Depois de duas semanas de pausa, o Campeonato Italiano retorna neste domingo (21). Aproveitamos o recesso invernal para fazer o nosso tradicional balanço do primeiro turno e, agora, entregamos a segunda parte do dossiê, com as análises de mais 10 equipes. Veja o que está acontecendo no topo da tabela da Serie A, mas não esqueça de conferir também como os times da parte baixa estão se saindo. Boa leitura!

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Torino

Andrea Belotti, do Torino (Foto: Getty Images)

10ª posição. 20 jogos, 28 pontos. 6 vitórias, 10 empates, 4 derrotas. 28 gols marcados, 27 sofridos.
Maior sequência positiva: seis jogos sem perder
Maior sequência negativa: cinco jogos sem vencer
Time-base: Sirigu; De Silvestri, N’Koulou, Moretti (Burdisso), Molinaro (Ansaldi); Baselli, Rincón; Niang, Falque, Ljajic; Belotti.
Treinadores: Sinisa Mihajlovic (até a 19ª rodada) e Walter Mazzarri (desde então)
Destaque: Andrea Belotti, atacante
Artilheiro: Iago Falque, com 8 gols
Garçons: Adem Ljajic, Cristian Ansaldi e Iago Falque, com 2 assistências
Decepção: Umar Sadiq, atacante
Expectativa: Vaga na Liga Europa

Já vá marcando a coluna do meio, cara leitora e caro leitor: nenhum time empatou mais nesta Serie A do que o Torino, que ficou em igualdade em 10 partidas nesta temporada. Sem conseguir fazer o time engrenar mesmo após ter recebido reforços, o técnico Mihajlovic acabou não resistindo e foi demitido após a eliminação nas quartas de final da Coppa Italia, entre a 19ª e a 20ª rodadas. Recém-chegado, Mazzarri superou logo de cara um desafio que o sérvio não conseguiu solucionar em um ano e meio de Turim: vencer uma partida sem que Belotti estivesse em campo.

A bem da verdade, até mesmo com o Galo no onze inicial estava difícil para o Torino somar pontos. A fase do centroavante não é das melhores, embora ele ainda seja a principal esperança grená, e uma lesão no joelho sofrida em outubro não só lhe tirou de ação por um mês como também reduziu o nível de suas atuações dali em diante. Ainda que os outros principais jogadores ofensivos do time venham fazendo uma temporada regular, a falta de gols de Belotti influencia diretamente na média de bolas na rede da equipe: se em 2016-17 foi de 1,87/jogo, em 2017-18 é de 1,4. No entanto, se o ataque rende menos que em outros tempos, o grande pecado de Mihajlovic foi não acertar a defesa enquanto ocupou o cargo: o Toro só não sofreu gols em cinco partidas neste ano. Melhorar estes números também será tarefa de Mazzarri, que estreou com um 3 a 0 inapelável contra o Bologna.

Fiorentina

Federico Chiesa, da Fiorentina (Photo by Gabriele Maltinti/Getty Images)

9ª posição. 20 jogos, 28 pontos. 7 vitórias, 7 empates, 6 derrotas. 29 gols marcados, 21 sofridos.
Maior sequência positiva: oito jogos sem perder
Maior sequência negativa: cinco jogos sem vencer
Time-base: Sportiello; Laurini, Pezzella, Astori, Biraghi; Benassi, Badelj, Veretout; Chiesa, Simeone, Théréau.
Treinador: Stefano Pioli
Destaque: Federico Chiesa, atacante
Artilheiro: Giovanni Simeone, com 7 gols
Garçom: Cyril Théréau, com 4 assistências
Decepção: Vitor Hugo, zagueiro
Expectativa: Vaga na Liga Europa

Para a torcida da Fiorentina, estar na briga por uma vaga na Liga Europa neste momento é um alívio. A temporada começou recheada de incertezas; fato gerado por uma mudança radical no elenco: a diretoria vendeu grande parte dos titulares e demorou para contratar novos nomes. Com uma base formada por apenas três jogadores que eram utilizados frequentemente em 2016-17, Pioli conseguiu dar padrão de jogo ao time com relativa rapidez e formou uma equipe competitiva, que dá trabalho aos adversários mais bem colocados na tabela. O time toscano ainda empata muito, mas tem agradado, no geral.

Em seus primeiros meses de trabalho, Pioli conseguiu escolher um grupo de titulares que quase não muda: o treinador utilizou apenas 23 atletas na competição e, com exceção, dos 11 citados na escalação acima, o jogador com mais tempo em campo é Gil Dias, com apenas 712 minutos. Enquanto Chiesa e Simeone são dois dos sub-23 que mais participam de gols na temporada italiana, o veterano Théréau e o útil reserva Babacar mantêm a boa média de tentos anotados pelos homens de frente da viola. O setor mais interessante da equipe, no entanto, é o meio-campo: Benassi e Veretout incorporaram os papeis de Borja Valero e Vecino, negociados com a Inter, e fazem um trio de qualidade e potência física juntamente a Badelj, um dos remanescentes das campanhas anteriores. Vale ficar de olho na Fiorentina durante o returno da Serie A.

Udinese

Kevin Lasagna, da Udinese (Photo by Mario Carlini / Iguana Press/Getty Images)

8ª posição. 19 jogos, 28 pontos. 9 vitórias, 1 empate, 9 derrotas. 33 gols marcados, 27 sofridos.
Maior sequência positiva: seis jogos sem perder
Maior sequência negativa: três jogos sem vencer
Time-base: Bizzarri (Scuffet); Stryger Larsen, Danilo, Nuytinck (Samir); Widmer, Barák, Fofana (Behrami), Jankto, Adnan; De Paul (Maxi López), Lasagna.
Treinadores: Luigi Delneri (até a 13ª rodada) e Massimo Oddo (desde então)
Destaque: Kevin Lasagna, atacante
Artilheiro: Kevin Lasagna, com 7 gols
Garçom: Rodrigo De Paul, com 5 assistências
Decepção: Giuseppe Pezzella, lateral esquerdo
Expectativa: Vaga na Liga Europa

Massimo Oddo não é Jesus, mas fez a Udinese mudar da água para o vinho e multiplicou os gols realizados pelo ataque da equipe. Os friulanos começaram 2017-18 com aspirações modestas, depois de quatro fracas temporadas em sequência, mas mudaram o foco a partir da 13ª rodada, quando Delneri caiu e deu lugar ao atual treinador. Oddo só tinha uma experiência na Serie A, na qual não conseguiu salvar o Pescara do rebaixamento, mas impressiona a todos ao colocar seu novo time na briga por uma vaga na Liga Europa.

O ex-lateral da Lazio transformou uma equipe que havia levado uma sacolada da Juventus (6 a 2) e acumulava oito derrotas até o momento de sua chegada em uma das gratas surpresas da competição. Em sete jogos no comando dos bianconeri, perdeu só o da estreia, diante do Napoli, e venceu cinco. Se com Delneri a única nota positiva da Udinese era a recuperação de De Paul, com Oddo a equipe ganhou solidez na defesa e muita fluidez no ataque. Os meias checos Barák e Jankto já chamam a atenção de clubes maiores, ao passo que o lateral suíço Widmer voltou a atuar tão bem quanto em seu primeiro ano de Itália. O destaque, porém, fica por conta do atacante Lasagna, um dos mais afetados positivamente pela mudança no comando: desde a chegada de Oddo, ele anotou gols em cinco partidas e se tornou titular absoluto.

Atalanta

Alejandro Gómez, do Atalanta (Photo by Emilio Andreoli/Getty Images)

7ª posição. 20 jogos, 30 pontos. 8 vitórias, 6 empates, 6 derrotas. 31 gols marcados, 26 sofridos.
Maior sequência positiva: cinco jogos sem perder, duas vezes
Maior sequência negativa: três jogos sem vencer, duas vezes
Time-base: Berisha; Rafael Tolói (Palomino), Caldara, Masiello; Hateboer (Castagne), De Roon, Freuler, Spinazzola; Cristante (Ilicic); Petagna (Cornelius), Gómez.
Treinador: Gian Piero Gasperini
Destaque: Alejandro Gómez, meia-atacante
Artilheiro: Josip Ilicic, com 7 gols
Garçom: Josip Ilicic, com 5 assistências
Decepção: João Schmidt, meia
Expectativa: Vaga na Liga Europa

A Atalanta chegou a 2017-18 com crédito com a torcida: após a melhor temporada da história do clube e a classificação para a Liga Europa, somente um rebaixamento não seria bem aceito em Bérgamo. Mesmo sem muita pressão e com muito apoio das arquibancadas, a atual campanha começou com algumas incertezas e resultados irregulares. Na Serie A, a equipe de Gasperini se acertou a partir de outubro e voltou a lutar seriamente pela repetição das façanhas do campeonato anterior. Além disso, os nerazzurri se classificaram em primeiro lugar no grupo da morte da Europa League (jogarão a fase de 16 avos de final contra o Borussia Dortmund) e avançaram às semifinais da Coppa Italia (enfrentam a Juventus).

As saídas de Conti e Kessié, na janela de verão, se revelaram menos dramáticas do que pareciam. A Atalanta foi bem ao mercado e se reforçou em quantidade e qualidade, o que lhe permitiu se dar ao luxo de focar quase que inteiramente na Liga Europa na primeira parte da temporada – o que condicionou, em parte, a irregularidade no Italiano. Gómez conviveu com alguns problemas físicos, mas continuou sendo o principal nome do time, agora com a companhia dos efetivos Cristante e Ilicic. O primeiro era reserva na última temporada e ganhou protagonismo com a saída de Kessié, enquanto o segundo caiu como uma luva no time. Gasperini costuma utilizar o esloveno como uma arma para o decorrer das partidas, o que tem contribuído para que ele seja mais decisivo – dessa forma, há menos tempo para que Ilicic seja afetado por sua irregularidade habitual.

Sampdoria

Fabio Quagliarella,
da Sampdoria (Photo by Paolo Rattini/Getty Images)

6ª posição. 19 jogos, 30 pontos. 9 vitórias, 3 empates, 7 derrotas. 36 gols marcados, 29 sofridos.
Maior sequência positiva: cinco jogos sem perder
Maior sequência negativa: cinco jogos sem vencer
Time-base: Viviano (Puggioni); Bereszynski, Silvestre, Ferrari, Strinic (Regini, Murru); Barreto (Linetty), Torreira, Praet; Ramírez; Quagliarella, Zapata (Caprari).
Treinador: Marco Giampaolo
Destaque: Fabio Quagliarella, atacante
Artilheiro: Fabio Quagliarella, com 12 gols
Garçons: Fabio Quagliarella e Gastón Ramírez, com 5 assistências
Decepção: Filip Djuricic, meia
Expectativa: Vaga na Liga Europa

A Sampdoria que encerrou a primeira parte do campeonato deixou uma impressão muito diferente daquela que começou a campanha. Em qual devemos confiar? Na que chegou a ser uma das melhores mandantes do campeonato e derrubou Juventus, Milan e o rival Genoa ou na que emperrou e perdeu até para o Benevento? Retórica discursiva à parte, uma queda de ritmo seria natural para uma Samp que fez muito mais do que o esperado até a 13ª rodada. O que preocupa é a extensão desse momento negativo: do fim de novembro até aqui, a equipe doriana só venceu uma partida. A defesa, que estava bem acertada com Silvestre e Ferrari, começou a sofrer (principalmente fora de casa) e a Samp foi deixando pontos pelo caminho.

Apesar disso, continuar na sexta colocação, e com uma partida a menos, só reforça o quanto os comandados de Giampaolo iniciaram a campanha a todo vapor e têm potencial para recuperarem o bom futebol. Isso se deve sobretudo ao excelente quarteto que dá as cartas do meio para frente. O uruguaio Torreira é um dos melhores registas do campeonato e conta com o luxuoso auxílio de Praet e um entre Linetty e Barreto – sem falar no lateral Bereszynski, grata surpresa da temporada. Mais à frente, Ramírez recuperou o futebol dos tempos de Bologna e conseguiu rápido entrosamento com Quagliarella e Zapata: os dois goleadores formam uma rara e eficiente dupla de ataque em tempos em que a velocidade pelas pontas e a escalação de apenas um atacante centralizado são quase uma regra. A “intertemporada” veio em bom momento para a equipe, já que Giampaolo teve tempo para acertar o que não vinha funcionando e espera colher os frutos na reta final da Serie A.

Roma

Kolarov, da Roma (Photo by Aitor Alcalde/Getty Images)

5ª posição. 19 jogos, 39 pontos. 12 vitórias, 3 empates, 4 derrotas. 30 gols marcados, 14 sofridos.
Maior sequência positiva: nove jogos sem perder
Maior sequência negativa: três jogos sem vencer
Time-base: Alisson; Florenzi (Bruno Peres), Manolas (Juan Jesus), Fazio, Kolarov; Nainggolan, De Rossi (Gonalons), Strootman (Pellegrini); El Shaarawy, Dzeko, Perotti.
Treinador: Eusebio Di Francesco
Destaque: Aleksandar Kolarov, lateral esquerdo
Artilheiro: Edin Dzeko, com 8 gols
Garçom: Stephan El Shaarawy, com 5 assistências
Decepção: Patrik Schick, atacante
Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

A Roma desta temporada surpreende pela comparação entre os números de gols pró e contra. A proposta de Di Francesco é ofensiva e o time até a executa, mas não consegue marcar tantos gols: os giallorossi têm o pior ataque entre os oito primeiros colocados. A equipe soma cinco vitórias por apenas 1 a 0 e 12 jogos em que balançou as redes no máximo uma vez. Embora El Shaarawy e Perotti venham fazendo bom campeonato, é inegável que Salah esteja fazendo falta ao time da Cidade Eterna. Afinal, a fase do egípcio, atualmente no Liverpool, é esplendorosa e os seus substitutos, Defrel e Schick (contratação mais cara da história romanista), ainda não mostraram a que vieram. Dzeko não tem marcado tanto quanto em 2016-17, mas continua como artilheiro do time e tem sido um bom garçom.

Por outro lado, a defesa funciona às mil maravilhas e só perdeu o posto de melhor do campeonato (agora é a segunda) por causa dos resultados negativos que antecederam a pausa invernal. É exatamente no setor defensivo que estão os jogadores mais notáveis da equipe em 2017-18: Alisson, o goleiro que mais realizou defesas no campeonato, e o lateral esquerdo Kolarov, principal atleta da posição na Serie A, com os números mais destacados em dribles, finalizações e cruzamentos. Embora a Roma ocupe uma boa posição no torneio, a impressão é de que o elenco pode render mais – em termos individuais, os já citados e também Nainggolan. Na Liga dos Campeões, o modelo tem dado certo e a equipe se classificou às oitavas em um grupo duríssimo. Terá êxito em um campeonato de pontos corridos?

Lazio

Immobile, da Lazio (Photo by Marco Rosi/Getty Images)

4ª posição. 19 jogos, 40 pontos. 12 vitórias, 4 empates, 3 derrotas. 48 gols marcados, 24 sofridos.
Maior sequência positiva: seis jogos sem perder
Maior sequência negativa: dois jogos sem vencer, duas vezes
Time-base: Strakosha; Bastos, De Vrij, Radu; Marusic (Basta), Parolo, Lucas Leiva, Milinkovic-Savic, Lulic; Luis Alberto; Immobile.
Treinador: Simone Inzaghi
Destaque: Ciro Immobile, atacante
Artilheiro: Ciro Immobile, com 20 gols
Garçom: Ciro Immobile, com 7 assistências
Decepção: Nani, atacante
Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

A Lazio de Inzaghi deixou para trás os status de “surpresa” ou “sensação”. Uma das realidades mais sólidas do futebol italiano, a equipe celeste tem cumprido o que prometia já no início da temporada: uma briga forte por vaga na Liga dos Campeões. Com um jogo a menos, os romanos ainda podem ultrapassar a Inter em janeiro. Além disso, a Lazio é semifinalista da Coppa Italia, está na fase de 16 avos de final da Liga Europa e ainda faturou a Supercopa do Belpaese ao dominar a Juventus, na partida que abriu sua trajetória em 2017-18. A temporada é brilhante e beira a perfeição.

Immobile, obviamente, é o grande nome da equipe na campanha: afinal, o camisa 17 é o artilheiro do campeonato e ainda é o líder em assistências, ao lado do interista Candreva. Mas o titular da seleção italiana não é o único responsável por fazer da Lazio o segundo melhor ataque da Serie A e o time com melhor aproveitamento de finalizações. Enquanto Luis Alberto surpreendeu e se tornou um dos jogadores mais regulares do campeonato, Milinkovic-Savic amadurece cada vez mais: é um dos meias centrais mais cobiçados no futebol europeu. Vale destacar ainda que o experiente Lucas Leiva caiu como uma luva no time e que o jovem goleiro Strakosha também ocupa papel como protagonista no elenco, comandando a defesa juntamente a De Vrij.

Inter

Mauro Icardi, da Inter (Photo by Emilio Andreoli/Getty Images)

3ª posição. 20 jogos, 42 pontos. 12 vitórias, 6 empates, 2 derrotas. 35 gols marcados, 15 sofridos.
Maior sequência positiva: 16 jogos sem perder
Maior sequência negativa: cinco jogos sem vencer
Time-base: Handanovic; D’Ambrosio, Skriniar, Miranda, Nagatomo (Santon); Vecino, Gagliardini; Candreva, Borja Valero, Perisic; Icardi.
Treinador: Luciano Spalletti
Destaque: Mauro Icardi, atacante
Artilheiro: Mauro Icardi, com 18 gols
Garçom: Antonio Candreva, com 7 assistências
Decepção: João Mário, meia
Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

O objetivo traçado para a temporada vem sendo cumprido: neste momento, a Inter ocupa uma posição que lhe devolveria à Liga dos Campeões após uma ausência de seis anos. É verdade que a Beneamata fechou o ano com sua pior sequência (cinco jogos sem vitórias) e com a eliminação ante ao Milan na Coppa Italia, mas o balanço é positivo. Afinal, os nerazzurri chegaram a liderar a Serie A e têm a terceira melhor defesa do campeonato, ao lado da Juventus. Mais que isso: Spalletti finalmente conseguiu dar um padrão de jogo à equipe e fez o elenco ter um rendimento mais aproximado ao de sua capacidade.

Três das principais contratações feitas na janela de transferências ajudaram a transformar a equipe. Skriniar resolveu os problemas defensivos e faz uma excelente dupla com Miranda, enquanto Borja Valero e Vecino deram dinamismo ao meio-campo. Enquanto Handanovic, Perisic e Icardi continuam sendo os principais nomes do time e, respectivamente, garantias de defesas sensacionais, assistências e gols, a formação nerazzurra tem se ressentido de mais participação dos meias no ataque. Mais de 70% dos gols da equipe saíram dos pés de Icardi e Perisic e os únicos meio-campistas que deixaram suas marcas foram Vecino, Valero (uma vez cada) e o irregular Brozovic (três). Se livrar dessa dependência é um bom caminho para que o time possa crescer na segunda parte da temporada.

Juventus

Dybala, da Juventus (Foto: Getty Images)

2ª posição. 20 jogos, 50 pontos. 16 vitórias, 2 empates, 2 derrotas. 49 gols marcados, 15 sofridos.
Maior sequência positiva: sete jogos sem perder, duas vezes
Maior sequência negativa: dois jogos sem vencer
Time-base: Buffon (Szczesny); Lichtsteiner, Benatia (Rugani, Barzagli), Chiellini, Alex Sandro (Asamoah); Khedira (Cuadrado), Pjanic, Matuidi; Dybala, Mandzukic; Higuaín.
Treinador: Massimiliano Allegri
Destaque: Paulo Dybala, atacante
Artilheiro: Paulo Dybala, com 14 gols
Garçom: Miralem Pjanic, com 5 assistências
Decepção: Benedikt Höwedes, zagueiro
Expectativa: Título

Até agora, a temporada da Juventus tem se desenrolado de forma completamente distinta das seis anteriores, que lhe deram o hexacampeonato. A incensada linha defensiva bianconera se desfez e a equipe passou por dificuldades em sua retaguarda no início da campanha, mas a mudança de esquema proposta por Allegri fez com que o time ganhasse mais proteção e o futebol de Benatia crescesse. Antes disso acontecer, a Velha Senhora já havia se tornado uma máquina ofensiva, embalada principalmente por Dybala e Higuaín, e com a iluminação constante de Pjanic. O resultado? Hoje, a Juve tem o ataque mais positivo e a terceira melhor defesa da Serie A.

O campeonato começou com Dybala em versão goleadora e como líder incontestável da equipe. Quando a joia argentina caiu de produção (ainda que venha lentamente recuperando seu futebol), a Juventus não sofreu. Nem mesmo quando foi criticada por não convencer na Liga dos Campeões ou quando caiu no Italiano, contra Lazio e Sampdoria. A resposta sempre foi imediata, seja com Dybala, Higuaín e Pjanic ou com coadjuvantes, como Mandzukic, Matuidi, Cuadrado e Douglas Costa. Desde que venceu o confronto direto contra o Napoli, no início de dezembro, a Juve mantém-se apenas um ponto atrás dos azzurri. Sabendo que depende apenas de si para chegar ao hepta, quanto tempo irá durar esta caça?

Napoli

Lorenzo Insigne, do Napoli (FotoL Getty Images)

1ª posição. 20 jogos, 51 pontos. 16 vitórias, 3 empates, 1 derrota. 44 gols marcados, 13 sofridos.
Maior sequência positiva: 14 jogos sem perder
Maior sequência negativa: dois jogos sem vencer
Time-base: Reina; Hysaj, Albiol, Koulibaly, Ghoulam (Mário Rui, Maggio); Allan, Jorginho, Hamsík; Callejón, Mertens, Insigne.
Treinador: Maurizio Sarri
Destaque: Lorenzo Insigne, atacante
Artilheiro: Dries Mertens, com 10 gols
Garçom: Dries Mertens, com 6 assistências
Decepção: José Callejón, atacante
Expectativa: Título

Agora vai? O “Napoli de Sarri” enche os olhos e a boca de muitos hipsters do futebol e, mesmo enfrentando algumas dificuldades, virou o ano e o turno na liderança da Serie A. A equipe azzurra, conhecida pelo futebol vistoso e de muitas trocas de passes, está no topo da tabela muito graças a números que podem até surpreender. O Napoli tem “apenas” o terceiro melhor ataque da competição e é o time que mais marcou gols após cobranças de escanteio (sete) – também tem a melhor defesa. Campeões de inverno apenas pela quinta vez na história, os azuis têm foco total no Italiano, que almejam conquistar pela primeira vez desde 1990. Por isso, a queda na Coppa e na Champions League (com consequente ida à Liga Europa) nem foram deslizes tão lamentados.

Sarri conta com praticamente o mesmo time da temporada anterior, o que se mostrou uma faca de dois gumes. Se o padrão de jogo e o entrosamento do elenco são fantásticos quando o onze inicial de sempre está em campo, os desfalques acabam sendo duros golpes para os partenopei. A séria lesão de Ghoulam fez com que o ritmo da equipe caísse bastante de novembro para cá, e o mesmo aconteceu quando Insigne esteve lesionado. Os napolitanos também tiveram dificuldades quando jogadores importantes enfrentaram más fases: Mertens ainda é o artilheiro e o líder de assistências da equipe, mas chegou a viver um jejum de várias rodadas sem marcar gols – assim como Callejón. Se os reservas não mostraram serviço, o Napoli ainda pode contar com o poder de decisão de Insigne, o melhor jogador italiano em atividade. O reencontro de Hamsík com seus melhores momentos também é uma grande notícia para o prosseguimento da temporada. Com líderes assim, é possível manter a ponta até o fim.

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