Não importa quem escalou a seleção argentina. Se foi mesmo o técnico Jorge Sampaoli, ou Javier Mascherano, ou Lionel Messi, Diego Armando Maradona, Mauricio Macri ou o Papa Francisco. Funcionou. Longe de brilhar, a equipe foi muito mais organizada no primeiro tempo da vitória por 2 a 1 sobre a Nigéria, que valeu vaga nas oitavas de final, do que nas partidas anteriores. Não era difícil, mas precisava ser feito. E a peça que melhor representa essa mudança foi o meia Éver Banega. 

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Banega teve problemas físicos durante a preparação. Perdeu alguns treinamentos, o que contribuiu para que Sampaoli decidisse convocar Enzo Pérez para o lugar de Lanzini. Ainda assim, em termos relativos, era o meia mais em forma da convocação, junto com o recém-chamado Pérez: Biglia acelerou a recuperação de uma lesão nas costas para jogar a Copa do Mundo e, até agora, conseguiu apenas 54 minutos na estreia contra a Islândia. Macherano está distante da sua melhor forma. E Lo Celso ainda é muito jovem. 

Por isso, é curioso que tenha sido tão pouco utilizado nas primeiras partidas da Argentina. Entrou no lugar de Biglia contra a Islândia e foi reserva diante da Croácia. Nessa nova formação com três volantes, ao lado de Mascherano e Pérez, teve liberdade para armar as jogadas. Durante o primeiro tempo, quando os sul-americanos finalmente conseguiram jogar bem, armou três lances que poderiam ter matado o jogo. 

Primeiro, ele achou Tagliafico pela esquerda. O lateral entrou na área e deu a primeira finalização mais perigosa da Argentina até então. O grande lance de Banega foi o lançamento para Messi, que dominou a bola com muita classe e bateu de direita para abrir o placar. Ele também descolou um passe rasteiro em profundidade para Di María, que foi derrubado na entrada da área. Na cobrança, Messi acertou a trave de Uzoho. 

Além da importância na criação, Banega foi o jogador que mais roubou bola do time argentino, com quatro desarmes. Ele acertou 79 passes, mais do que qualquer companheiro, e três terminaram em finalização. Também foi o sul-americano que mais tocou na bola durante a partida: 111. Com duas interceptações e dois bloqueios, ficou em segundo lugar nessas estatísticas. Números do WhoScored.

Em uma equipe que tem jogadores como Di María (muito mal), o pouco utilizado Dybala, o jovem Lo Celso, Agüeiro, Higuaín, e, claro, Lionel Messi, o fato de Banega ter sido o jogador mais criativo da partida mais importante da Argentina na Copa do Mundo apenas agiganta a sua atuação. Não pode mais sair do time.