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[Balanço] Dez jogos desta Copa que ficarão na memória

Qualquer Copa do Mundo, independentemente de seu nível técnico, entra na memória dos amantes de futebol. Quando vem acompanhada então de grandes jogos, bons jogadores, histórias de superação e batalhas inesperadas, tudo ganha dimensão ainda maior. O Mundial sediado no Brasil não está sendo chamado de “Copa das Copas” à toa, e uma série de grandes duelos ajudou a construir essa percepção. Foi difícil, já que haveria espaço para ainda mais que isso, mas selecionamos as dez partidas que mais ficarão na memória de quem acompanhou dia a dia os espetáculos de futebol protagonizados nos gramados brasileiros. Obrigado, Copa!

Espanha 1×5 Holanda

13/06 – Fonte Nova – Fase de grupos – 1ª rodada

Logo para o segundo dia de Copa do Mundo estava marcado o jogo que reeditava a final da edição anterior. Atual campeã, a Espanha entrava como favorita contra uma Holanda sem grandes estrelas e repleta de atletas de sua liga local, que não goza de mesmo prestígio que outras dentro da Europa. Pois no gramado da Fonte Nova, que descobriríamos mais tarde ser “mágico”, a Oranje deu um banho de bola na Roja, atropelando Casillas e companhia com uma grande atuação de Robben e uma série de belos gols. Foi talvez a mais simbólicas das revanches na história das Copas, apesar de não ter valido título como na disputa que fechou o Mundial de 2010.

O que escrevemos sobre:

A Oranje espremeu a Roja até tirar todo o seu sangue
– Robben e Casillas: quatro anos depois, vilão e herói mudaram de papeis

Inglaterra 1×2 Itália

14/06 – Arena da Amazônia – Fase de grupos – 1ª rodada

Desde o momento em que havia sido definido que Inglaterra e Itália estreariam na quente Manaus, as reclamações de ambos os lados começaram. Depois do confronto, Marchisio chegou até a falar que teve alucinações por causa do calor, mas o fato é que as condições adversas para os europeus não diminuiu a qualidade do espetáculo. Ingleses e italianos fizeram um dos melhores jogos tecnicamente desta Copa, com destaque para a atuação brilhante de Andrea Pirlo, que coordenou todo o jogo da Azzurra da maneira como estamos acostumados a vê-lo fazer. Os Three Lions ofereceram resistência e foram muito mais perigosos do que poderíamos ter imaginado antes do Mundial. Pena para eles que a máxima que valeu para os criadores do futebol foi a do “jogar como nunca, perder como sempre”.

O que escrevemos sobre:

O relógio foi mais importante que o termômetro na vitória da Azzurra
Como Balotelli ajuda a entender Manaus 
Galeria: Um jogaço, e Balotelli decidiu

Uruguai 2×1 Inglaterra

19/06 – Arena Corinthians – Fase de grupos – 2ª rodada

Luis Suárez comemora o gol que abriu o placar na Arena Corinthians

Luis Suárez comemora o gol que abriu o placar na Arena Corinthians

De um lado, o Uruguai, que havia sofrido a grande zebra da primeira rodada da Copa do Mundo, ao ser derrotado pela Costa Rica por 3 a 1. Do outro, a Inglaterra, que apesar da derrota havia feito uma bela apresentação contra a Itália. Favoritos e em um clima bem mais parecido com aquele em que normalmente atuam, os ingleses chegaram como favoritos à Arena Corinthians e, mais uma vez, tiveram uma atuação elogiável. Por que mais uma derrota, então? Bom, os Three Lions não tinham Luis Suárez. Em uma das mais belas histórias do começo do Mundial, cujo enredo depois se desenrolaria para uma punição pesada por causa da mordida em Chiellini, Suárez estreou na Copa na segunda rodada, um mês após passar por cirurgia, fez dois belos gols e acabou ovacionado pelos próprios companheiros após o apito final.

O que escrevemos sobre:

Suárez voltou como herói para deixar os ingleses por um fio
Os milagres de Suárez, o tipo de craque que a Copa adora
Galeria: Suárez, decisivo, faz renascer a Celeste

Alemanha 2×2 Gana

21/06 – Castelão – Fase de grupos – 2ª rodada

Depois do atropelo da Alemanha por 4 a 0 sobre Portugal na primeira rodada, o que todos esperavam do confronto dos alemães com Gana era uma vitória simples. Mas se tem algo que aprendemos nesta Copa é não fazer previsões com tanta certeza. Os ganenses acabaram oferecendo um desafio tremendo para a Nationalmannschaft e, com dois tempos completamente diferentes, o que foi visto no Castelão foi uma das partidas mais ofensivas do Mundial. Depois de se segurar na defesa na base da aplicação tática, Gana se lançou ao ataque na etapa complementar e, mesmo sofrendo o primeiro gol da partida, conseguiu uma virada relâmpago para acender de vez o jogo. Klose então entrou pela primeira vez em campo nesta Copa, no segundo tempo, e em dois minutos, em seu primeiro toque na bola, empatou tudo, igualando os 15 gols de Ronaldo em Mundiais. Nos minutos finais, a tática foi deixada de lado pelas duas equipes, e o que prevaleceu foram os ataques imparáveis, lá e cá.

O que escrevemos sobre:

Fortaleza é palco de um jogo que embola o Grupo G
Invasor de Alemanha x Gana levava siglas nazistas no corpo
– Galeria: Segundo tempo fenomenal, e Klose se torna recordista

Estados Unidos 2×2 Portugal

22/06 – Arena da Amazônia – Fase de grupos – 2ª rodada

A partida que fechava a segunda rodada do Grupo G era importantíssima para a definição da chave. Com o empate pouco antes entre alemães e ganenses, Portugal entrava para a partida para se recuperar e manter vivas suas chances de ir às oitavas. Já os Estados Unidos, com uma vitória, surpreendentemente assumiria a ponta da chave. E esse segundo cenário parecia o mais provável de se concretizar. A Seleção das Quinas havia largado na frente com o gol de Nani logo no começo do jogo, tinha chegado perto de ampliar a vantagem, mas, depois de ver os americanos crescerem na partida, levaram a virada com dois gols no segundo tempo. Os Estados Unidos jogavam melhor e seguravam o resultado histórico (seria a primeira vez desde 1930 que conseguiam dois triunfos consecutivos na Copa), até que, aos 50 minutos da etapa complementar, um cruzamento de Cristiano Ronaldo encontrou a cabeça de Éder, que empatou tudo e deu sobrevida a Portugal para a última rodada (o que não adiantaria muito depois).

O que escrevemos sobre:

Empate ainda é bom para os americanos
Empate no final frustrou, mas mostrou lado diferente dos americanos
– Galeria: Portugal arranca empate no último lance

Brasil 1×1 Chile (3×2 pen)

28/06 – Mineirão – Oitavas de final

Júlio César pegou dois pênaltis, enquanto Hulk e Willian perderam. No fim, a batida de Jara na trave foi decisiva: Brasil 3x2, classificada

Júlio César pegou dois pênaltis, enquanto Hulk e Willian perderam. No fim, a batida de Jara na trave foi decisiva: Brasil 3×2, classificada

Em um jogo muito mais emocionante que a torcida poderia ter desejado previamente, Brasil e Chile fizeram uma partida fraca tecnicamente e tiveram que decidir tudo nos pênaltis. Com o coração na ponta das luvas, Julio César defendeu duas cobranças, sentiu-se redimido pela falha em 2010 e chorou ao fim do jogo como herói do país-sede. E pensar que tudo poderia ter acabado na última bola do Chile na prorrogação, quando Mauricio Pinilla acertou o travessão do goleiro, em lance que até virou tatuagem no corpo do chileno. Essa foi também a partida em que a liderança de Thiago Silva foi colocada em xeque, após o capitão se isolar do grupo pouco antes das cobranças dos penais. Sem falar no choro desenfreado dos atletas após a vitória, que levantou as discussões que pautaram a Seleção nos dias seguintes. Foi sem dúvida o jogo que mais tirou o fôlego do brasileiro.

O que escrevemos sobre:

Seleção sobrevive a suas próprias fraquezas
– T. Silva é craque, mas não tem sido o líder de que o Brasil precisa
– Galeria: J. César pega dois pênaltis e classifica a Seleção
– Seleção passou por um teste de nervos e fracassou. Resta o alívio
– Seleção está perdida e temos uma proposta: coloque Hernanes, Felipão

Alemanha 2×1 Argélia

30/06 – Beira-Rio – Oitavas de final

Quem achava que as surpresas com a seleção alemã tivessem acabado no empate com Gana foi completamente surpreendido pelo jogaço que a Nationalmannschaft e a Argélia protagonizaram no Beira-Rio. Evidentemente, os argelinos eram muito inferiores tecnicamente aos alemães, mas em campo eles fizeram valer a máxima de que “são 11 contra 11”. Jogaram melhor que a equipe que viria a ser a campeã mundial e ficaram até mesmo perto da classificação em alguns momentos. A Argélia começou melhor no jogo, viu os alemães equilibrarem o duelo, e o tempo regulamentar não foi suficiente para definir quem avançaria às quartas de final. Com o empate em 0 a 0, o jogo foi para a prorrogação, e aí os gols começaram a aparecer. O bombardeio alemão, que consagrou o goleiro M’Bolhi com suas grandes defesas, também resultou em dois gols para a Alemanha, que viu a Argélia diminuir na sequência, mas sem tempo hábil para buscar o empate e levar a partida aos pênaltis. A chegada da Argélia às oitavas já era inédita e histórica, mas despedir-se com tanta honra transformou os jogadores em heróis em seu país.

O que escrevemos sobre:

Alemães e argelinos protagonizaram a epopeia gaúcha
Inspiração de M’Bolhi e loucura de Neuer tornam jogo espetacular
Galeria: Depois de jogo antológico, argelinos dão adeus de cabeça erguida

Bélgica 2×1 Estados Unidos

01/07 – Arena Fonte Nova – Oitavas de final

A Fonte Nova se caracterizou nesta Copa como uma grande fonte de gols para o torneio, mas no jogo entre Bélgica e Estados Unidos quem brilhou mesmo foi um goleiro. Tim Howard teve nas oitavas de final a maior atuação de um jogador da sua posição neste Mundial. Depois da partida, em que fez 16 defesas, virou herói nacional, conversou com o presidente Obama e quase triplicou o número de seguidores que tinha em redes sociais. O jogo marcou também o primeiro bom jogo ofensivo da Bélgica, que acabou não se repetindo nas quartas, contra a Argentina. Os gols vieram só na prorrogação, e outro americano mostrou ter bastante estrela no duelo: Julian Green, de 19 anos, em seu primeiro toque na bola nesta Copa, fez o gol dos Estados Unidos. A equipe de Klinsmann ainda foi com tudo para o ataque e quase chegou ao empate, mas acabou se despedindo mesmo da competição.

O que escrevemos sobre:

Bélgica libera potencial ofensivo e sobrevive a primeiro grande teste
– Bélgica, enfim, se fez respeitar
Galeria: De Bruyne e Lukaku decidem épico na Fonte Nova

Brasil 1×7 Alemanha

08/07 – Mineirão – Semifinal

Bem que a gente gostaria de poder tirar esse jogo da mente, mas os gols ininterruptos nunca mais sairão da cabeça do brasileiro que gosta de futebol – ou até mesmo daquele que nem liga muito para o esporte. A maior derrota da história do futebol brasileiro. A humilhação máxima a que a Seleção poderia se submeter. Uma eliminação em uma semifinal com uma goleada por 7 a 1, em um jogo completamente perdido de um time sem tática, opções e controle emocional. Felipão e Parreira preferiram atribuir o fracasso ao acaso e à tal pane de seis minutos (em que o Brasil levou quatro gols), mas todos sabemos que o problema foi bem maior que isso.

O que escrevemos sobre:

Alemanha fulminante massacra Brasil atordoado
O choro de 1950 foi espanto em 2014
Galeria: As fotos do massacre alemão no Mineirão

Alemanha 1×0 Argentina

13/07 – Maracanã – Final

Schweinsteiger ao lado de Lahm e Müller, três referências da geração

Schweinsteiger ao lado de Lahm e Müller, três referências da geração

Depois do massacre da Alemanha sobre o Brasil, a incógnita era como esse ataque funcionaria diante da forte defesa argentina, que havia chegado à decisão sem sofrer nenhum gol nas fases do mata-mata. O mais provável se concretizou, e o ótimo trabalho de Sabella em equilibrar a Albiceleste dentro de campo segurou os alemães. Se pegar todo o jogo em si, a Argentina até foi superior aos alemães, mas a série de chances desperdiçadas, como a que teve Higuaín após recuo trágico de Kroos, fadou os hermanos ao vice. Repleto de ingredientes como a luta de Messi para conquistar o único título que lhe faltava, a lesão de Khedira no aquecimento, a concussão de Kramer no primeiro tempo e a batalha de Schweinsteiger para ficar em campo, o jogo, que por ser uma decisão já ficará na memória por si só, foi digno da competição sediada no Brasil.

O que escrevemos sobre:

Na tática e na garra, Alemanha bate Argentina e é tetra
O trio que simboliza uma geração que merecia demais a Copa
Galeria: Alemanha tetracampeã! Veja como foi a decisão