Disputa de pênalti é a comprovação que os apaixonados por futebol são um pouco sádicos. A disputa de pênaltis passou a existir em Copas do Mundo a partir de 1978, na Argentina, mas naquele mundial esse recurso de desempate não foi usado. Nas Copas do Mundo seguintes, os pênaltis se tornaram um elemento decisivo. Para alguns, virou um trauma (é com você mesmo, Inglaterra). Não por acaso, a BBC então fez um levantamento extenso e glorioso: analisou todas as disputas de pênaltis em Copas do Mundo. Os dados mostram que bater pênalti nessa situação é coisa séria. Muito séria.

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Dos 204 pênaltis já batidos, 144 se tornaram gols (71%), 41 foram defendidos pelos goleiros (20%) e os 19 restantes foram erros, chutes na trave ou para fora (9%). Há ainda outros dados, como o pé que cada jogador usa nas cobranças: 42 usaram o esquerdo, 162 o direito. Claro, destros são maioria no mundo, parece razoável que assim seja.

Sabe aquela ideia que os alemães são bons em decisões por pênaltis? Sim, é verdade. Por quatro vezes, a Alemanha teve que decidir a sua classificação na marca da cal e venceu todas. Isso mesmo, todas: 1982, 1986, 1990 e 2006. Foi quem mais venceu esse tipo de disputa. Argentina (duas vezes em 1990 e outra em 1998) vem logo atrás. O Brasil venceu duas vezes, a primeira delas em 1994, na final da Copa, e 1998, contra a Holanda, nas semifinais, e perdeu uma, em 1986 para a França.

Se a Alemanha é a grande vencedora nas penalidades, dois times são os grandes perdedores. A Itália, embora já tenha vencido uma Copa do Mundo nos pênaltis em 2006, perdeu três disputas na história: 1990, em casa, na semifinal contra a Argentina, em 1994, na final contra o Brasil, e em 1998, nas quartas de final contra a França. Outra seleção também perdeu três vezes: a Inglaterra. Em 1990, perdeu para a Alemanha na semifinal, em 1998 perdeu para a Argentina e em 2006 perdeu para Portugal. França (1982, 2006), México (1986, 1994), Espanha (1986, 2002) e Romênia (1990, 1994) perderam duas vezes cada uma.

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Copa do Mundo e pressão, uma combinação que treme as pernas

Copa do Mundo é coisa séria. Disputa de pênaltis em Copa do Mundo é coisa muito séria, parafraseando Galvão Bueno. A pressão de cobrar um pênalti nesse tipo de disputa é algo que muda os melhores cobradores. Tanto que não é difícil lembrar que grandes cobradores perderam pênaltis nessa situação, como Roberto Baggio em 1994, Sócrates em 1986, Platini, também em 1986 e tantos outros. Não é por acaso, segundo mostram os dados.

Quando marcar o gol na cobrança significa vencer a disputa de pênaltis, 93% marcam. Ou seja: estar prestes a vencer parece encher os jogadores de confiança. Só que a situação oposta mostra como a pressão pode ser um elefante nas costas do cobrador. Na situação que se o jogador perder o pênalti, o seu time é eliminado, só 44% dos cobradores conseguem fazer o gol. Sim, a maioria erra sob essa pressão enorme. O risco de eliminação torna as pernas pesadas e saber lidar com isso é complicado.

Você vai pensar duas vezes antes de criticar quem perder pênaltis nesse caso. Ou não, porque cornetar é quase irresistível. Se você quiser ver mais sobre os dados levantados pela BBC, vale a pena.

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