Argentina Brazil Soccer Copa Libertadores

Balanço da fase de grupos da Libertadores

A fase de grupos da Copa Libertadores da América 2014 foi uma das mais emocionantes dos últimos tempos e os feitos históricos comprovam isso. Foi a primeira vez que três brasileiros caíram nesta etapa. Desde 1997 não avançavam dois bolivianos às oitavas. O 5 a 4 do Independiente del Valle foi o jogo com mais gols marcados desde 2006. Fora as viradas de placar, as defesas tirando tudo que vinha pela frente e os frangos e mancadas dos zagueiros e goleiros trapalhões.

>>> Confira a cobertura completa da Trivela na Libertadores

Em meio a tudo isso, destacamos alguns momentos que valem a pena ser relembrados.

Grupo 1

Brazil Argentina Soccer Copa Libertadores

Equipes: Atlético-PR, The Strongest, Universitario, Vélez,
Classificados: Vélez Sarsfield e The Strongest
O cara do grupo: Turu Flores, técnico do Vélez Sarsfield e um dos responsáveis por levar o time à melhor campanha desta fase
A decepção: Atlético Paranaense
O momento: Adriano volta a balançar as redes após mais de dois anos. O atacante não fez quase nada no torneio, mas o gol contra o The Strongest foi simbólico. O Imperador se aplicou, trabalhou para jogar e foi às redes.

A fama e fase dos times desenhava uma disputa polarizada entre Vélez e Atlético Paranaense pela primeira vaga no grupo 1. E até certo ponto foi isso o que aconteceu. O problema é que o Vélez foi bem superior nos dois confrontos diretos contra os brasileiros, vencendo por 2 a 0 e 3 a 1, o que permitiu o avanço do The Strongest, vencedor dos dois jogos contra as forças do grupo. Resultado: o Vélez foi a La Paz na segunda rodada sabendo que poderia se recuperar, enquanto o Furacão foi com a corda no pescoço batalhar na altitude.

>>> O novo milagre não veio e o Furacão caiu na Libertadores com suas limitações escancaradas

Batalhar mesmo. O futebol passou longe da atuação do CAP, que ficou merecidamente pelo caminho depois de fazer cera, reclamar da arbitragem e se defender muito mal. Quanto ao The Strongest… Os efeitos da altitude de La Paz são inegáveis na classificação, afinal 9 dos 10 pontos foram trazidos de lá, mas é necessário ver que o Tigre jogou bola também. E o Vélez? O Vélez que parecia acabado após a derrota para a Ponte Preta na Copa Sul-Americana ressurge com a segurança defensiva de quem levou apenas um gol no torneio e a qualidade no ataque de Lucas Pratto, Mauro Zárate e até Roberto Nanni.

Grupo 2

Argentina Brazil Soccer Copa Libertadores

Equipes: Botafogo, Independiente del Valle, San Lorenzo e Unión Española
Classificados: Unión Española e San Lorenzo
O cara do grupo: Gustavo Canales, que com suas boas atuações dentro da área e nas cobranças de pênaltis carregou a Unión à próxima fase.
A decepção: O Botafogo, que abriu mão do Carioca para ficar cruzando bola para El Tanque Ferreyra na Libertadores.
O momento: Ignacio Piatti recebe na frente, fica cara a cara com Jefersson e manda a bola pras redes. Ela bate no travessão e entra, causando o furor do estádio Nuevo Gasômetro e a classificação do San Lorenzo às oitavas.

Dadas as campanhas no segundo semestre de 2013, o San Lorenzo tinha potencial para nadar de braçada no grupo, enquanto Unión Española e Botafogo brigariam pela segunda vaga. Afinal de contas, os argentinos eram os atuais campeões do torneio nacional e mostravam consistência e qualidade invejáveis. Acontece que a troca do técnico Juan Pizzi por Edgardo Bauza demorou a ser assimilada pelos atletas.

>>> Faltou sanidade na miraculosa classificação do San Lorenzo

Na primeira rodada, por exemplo, o San Lorenzo não deu nem pro cheiro e perdeu do Botafogo no Maracanã. Depois fez um 1 a 0 sofrível contra o Independiente del Valle e empatou com a Unión Española em casa. Tivesse o Botafogo aproveitado as chances de matar os chilenos, o San Lorenzo dificilmente chegaria à última partida com tamanha gana de ganhar. Pois bem, com o Independiente del Valle tirando pontos de todos os times, a última rodada foi uma das mais emocionantes da história do torneio, com a classificação mudando de mãos a todo momento em meio ao absurdo 5 a 4 do del Valle contra a Unión Española no Chile.

Resumo da obra: o centroavante Canales, ex-La U, carregou a Unión Española nas costas com quatro gols e boas atuações. A torcida do San Lorenzo, inflamada pela perspectiva de voltar a Boedo, o terreno onde ficava o velho estádio da equipe, empurrou os cuervos. O Independiente del Valle ficou a um gol de conseguir ir às oitavas já na sua primeira participação na Libertadores, enquanto o Botafogo… Bem. Faltou alguém assumir algo.

Grupo 3

APTOPIX Paraguay Argentina Soccer Copa Libertadores

Equipes: Cerro Porteño, Deportivo Cali, Lanús e O’Higgins
Classificados: Cerro Porteño e Lanús
O cara do grupo: Farid Mondragón, que aos 42 anos disse ter feito sua última partida como profissional na derrota do Cali para o Cerro Porteño. O atleta vai à Copa do Mundo, mas dificilmente jogará.
A decepção: A arbitragem do brasileiro Wilton Sampaio, que marcou um pênalti absurdo contra o Lanús, que poderia ter acabado com a campanha dos argentinos.
O momento: No referido pênalti, aos 40 minutos do segundo tempo, o O’Higgins tinha a chance de marcar e avançar às oitavas de final. Mas… Eis que Marchesin, de atuação impecável fez o impossível uma vez mais e defendeu a cobrança.

>>> Só a Libertadores para ter um gol tão sensacional como este

O grupo 3 reunia os campeões do Paraguai e do Chile, o vencedor da última Sul-Americana e o vice-campeão da Colômbia. Os predicados e equilíbrio entre as equipes sugeriam emoções até o fim e elas vieram. O Lanús, porém, titubeou demais no início da campanha e levantou diversas dúvidas sobre o potencial dos argentinos, que só conseguiram a primeira vitória na competição na quarta rodada contra o Deportivo Cali. Enquanto isso o O’Higgins mostrava um futebol de muita aplicação tática, mas pouca efetividade e, apesar de fechar o primeiro turno, com 5 pontos, só conseguiu mais dois na segunda metade da competição. O Deportivo Cali, por sua vez, foi uma incógnita. Das vitórias contra o Cerro e Lanús, o time passou à derrota e empate com o O’Higgins e na última rodada tomou a virada dos paraguaios. Paraguaios que foram o time mais constante do grupo. Armado quase sempre no 4-4-2, o Cerro Porteño de Arce mostrou competência e a qualidade de valores individuais como Julio dos Santos, Mathias Corujo e Dani Güiza para decidir a parada.

Grupo 4

Brazil Colombia Soccer Copa Libertadores

Equipes: Atlético-MG, Nacional, Santa Fe e Zamora
Classificados: Atlético-MG e Nacional
O cara do grupo: Juan Falcón, que fez quatro gols e manteve o Zamora com chances de classificação e que se tornou em 2014 o maior artilheiro da história do clube de Barinas.
A decepção: O Santa Fe, que de semifinalista no ano passado passou a eliminado na primeira fase com quase a mesma base e mesmo técnico.
O momento: Victor fecha o gol do Atlético em Bogotá, relembra os momentos da conquista em 2013 e garante o Galo na próxima fase.

>>> O Atlético-MG classificou, mas o legal é ver as defesas de Victor

Foi um dos grupos menos emocionantes da Copa Libertadores de 2014. O Atlético Mineiro conseguiu os resultados que queria, mas passou mais sufoco do que imaginava e precisava diante de Nacional e Zamora. O Santa Fe fez um desempenho muy muy flojo, sem intensidade e sem competência para pleitear qualquer coisa, enquanto o Zamora se superou para chegar à última rodada ainda com chances de classificar. Vale lembrarmos que na Libertadores de 2012 o time de Barinas fez apenas um ponto no grupo que tinha Boca e Flu. Já o Nacional do Paraguai rompeu a sina de ser um time que apenas participa da Libertadores e jogou bola o suficiente para se classificar. Mesmo levando o jogo com o Atlético para Ciudad del Este, a equipe de Gustavo Morínigio levou o torneio a sério e com garra e competência buscou dois empates com o Galo e uma virada contra o Santa Fe.

Grupo 5

Brazil Chile Soccer Copa Libertadores

Equipes: Cruzeiro, Defensor Sporting, Real Garcilaso e Universidad de Chile
Classificados: Defensor Sporting e Cruzeiro
O cara do grupo: De Arrascaeta. O meia de 19 anos não se intimidou diante do poderoso Cruzeiro e ao lado de Felipe Gedoz levou La Violeta às oitavas de final
A decepção: A Universidad de Chile e seu futebol frouxo na defesa e incompetente no ataque. Os gols marcados vieram em sua maioria de faltas e escanteios.
O momento: Aos 47 do segundo tempo o Defensor Sporting parece conformado com a derrota para o Cruzeiro. Só parece. A equipe vai tocando a bola sem pressa até achar a infiltração de um zagueiro e avançar com velocidade para empatar o jogo e calar o Mineirão.

>>> A vingança veio na bola, e agora a Libertadores começa de novo para o Cruzeiro

Pelo currículo era para o Cruzeiro atropelar e copar o grupo 5 sem dificuldades. O time celeste é o atual campeão da liga de maior poderio econômico, mas não fez isso valer contra os limitados times do Defensor Sporting e do Real Garcilaso. No Peru, a equipe mostrou que colocar os nervos no lugar seria difícil e perdeu de virada. Depois, venceu uma fraca Universidad de Chile e emendou uma derrota e um empate com o Defensor Sporting. A sorte dos cruzeirenses, que quase deram adeus ao torneio continental, foi que a vaga ficou para ser decidida contra La U, mesmo que em Santiago. Ali o Cruzeiro fez uma atuação digna e conseguiu voltar ao páreo. A Universidad de Chile, por sua vez, mostrou um futebol ofensivo e inefetivo, com o qual fez seis gols e tomou nove, sendo a maior parte dos tentos marcados frutos de bola parada. Já o Defensor mostrou saber exatamente o que faz com a bola em todos os momentos. A equipe uruguaia tem fragilidades técnicas, mas sabe como contra-atacar com Gedoz e De Arrascaeta. O Garcilaso, por sua vez, esteve longe do futebol intenso e aplicado que o levou às quartas de final no ano passado.

Grupo 6

Colombia Brazil Soccer Copa Libertadores

Equipes: Atlético Nacional, Grêmio, Nacional e Newell’s Old Boys
Classificados: Grêmio e Atlético Nacional
O cara do grupo: Enderson Moreira. Em quatro meses de Grêmio o treinador foi capaz de transformar um tricolor pálido, que só se defendia, em uma equipe envolvente que sabe propor e deixar o jogo para o adversário quando precisa.
A decepção: O Nacional do Uruguai, que com um ponto conquistado fez a sua pior campanha na história da Libertadores.
O momento: Aos 46 do segundo tempo, quando o Coloso del Parque estava em festa e o Grêmio parecia fadado à derrota, o zagueiro Rhodolfo cabeceia e marca o empate do tricolor gaúcho contra o Newell’s Old Boys.

Grupo da morte. A alcunha era válida, mas o Grêmio pareceu ignorá-la e avançou com uma facilidade supreendente. O Nacional do Uruguai deu uma facilitada na missão gremista, mas o fato é que o técnico Enderson Moreira conseguiu implementar ideias novas de jogo sem perder o espírito copeiro do tricolor no ano passado. A equipe só não venceu o Newell’s Old Boys, mas conseguiu dois triunfos contra o Atlético Nacional. Os colombianos, aliás, oscilaram na disputa da Libertadores, mas foram premiados na última rodada com uma atuação quase perfeita em Rosário diante do Newell’s Old Boys. O trabalho de Juan Osorio no continente, porém, ainda precisa melhorar muito se os verdolagas almejam passar pelo Galo.

>>> O sonho de Trezeguet e o espírito do Nacional mostram bem o que é a Libertadores

Quanto ao Newell’s, o grupo era difícil, mas a queda de desempenho em relação a 2013 foi muito grande. Alfredo Berti em poucos momentos teve a capacidade de emular os leprosos do ano passado e a insegurança defensiva deu o tom. Já o Nacional… Nacional, Nacional… Pra quem chegou a priorizar o campeonato uruguaio quando ainda tinha chances de classificar, a eliminação é muito merecida.

Grupo 7

Bolivia Ecuador Soccer Copa Libertadores

Equipes: Bolívar, Emelec, Flamengo e León
Classificados: Bolívar e León
O cara do grupo: O técnico Xabier Azkargorta, que abandonou a seleção boliviana para pegar o Bolívar no meio da campanha e levá-lo à liderança da chave
A decepção: Emelec. A equipe equatoriana não está entre as melhores do continente, mas vinha fazendo campanhas consistentes desde 2012. Desta vez, porém, chafurdou na própria incompetência.
O momento: Aos 27 do segundo tempo, Ricardo Pedriel domina dentro da área e fuzila a meta do goleiro Felipe. Era o gol de empate do Bolívar, o gol que permitiu que a equipe fosse a primeira no grupo.

Não havia dúvidas de que o grupo do Flamengo era difícil, mas certamente era difícil imaginar que o Bolívar seria o fiel da balança. A equipe de La Paz mandou no grupo. Foram 11 pontos em seis jogos, sendo sete conquistados em casa. Os quatro restantes vieram da vitória contra o León no México, uma grande façanha, e do empate com o Flamengo em um Maracanã lotado. Um momento é chave para entender a retomada do clube boliviano: a troca de Vladimir Soria por Xabier Azkargorta. Para quem não sabe, o espanhol Azkargorta foi o responsável por levar a Bolívia à Copa do Mundo de 1994 e fazia um trabalho de recuperação com La Verde em mais uma passagem pelo escrete.

>>> O êxtase do Maracanã foi inútil: outra vez o Flamengo decepciona na Libertadores

Quanto ao León, a equipe mostrou competência e qualidade individual nas figuras de Boselli, Luis Montes e Arizala e um estilo de jogo capaz de mesclar velocidade com bola aérea forte. O Emelec, por sua vez, foi uma decepção. A equipe manda no futebol equatoriano, mas não conseguiu atingir seu potencial uma única vez nesta Libertadores. Muitos problemas defensivos minaram as chances dos Eléctricos. O Flamengo… Bem, o Flamengo parecia jogar outra coisa e não Copa Libertadores.

Grupo 8

APTOPIX Mexico Uruguay Soccer Copa Libertadores

Equipes: Arsenal, Deportivo Anzoátegui, Peñarol e Santos Laguna
Classificados: Santos Laguna e Arsenal
O cara do grupo: Darwin Quintero. Dois gols e cinco assistências fizeram do colombiano de 27 anos e 1,65 m de altura um dos melhores atletas desta primeira fase.
A decepção: O Peñarol, que ganhou apenas um jogo e que nunca soube exatamente como jogar.
O momento: Arsenal e Peñarol entraram em campo concentradíssimos para ganhar e seguir com chances na Libertadores. Aos 3 minutos de jogo um chutão de longa distância bate na canela do goleiro Castillo e Furch faz o gol dos argentinos. Emblemático para o Peñarol.

O poderio teórico do Santos Laguna foi comprovado dentro de campo. A equipe mexicana levou a disputa da Libertadores à sério e com um futebol ofensivo, de toque de bola e aplicação tática nadou de braçada no grupo 8. O único momento fora da curva foi a derrota para o Arsenal por 3 a 0 na última rodada da fase de grupos. Arsenal, aliás, que por mais que seja “o time do Grondona” faz mais uma boa campanha continental. Na Libertadores do ano passado o time esteve muito próximo de avançar no grupo de São Paulo e Atlético Mineiro e desta vez o técnico Gustavo Alfaro conseguiu. O futebol está longe de empolgar, mas o time é aplicado e sabe se defender.

O Deportivo Anzoátegui lutou bravamente para exceder seu potencial, mas não conseguiu. De bom, a equipe pode levar os dois empates conquistados contra o Peñarol. Peñarol que nunca engrenou de fato na competição. O técnico Jorge Fossati deu muitas desculpas para o desempenho ruim, mas o fato é que nem mesmo a ideia de jogo dos carboneros esteve clara nestes seis jogos.

SELEÇÃO DA PRIMEIRA FASE DO TORNEIO

Chile Argentina Soccer Copa Libertadores

Marchesin (Lanús)
—————-
Maxi Velázquez (Lanús)
Rhodolfo (Grêmio)

Sebá Dominguez (Vélez)
Wendel (Grêmio)
—————–
Ramiro (Grêmio)

Montes (León)
De Arrascaeta (Defensor)
—————–
Darwin Quintero (Santos Laguna)

Gustavo Canales (Unión Española)
Lucas Pratto (Vélez Sarsfield)

Leia também

>>> A Fox Sports fez uma campanha bem legal contra o racismo no jogo do Cruzeiro

>>> Os sete Maracanazos da Copa Libertadores

>>> A Libertadores terá as oitavas mais MÍSTICAS da história: o Nacional Querido avançou