É comum na Inglaterra que os pais ajudem a treinar as equipes de esporte da escola dos filhos. Na maioria das vezes, são entusiastas sem grande conhecimento especializado que se concentram mais no espírito de equipe e na disciplina, até porque não tem muito como aplicar com sucesso um 4-3-3, com pressão alta, sobreposições internas, saída de bola Lavolpiana e marcação por zona com um time de crianças amadoras. Mas e quando um desses pais é campeão europeu?

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Rafa Benítez, após ser demitido pelo Liverpool, permaneceu na cidade, com a qual desenvolveu uma forte ligação durante o período em que treinou os Reds. Para matar o tempo, foi visitar a filha Agata na escola e viu um dos pais treinando a equipe de futebol masculino. Uma semana depois, voltou e se ofereceu para ajudá-lo. “Ele disse: ‘ok'”, contou o atual treinador do Newcastle ao podcast do The Times.

Essa história já era conhecida para quem o acompanha de perto, mas Benítez, nesta entrevista, deu detalhes de sua estreia como auxiliar técnico da escola primária de St. Bridget’s. Contou que o time adversário tinha um goleiro alto que devolvia a bola com longos lançamentos e um lateral direito baixo. A sua equipe tinha um canhoto bem talentoso atuando no meio-campo. No intervalo, deu a dica para o treinador principal.

“Eu disse: ‘Por que você não coloca este (o canhoto talentoso) que é rápido e tem habilidade na ponta esquerda contra o lateral direito? Eles fizeram isso e venceram”, disse Benítez. No entanto, os outros pais não gostaram muito da ideia. “Eles reclamaram: ‘Vocês têm um profissional dando conselhos, isso não é justo’. Então, eu decidi não ir mais para não arrumar problemas”, contou Benítez.

A mulher de Benítez, Montse, já havia dito ao Liverpool Echo, em 2011, que o marido precisou desistir de ajudar os times de futebol da escola da filha. “Recentemente, o St. Bridget’s venceu e o outro time reclamou para o árbitro que eles tinham um treinador profissional, e Rafa explicou: ‘mas eu sou só mais um pai da escola'”, contou.

Ela também contou ao Guardian, em 2016, que o treinador espanhol atuava nos jogos da escola como se estivesse, por exemplo, perdendo uma final de Champions League por 3 a 0 no primeiro tempo. “Era hilário. Ele ficava na linha lateral e gritava como se fosse um jogo de primeira divisão, balançando os braços”, disse.

Tudo isso pela paixão pelo jogo: Benítez simplesmente não conseguia ficar longe dos gramados quando estava entre empregos. Quer dizer, a não ser que os pais reclamassem muito.