nacional, que mostrou equilíbrio dentro e fora de casa. Ponto positivo ainda para o venezuelano Mario Rondón, autor de 28% dos gols do time no campeonato.

OLHANENSE

Colocação final: 16º lugar, com 24 pontos (6v, 6e, 18d)

Treinador: Giuseppe Galderisi (antes, Abel Xavier até 8ª rodada e Paulo Alves até 14ª rodada)

Maior vitória: 2 x 1 Vitória de Setúbal (em casa), 12/07/2014; 2 x 1 Gil Vicente (em casa), 23/02/2014; 2 x 1 Rio Ave (fora), 12/04/2014; 2 x 1 Porto (em casa), 04/05/2014

Maior derrota: 0 x 4 Porto (fora), 20/12/2013; 0 x 4 Estoril (fora), 01/03/2014

Artilheiro: Dionisi (8 gols)

Competições europeias: não disputou

O que começa errado tem tudo para acabar errado. O velho ditado aplicou-se perfeitamente ao Olhanense, pior time do Campeonato Português e rebaixado à segunda divisão após cinco temporadas na elite. Entregue a um grupo de investidores italianos, o clube optou pelo folclórico Abel Xavier, que nunca havia sido treinador, como técnico. A aventura durou apenas oito rodadas. Depois da má passagem de Paulo Alves, o italiano Giuseppe Galderisi chegou para tentar consertar a casa, mas já não havia tempo. O Olhanense também gastou errado e contratou 30 jogadores. A conseqüência da má administração veio com a queda para a segunda divisão.

PAÇOS DE FERREIRA

Colocação final: 15º lugar, com 24 pontos (6v, 6e, 18d)

Treinador: Jorge Costa (antes, Costinha até 8ª rodada e Henrique Calisto até 20ª rodada)

Maior vitória: 3 x 1 Olhanense (em casa), 05/02/2014; 3 x 1 Marítimo (em casa), 02/03/2014; 3 x 1 Arouca (em casa), 23/03/2014

Maior derrota: 0 x 5 Nacional (em casa), 19/04/2014

Artilheiro: Bebê (11 gols)

Competições europeias: Liga dos Campeões (eliminado no playoff) e Liga Europa (eliminado na fase de grupos)

O Paços de Ferreira deve agradecimentos eternos à ampliação do Campeonato Português, que passará a ter 18 equipes a partir da próxima temporada. Só por isso, o time teve a chance de disputar o playoff do rebaixamento, derrubar o Desportivo das Aves e se garantir na primeira divisão de 2014/15. A penúltima colocação no campeonato, com direito ao status de pior defesa, foi uma queda vertiginosa e brutal para quem, no ano passado, havia terminado em terceiro lugar. Parte do vexame se explica pela saída de toda a comissão técnica e de 14 jogadores, sendo sete titulares. Outra parte pode ser atribuída à postura da diretoria, que se preocupou mais na reforma do estádio – para receber jogos europeus – do que com a formação do elenco.

PORTO

Colocação final: 3º lugar, com 61 pontos (19v, 4e, 7d)

Treinador: Luís Castro (antes, Paulo Fonseca até 21ª rodada)

Maior vitória: 4 x 0 Olhanense (em casa), 20/12/2013

Maior derrota: 0 x 2 Benfica (fora), 12/01/2014

Artilheiro: Jackson Martínez (20 gols)

Competições europeias: Liga dos Campeões (eliminado na fase de grupos) e Liga Europa (eliminado nas quartas de final)

O título conquistado de maneira emocionante na temporada passada parece ter varrido para debaixo do tapete todos os problemas do Porto. Mas eles voltaram com tudo e mostraram um time sem a mesma força dos últimos anos. A marca de sete derrotas no campeonato só é superada pela temporada 2001/02, quando os dragões foram derrotados oito vezes. A mudança de técnico no meio da competição e a aposta no treinador da equipe B (Luís Castro) apenas para finalizar o campeonato mostraram como o Porto queria mais era que a temporada acabasse logo.

RIO AVE

Colocação final: 11º lugar, com 32 pontos (8v, 8e, 14d)

Treinador: Nuno Espírito Santo

Maior vitória: 3 x 0 Belenenses (fora), 18/08/2013

Maior derrota: 0 x 4 Benfica (em casa), 07/04/2014

Artilheiro: Ukra (4 gols)

Competições europeias: não disputou

As boas campanhas nas taças domésticas foram a marca do Rio Ave nesta temporada. A equipe chegou à final tanto da Taça de Portugal quanto da Taça da Liga (em ambas, acabou caindo perante o Benfica). Com o risco do rebaixamento completamente afastado, o técnico Nuno Espírito Santo passou a poupar seus titulares no Campeonato Português, já que as coisas iam muito bem nos torneios eliminatórios. Assim, a 11ª colocação na competição nacional nem é de se lamentar, embora o fato de ter vencido apenas duas vezes em casa sirva de alerta para a próxima temporada.

SPORTING

Colocação final: Vice-campeão, com 67 pontos (20v, 7e, 3d)

Treinador: Leonardo Jardim

Maior vitória: 5 x 1 Arouca (em casa), 18/08/2013

Maior derrota: 1 x 3 Porto (fora), 27/10/2013

Artilheiro: Fredy Montero (13 gols)

Competições europeias: não disputou

Via de regra, um clube do tamanho do Sporting não deve comemorar um vice-campeonato. Mas, desta vez, ter finalizado o Campeonato Português em segundo lugar é, sim, motivo de festa para os leões. Basta lembrar que na temporada passada o time fez a pior campanha de sua história e esteve inclusive às voltas com o rebaixamento. Agora sob o comando de Leonardo Jardim, não foi páreo para o Benfica, mas ficou à frente do rival Porto e garantiu o retorno à Liga dos Campeões. Méritos também para o polêmico presidente Bruno de Carvalho, que está colocando a casa em ordem. Mas que precisa parar de atrapalhar o time com suas declarações inoportunas.

VITÓRIA DE GUIMARÃES

Colocação final: 10º lugar, com 35 pontos (10v, 5e, 15d)

Treinador: Rui Vitória

Maior vitória: 3 x 0 Acadêmica (em casa), 21/12/2013

Maior derrota: 0 x 3 Braga (fora), 10/01/2014

Artilheiro: Marco Matias (6 gols)

Competições europeias: Liga Europa (eliminado na fase de grupos)

A conquista da Taça de Portugal, na temporada passada, criou no torcedor do Vitória de Guimarães a expectativa de uma temporada promissora. Mas a dura realidade seria outra. O time se manteve no meio da tabela de classificação por todo o campeonato e pouco deu esperanças de fazer algo melhor. A vitória na última rodada (1 a 0 sobre o Braga) quebrou uma sequência de dez jogos sem vencer que, não por acaso, ocasionou a fúria da torcida.

VITÓRIA DE SETÚBAL

Colocação final: 7º lugar, com 39 pontos (10v, 9e, 11d)

Treinador: José Couceiro (antes, José Mota até 7ª rodada)

Maior vitória: 4 x 0 Paços de Ferreira (em casa), 23/02/2014

Maior derrota: 0 x 4 Sporting (fora), 05/10/2013

Artilheiro: Rafael Martins (15 gols)

Competições europeias: não disputou

Não tivesse empatado três dos últimos cinco jogos, o Vitória de Setúbal poderia ter brigado para valer por uma vaga na Liga Europa. Mas, ainda assim, os sadinos têm motivos para comemorar. Os 39 pontos conquistados nesta temporada superam de longe os 26 do campeonato passado, quando o time foi apenas o 12º colocado. O 15 gols de Rafael Martins e a competência do técnico José Couceiro ajudaram bastante no feito.