O confronto entre Barcelona e Real Madrid será transmitido apenas para quem assinar um dos canais de TV por assinatura na Espanha. Os canais que transmitem o Campeonato Espanhol chegaram a um acordo para trabalharem juntos nesse sentido. Mediapro e Prisa TV combinaram que nenhum jogo de Barcelona ou Real Madrid será mostrado na TV aberta, mesmo que um dos dois times seja eliminado da Liga dos Campeões, algo que normalmente permite mais jogos na TV aberta. O diretor do Canal+, empresa que tem os direitos exclusivos de todos os jogos pay per view do Campeonato Espanhol, Carlos Martínez, justificou a decisão aos repórteres, em entrevista coletiva: “TV aberta era a primeira opção, mas eles a perderam porque as operadoras acharam que o valor era exorbitante”, declarou. O Canal+, que é da Prisa TV, irá mostrar 28 jogos envolvendo ou Real Madrid, ou Barcelona. Já o canal por assinatura da Mediapro irá mostrar um dos dois times em cada fim de semana, além de transmitir um dos dois jogos entre as duas equipes, “El Clasico”.

Disputa pelos direitos de TV quase parou o campeonato

Na Espanha, a disputa pela divisão dos direitos de TV causa insatisfação entre os 18 times da primeira divisão contra Real Madrid e Barcelona. Os dois gigantes ficam com cerca de metade de todo o dinheiro pago pelas operadoras, enquanto os demais times dividem a outra metade. A diferença se traduz em um menor poder de investimento, o que fez o dono do Málaga, Sheik Al Thani, desistir de investir dinheiro no clube, por considerar a situação na Espanha em relação à divisão dos direitos de TV “uma vergonha.

Mais do que isso: a liga ficou ameaçada de não começar neste fim de semana por uma greve dos clubes. Um acordo foi feito para evitar o adiamento do início do Campeonato Espanhol.  A insatisfação dos outros times é um barril de pólvora prestes a explodir e o presidente do Sevilla, José Maria Del Nido, já deu mostras que uma paralisação é possível. Assim como no Brasil, a divisão dos direitos de TV é feita individualmente, o que privilegia os times maiores e com mais torcida, mas prejudica o campeonato como um todo, já que os times menores recebem apenas uma pequena fração do montante pago aos gigantes.

Na Inglaterra, por exemplo, a divisão de direitos de TV é feita pela liga, a Premier League, que separa todo o dinheiro pago pelas TV e distribui metade dele igualmente. Da outra metade, uma parte é distribuída de acordo com a audiência e número de partidas que o time terá exibido na TV e a outra parte é distribuída de acordo com a posição do time na temporada anterior. Com isso, todos os times conseguem ter recurso e os clubes que mais rendem audiência na TV também recebem um pouco mais, mas sem monopolizar.

Basta lembrar que a Espanha chegou a ter distribuição mais equilibrada dos recursos e que fez com que os times tivessem mais força. Tanto que o último título sem ser Real Madrid ou Barcelona foi em 2003/04, com o Valencia campeão. Antes disso, o próprio Valencia levantou a taça em 2001/02 e o Deportivo foi campeão em 1999/00. Nos anos 1990, aliás, só o Atlético de Madrid, em 1995/96, quebrou a hegemonia de Barcelona e Real Madrid, que recebem, além de mais dinheiro de TV, diversos incentivos fiscais do governo – seja do governo central, seja do governo catalão. Um desequilíbrio que está causando cada vez mais insatisfação.