O Bayern de Munique deve ser o time mais criticado a terminar uma temporada com dois títulos nacionais, mais o Mundial de Clubes e a Supercopa da Europa. Quando se tem um elenco como o dos bávaros e um treinador tão vencedor como Pep Guardiola, a exigência é mesmo muito grande. Apesar das reclamações (muitas com fundamento, por sinal), não dá para dizer que a primeira temporada do espanhol no comando da equipe foi de grande frustração. De uma forma ou de outra, a vitória suada por 2 a 0 sobre o Borussia Dortmund neste sábado, na final da Copa da Alemanha, com dois gols na prorrogação, faz com que a última imagem da temporada do Bayern seja com as mãos em mais uma taça.

Na decisão contra os aurinegros, os bávaros voltaram a mostrar os problemas que tornaram alvo de críticas de muita gente, incluindo nomes de dentro do próprio clube, como o ídolo e presidente honorário Franz Beckenbauer. A troca de passes e a posse de bola seguiam excessivas, mas, com a falta de produtividade no ataque, a equipe marcou os gols do título apenas no segundo tempo da prorrogação. Isso e a competência do Dortmund, claro. Ainda assim, não dá para deixar passar batido o quão inócuo ofensivamente foi o time comandado por Pep Guardiola, coisa recorrente desde a conquista antecipada da Bundesliga.

Pelo menos um dos problemas do Bayern nos últimos jogos não se repetiu na final da Copa da Alemanha. A defesa, que vinha sendo bastante vulnerável, não foi vítima dos contra-ataques do Borussia como na derrota por 3 a 0 do dia 12 de abril. Os aurinegros criaram, sim, chances de gol, como quando Mats Hummels teve muito injustamente seu gol não validado, mas não tiveram os mesmos espaços que naquele triunfo em plena Allianz Arena.

Veja o gol legítimo de Hummels que não foi validado pela arbitragem:

Pep Guardiola é um técnico de enorme competencia e não à toa é um dos mais badalados do mundo atualmente. Mas a lição que o final de temporada do Bayern deixa é de que o tiki-taka e o domínio da posse de bola só funcionam quando o setor ofensivo sabe bem o que fazer com a bola quando a tem. No Barcelona, o técnico tinha à disposição a genialidade e inventividade de Lionel Messi para resolverem as partidas em que os outros não conseguiam furar um bloqueio adversário. Funcionou muito bem lá, mas, nos bávaros, apesar da grande qualidade de atletas como Arjen Robben e Franck Ribéry para abrir espaços pelos lados, o espanhol não conta com um craque desse calibre, então precisa de outras soluções para fazer seu esquema funcionar.

Material humano para essa melhoria, Guardiola tem de sobra. O elenco é recheado de ótimos jogadores em basicamente todas as posições e tem diversas possibilidades de esquemas táticos a se adotar. Após a Copa do Mundo, a equipe precisará procurar alternativas para melhorar seu jogo. É bastante provável que o técnico siga apostando nesse estilo, afinal ele próprio falou que não mudaria a forma como vê o futebol por causa de algumas críticas. Entretanto, Guardiola tem que reconhecer a queda de rendimento recente e, ao menos, fazer ajustes pontuais que possibilitem a manutenção dessa filosofia. Os dois títulos na temporada de estreia dão credibilidade ao treinador para que tenha tranquilidade na próxima campanha.