Que Bayern de Munique e Borussia Dortmund vivam um momento de disparidade, isso não é segredo para ninguém. Além do abismo atual, aconteceram algumas goleadas recentes. Ainda assim, poucos esperavam um resultado tão gritante neste sábado, dentro da Allianz Arena. Certo, os bávaros não tinham mais chances de assegurar matematicamente o hexacampeonato da Bundesliga na rodada. Mas nem por isso tiraram o pé do acelerador, impondo uma das maiores humilhações da história do Klassiker. Os aurinegros pareciam um Hamburgo, um Darmstadt qualquer. Os 6 a 0 no placar ficaram até baratos, diante da maneira como os alvirrubros jogaram e da rapidez com a qual construíram a margem. No primeiro tempo, o massacre estava estabelecido com cinco gols.

Considerando o compromisso no meio da semana contra o Sevilla, pela Liga dos Campeões, Jupp Heynckes manteve a sua rotação no Bayern. No entanto, a escalação fazia parecer que o treinador estava disposto a matar o jogo o quanto antes. Robert Lewandowski comandou o ataque, municiado por um quarteto formado por Arjen Robben, Thomas Müller, James Rodríguez e Franck Ribéry. A proteção escolhida por Peter Stöger, com Gonzalo Castro e Mahmoud Dahoud, seria inoperante.

O Bayern foi sufocante. Depois de uma boa tentativa de Müller, o time anotou o primeiro gol com cinco minutos, em enfiada do alemão para Lewandowski definir, diante da estática defesa rival. Apesar da dúvida quanto o posicionamento do centroavante, o VAR validou o lance. Três minutos depois, porém, o vídeo-árbitro anulou um gol de Ribéry por impedimento. As esperanças dos aurinegros de se aproximar do ataque eram em vão. Afinal, os contragolpes dos bávaros não concediam perdão, com muita velocidade proporcionada pelo quarteto de meias. O segundo gol saiu aos 13, após desarme, com James servindo David Alaba e recebendo de volta para concluir.

Com mais posse de bola, o Dortmund não tinha a contundência dos rivais. E o Bayern sacramentou a vitória com 23 minutos, em mais um contragolpe imparável. Em nova roubada de bola, James cruzou a Müller, deixando o seu. O duelo caiu um pouco de ritmo, com Stöger arrumando seu meio-campo com a entrada de Julian Weigl aos 30, após uma atuação tenebrosa de Gonzalo Castro. Contudo, os bávaros seguiam à espreita. Pouco antes do intervalo, aumentaram o atropelamento. Em lance de persistência de Ribéry na linha de fundo, Lewandowski esticou o bico da chuteira para fazer mais um. Já no minuto seguinte, atordoado, o BVB foi envolvido, o mais bonito da noite. James deu um passe magistral com a parte externa do pé e Ribéry foi tão bem quanto, tocando por cobertura.

No segundo tempo, o Bayern tirou o pé do acelerador. Heynckes aproveitou sua tranquilidade para fazer as alterações e o Dortmund tentou diminuir a vergonha, sem sucesso. Na melhor oportunidade, Mario Götze carimbou a trave. Mas não quer dizer que os bávaros desistiram totalmente de balançar as redes. Arriscaram uma vez ou outra contra a meta de Roman Bürki, sem exibir a mesma precisão. Até que Lewandowski completasse sua tripleta aos 43. Kimmich tabelou com Müller e cruzou para o polonês apenas fechar o caixão.

Não é segredo o descontentamento da torcida do Dortmund com Peter Stöger. Apesar da melhora nos resultados, dentro de campo o time sofre em todos os jogos. Mas nunca desta maneira, com uma derrota tão atordoante. Sinaliza claramente a queda de ambição dos aurinegros nos últimos meses, de diferentes formas, em um elenco que necessita de mudanças sensíveis. Tal goleada ao menos pode servir para acordar a todos. Esta é a segunda maior goleada da história do Klassiker. Supera os 5 a 0 do Bayern em 2008 e fica abaixo apenas do famoso 11 a 1 aplicado pelos alvirrubros em novembro de 1971. O Borussia ocupa o terceiro lugar na Bundesliga, com 48 pontos, mas sem grande folga na zona de classificação à Liga dos Campeões. É bom não se descuidar.

Já o Bayern de Munique dá uma boa resposta após a derrota para o RB Leipzig na rodada anterior. Que existam muitos deméritos dos oponentes nesta noite, não se nega a atuação completamente agressiva dos bávaros, com fome de grandes feitos na temporada. Lewandowski, James e Müller foram excepcionais. O problema agora será do Sevilla, para segurá-los na Liga dos Campeões. E a Bundesliga fica no papo. Abrindo 17 pontos de vantagem sobre o Schalke 04, os alvirrubros podem assegurar a Salva de Prata no próximo compromisso pela liga, visitando o Augsburg.