Um clássico entre Benfica e Sporting já chamaria a atenção no Campeonato Português. Pelas circunstâncias, muito mais: era a penúltima rodada, e o vencedor não só tiraria as chances do adversário para chegar à Liga dos Campeões, como seria o contendente único a tentar evitar o título do Porto na última rodada. E os dois times tentaram, inegavelmente. Só que o gol não veio. Ambos ficaram estacionados nos 78 pontos. Continuam com chances de jogarem o torneio continental. Mas têm de amargar a festa do terceiro rival, que não estava em campo: o Porto é campeão português, pela 28ª vez em sua história.

O ritmo acelerado do jogo só foi interrompido no começo: teve de ser parado por dois minutos e quarenta segundos, pela fumaça no campo do José Alvalade, devido aos sinalizadores atirados pela torcida sportinguista. Bola rolando de novo, as chances vieram de parte a parte. A primeira estocada foi benfiquista: aos oito minutos, Raúl Jiménez inverteu o jogo com um lançamento para a área. Do outro lado, Rafa Silva superou a marcação de Cristiano Piccini e tocou na saída de Rui Patrício. A bola foi lentamente para a trave do goleiro dos Leões.

Aos 21 minutos, a bola na trave foi sportinguista, com William Carvalho – mas o juiz Carlos Xistra anulou a jogada, por impedimento do meio-campista. Mas os mandantes seguiram em busca do gol. Aos 32 minutos, ele quase veio, num voleio forte de Fábio Coentrão, agarrado com dificuldades por Bruno Varela. A pressão final foi dos visitantes encarnados. Aos 38, num chute forte de Rafa Silva, rebatido por Rui Patricio. E aos 43, Andreas Samaris apareceu na área e chutou cruzado – Rui Patrício aparentemente desviou, mas Carlos Xistra ordenou tiro de meta, para irritação do volante grego do Benfica.

Curiosamente, o segundo tempo também começou com interrupção – esta, até mais longa: por cerca de cinco minutos, o jogo foi parado, pela queda dos cabos da câmera sobre o gramado do José Alvalade. Aos poucos, o Benfica começou a buscar mais o ataque, com as alterações que Rui Vitória fazia. Uma delas criou chance aos 24 minutos: recém-saído do banco, no lugar de Pizzi, Eduardo Salvio cruzou da direita, e Jiménez entrou finalizando de carrinho – para fora, à direita de Rui Patrício. No final, ainda veio ao campo Jonas. Mas nenhum deles conseguiu colocar a bola nas redes. Nem o Sporting, ofensivamente mais discreto na etapa complementar.

Resta a ambos buscar o lugar na Champions League, com o Sporting em vantagem. O título já é do Porto, após o tetra do Benfica. E para sempre ficará marcado o gol tardio de Héctor Herrera que definiu o clássico, há três rodadas.