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Benfica x Sevilla: O guia da decisão da Liga Europa

A Liga Europa não tem o glamour, o dinheiro ou os craques da Liga dos Campeões. Está muito longe disso, aliás. No entanto, mantém firme a capacidade de ser uma das competições mais diversas do planeta. E de, mesmo sem os grandes esquadrões, contar sempre com finais interessantes. A deste ano não foge da escrita: Benfica e Sevilla duelam nesta quarta-feira em Turim, em uma disputa com significado bem mais profundo do que a mera conquista da taça.

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Shakhtar Donetsk, Atlético de Madrid, Porto e Chelsea, os últimos campeões, mostraram que os frutos colhidos na Liga Europa também podem refletir em outras competições, mesmo na Champions. O trampolim para um processo de fortalecimento, no qual a conquista do troféu continental não precisa ser necessariamente o ápice. O que esperam portugueses e espanhóis, ainda que a simples vitória no Juventus Stadium já recuperará o gosto de estar novamente no topo da Europa, que não sentem há tempos. Promessa de um bom duelo, para o qual você pode se preparar conferindo o guia que preparamos, abaixo:

Benfica

Italy Soccer Europa League

A importância do título

O Benfica é bicampeão europeu. Taças importantíssimas, que marcam o maior esquadrão da história de Portugal. Um tanto quanto empoeiradas, por conta de uma maldição. Quando Béla Guttmann deixou o Estádio da Luz, sem receber a proposta que almejava para seguir como técnico, afirmou que os encarnados não triunfariam novamente em um torneio continental em 100 anos. Desde então, são sete vices. Desta vez, a diretoria benfiquista ergueu até mesmo uma estátua para o húngaro, esperando que a praga tenha fim. Afinal, a Liga Europa é hoje a principal glória no alcance dos portugueses para reafirmar o poderio no continente. Ficar com a taça neste ano seria uma forma de responder aos dois títulos do Porto na última década. E também de honrar Eusébio e Coluna, ídolos incontestáveis que morreram nos últimos meses.

Ponto forte

O embalo. O Benfica transformou uma temporada desgraçada como a passada, em que foi três vezes vice-campeão, em um ano de glórias. O time de Jorge Jesus conquistou o Portuguesão e a Taça da Liga, além de estar na decisão da Taça de Portugal e da Liga Europa. E a final em Turim certamente contará com mais gana dos encarnados do que em qualquer outra ocasião. É verdade que o time foi mal na fase de grupos da Champions, mas os números gerais em 2013/14 são muito bons: apenas cinco derrotas em 55 partidas. A própria campanha na LE segue invicta, com seis vitórias em oito jogos – e empates difíceis de conquistar, fora de casa contra Tottenham e Juventus.

Ponto fraco

Os desfalques. Jorge Jesus terá que se virar com três perdas importantes em seu time titular: Enzo Pérez, Lazar Markovic e Eduardo Salvio estão suspensos. Os dois primeiros foram expulsos no jogo de volta contra a Juve, enquanto Salvio fica de fora por acumular amarelos. Será delicado repensar o time sem o motor do meio-campo, além dos pontas mais frequentes no esquema de jogo dos encarnados. Sem o trio, Rodrigo e Lima ficam sobrecarregados no ataque, enquanto Rubén Amorim e Ljubomir Fejsa terão que carregar o piano sozinhos.

O cara

APTOPIX Portugal Soccer Europa League

Ezequiel Garay. O pilar do Benfica é a sua defesa. Luisão já não está mais no auge de sua capacidade física, mas possui liderança e experiência. Ao seu lado, para compensar, conta com toda a vitalidade de Garay. O zagueiro argentino tem ótimo senso de antecipação e força para ser soberano dentro da área. Mais do que isso, também é uma arma extra nas subidas ao ataque, com oito gols na temporada – o quarto artilheiro dos lisboetas. Não à toa, é cobiçado no mercado de transferências. Enquanto permanece no Estádio da Luz, garante ótimos números defensivos ao time de Jorge Jesus, com apenas 35 gols sofridos em 55 jogos.

Momento mais marcante da campanha

Fracassada na fase de grupos da Liga dos Campeões, a Juventus pintou na Liga Europa como favorita ao título. Vinha nadando de braçada na Serie A, com o melhor aproveitamento nas cinco grandes ligas europeias; tinha o elenco mais qualificado; e também estava motivada pela chance de disputar a final em casa, no estádio de Turim. O problema é que o Benfica barrou a pedreira nas semifinais. A boa atuação no Estádio da Luz garantiu a vantagem na ida, com a vitória por 2 a 1 – sendo preciso no ataque e contendo a pressão atrás. Já na visita ao Juventus Stadium, pesou o heroísmo dos lisboetas ao segurarem o 0 a 0 com a Velha Senhora, mesmo diante de um bombardeio contra sua meta.

Histórico nas competições europeias

O Benfica soma 53 participações em torneios continentais, a quarta maior marca dentro todos os clubes europeus – atrás apenas de Real Madrid, Barcelona e Anderlecht. Uma trajetória expressiva, notabilizada pelo domínio na Copa dos Campeões durante a década de 1960, quando foi bicampeão e três vezes vice. A hegemonia foi perdida com o fim da geração de Eusébio e Coluna, nos anos 1970, ainda que o time dominasse o Português. Aos poucos, a disputa nos torneios domésticos também ficou mais acirrada, e os encarnados passaram a entrar na Recopa e na Copa da Uefa. Entre 1988 e 1990, a recuperação do prestígio com mais dois vices da Champions, antes de um período de vacas magras. Somente nos últimos anos é que o Benfica recuperou um pouco de espaço – desde 2009/10, foram duas vezes entre os oito melhores da Champions e três chegando ao menos às semifinais da Liga Europa.

Sevilla

Spain Soccer Europa League

A importância do título

O Sevilla tem um título espanhol na sua sala de troféus, além de quatro vice-campeonatos. Um passado já distante, limitado às décadas de 1940 e 1950. Hoje, os andaluzes têm consciência total que só com um milagre disputarão La Liga com o Real Madrid e Barcelona. Por isso mesmo, se agarram à chance na Liga Europa, a conquista mais importante que está em suas possibilidades. O bicampeonato em 2006 e 2007 serviu para marcar uma ótima geração no Ramón-Sánchez Pizjuán, estrelada por Palop, Kanouté, Jesús Navas, Luís Fabiano e Dani Alves. Reconquistar a taça seria aproximar o elenco atual dos grandes times da história do Sevilla.

Ponto forte

As opções ofensivas. É o quarto melhor ataque do Espanhol, atrás apenas dos líderes. Já nos mata-matas da Liga Europa, os homens de frente de Unai Emery têm resolvido à medida que o cinto aperta para o Sevilla. Carlos Bacca é a principal referência do setor, combinando mobilidade e poder de decisão em sua excelente temporada de estreia, com 21 gols. Está bem apoiado por Rakitic, Vitolo e Mbia no meio-campo, enquanto Gameiro pode ser tanto um bom parceiro quanto um substituto eficaz. Além disso, a bola parada vem sendo uma arma e tanto para a equipe.

Ponto fraco

A irregularidade. A campanha toda do Sevilla tem combinado momentos excelentes com atuações abaixo da crítica, ficando a um triz da eliminação diversas vezes. A sorte é que o poder de superação da equipe também é grande, evitando prejuízos maiores especialmente contra Betis, Porto e Valencia. A defesa costuma dar muitas brechas nos cruzamentos, o que deixou os rojiblancos em apuros algumas vezes.

O cara

rakitic

Luka Modric e Mario Mandzukic são os jogadores croatas mais badalados às vésperas da Copa. Ainda assim, talvez nenhum dos dois seja o atleta do país em melhor fase. Ivan Rakitic está jogando muita bola pelo Sevilla. É o maestro dos rojiblancos, o cara que faz os companheiros orbitarem ao seu redor. São 15 gols e 18 assistências na temporada, o jogador mais produtivo do ataque, empatado com Carlos Bacca. Na Liga Europa seus números são menos expressivos do que no Espanhol. Mesmo assim, a torcida confia na precisão de seu pé direito.

Momento mais marcante da campanha

O gol de Mbia contra o Valencia, que garantiu a classificação à final aos 49 do segundo tempo, certamente foi emocionante. Mas nem isso supera o gostinho da torcida rojiblanca nas oitavas de final, quando pôde eliminar o Betis. Os rivais estavam com a vaga nas mãos, ao vencerem por 2 a 0 o jogo de ida dentro do Ramón Sánchez-Pizjuán. Entretanto, o Sevilla estragou a festa dos verdiblancos no Benito Villamarín ao repetir os 2 a 0, gols de Reyes e Bacca, e comemorar a classificação nos pênaltis, diante de 48 mil olhares atônitos. O dérbi mais importante da história de Sevilha, que impulsionou a campanha dos rojiblancos e decretou a desgraça do Betis, que acabou rebaixado no Campeonato Espanhol.

Histórico nas competições europeias

O Sevilla soma 17 participações nos torneios continentais. A presença europeia, no entanto, só se tornou mais comum a partir de 2005. Antes disso, apenas aparições esporádicas na Copa da Uefa e da Recopa, bem como à estreia justamente na Copa dos Campeões de 1958, quando caiu para o Real Madrid nas quartas de final. Já na última década, os andaluzes se estabeleceram no pelotão intermediário de La Liga e se tornaram figurinhas carimbadas na Copa da Uefa/Liga Europa. Chegaram às glórias com o bicampeonato em 2006 e 2007, batendo Middlesbrough e Espanyol nas decisões. Desde 2004/05, os rojiblancos só se ausentaram do torneio em três temporadas – em duas delas, porque estavam na Champions.

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