Karim Benzema começou a Copa do Mundo de forma extraordinária. Gols (até mesmo aqueles que não contaram), pênalti perdido, movimentação intensa e forte presença de área foram as marcas do atacante nos primeiros jogos dos Bleus. No entanto, o jogador vem caindo de produção exatamente na hora mais crucial do torneio. Esta queda deixa os torcedores preocupados nas horas que antecedem o duelo contra a Alemanha, no Maracanã, pelas quartas de final.

LEIA MAIS: Escolhemos pra você cornetar: 5 jogaços, 5 craques e 5 golaços da Copa até agora

O problema, porém, não atinge apenas Benzema. A preferência de Didier Deschamps por Olivier Giroud na partida contra a Nigéria se mostrou um fiasco. Tanto que a entrada de Griezmann no segundo tempo foi a chave para a França finalmente ter um ataque mais agressivo e eficiente. Giroud pareceu perdido em campo, destoando dos demais companheiros e sem a mesma qualidade técnica exigida para alguém que se presta a buscar o jogo no meio-campo. Na maioria das jogadas nas quais recuou um pouco mais, ele foi facilmente engolido pela marcação dos africanos.

Voltemos a Benzema. Após duas partidas, ele apresentava números expressivos: três gols marcados e duas assistências – sem dúvida, o grande destaque ofensivo de um time que mereceu todos os elogios pelo seu nível de atuação diante de Honduras e Suíça. No duelo contra o Equador, quando todos colocaram o pé no freio, Benzema ainda apareceu bem com cinco finalizações, mas a partida contra a Nigéria deixou dúvidas.

Benzema deu as mesmas cinco finalizações do jogo contra os equatorianos, mas passou praticamente uma hora sumido em campo. Deschamps preferiu montar a mesma linha ofensiva que iniciou o confronto contra a Suíça, com Benzema pela esquerda e Giroud como centroavante. É de conhecimento público que este não é o posicionamento preferido dele, mas o bom entendimento com seu colega e a goleada diante dos suíços davam a impressão de que era um problema já superado. Não era.

Tanto Benzema quanto Giroud ficaram completamente à margem do jogo. O atacante do Real Madrid praticamente não chutou ao gol, e muito menos participou das ações defensivas como se exige. A situação só mudou quando Griezmann entrou no lugar de Giroud e ocupou o flanco, deslocando Benzema para o meio. Foi então que as coisas passaram a fncionar e tudo se encaixou.

Determinante para a mudança de postura dos Bleus, Griezmann tem em suas mãos a chance de começar como titular diante dos alemães. Basta Deschamps confiar no potencial do garoto e apostar na maior profundidade de jogo quando ele está em campo. Com um Giroud parado dentro da área e Benzema longe dela, as chances de furar a defesa do Nationaelf se reduzem drasticamente.

VEJA TAMBÉM: Benzema destruiu a Suíça por todos os lados

Ponto positivo

Se o ataque deixa Deschamps com dores de cabeça, ao menos na defesa o treinador pode ficar sossegado (pelo menos em teoria). Apesar da pouca idade (21 anos), Raphaël Varane se tornou o dono da posição de forma incontestável. Apesar dos problemas físicos que o acompanham desde o fim da temporada, o zagueiro mostrou desde o início da Copa uma maturidade e tranquilidade impressionantes.

Quando tinha 17 anos, Varane jogou a Ligue 1 como titular do Lens. Um ano depois, ele já assinava com o Real Madrid. Uma ascensão tão rápida poderia mexer com a cabeça do jovem jogador, mas felizmente o glamour por atuar em um clube do quilate dos Merengues não o afetou. Aos poucos, conquistou o posto de titular da equipe espanhola e prova na seleção suas qualidades também como líder.

Nem mesmo as mudanças no miolo de zaga alteram sua calma na hora de conter os avanços dos rivais. Por seu perfil, Varane tem um estilo complementar ao de Mamadou Sakho, mas isso não quer dizer que a dupla com Laurent Koscielny seja um desastre retumbante. O zagueiro do Real Madrid não se destaca pelo combate físico; sua prioridade é se antecipar à jogada graça aos seu bom posicionamento.

VEJA TAMBÉM: O futebol de Gibraltar decola na Champions e já tem sua cena folclórica

Em 299 minutos em campo nesta Copa, Varane não cometeu uma falta sequer – marca difícil de ampliar tendo em vista o duelo contra a Alemanha e seu ataque veloz. O zagueiro admite que precisa evoluir, principalmente nas divididas. E, claro, cuidar muito bem do seu joelho direito – que lhe rendeu preocupações durante boa parte da temporada e até colocou em dúvida sua presença na lista final de Deschamps.

Como o treinador não gosta de mexer tanto em time que está ganhando, Varane deve ter mesmo Sakho como seu companheiro de zaga diante dos alemães. Nas laterais, nenhuma surpresa com Débuchy e Evra. Da mesma forma, o meio-campo vai com Pogba, Matuidi e Cabaye, muito embora Sissoko tenha ganhado pontos preciosos. A grande questão, como já discutido no tópico anterior, está na formação do ataque.

Enquanto todos discutem se Griezmann deve ganhar a vaga de Giroud, há outra possibilidade interessante para Deschamps explorar. Devido à característica dos laterais da Alemanha de ter pouca velocidade, não seria surpresa ver o velocista Rémy entre os titulares. A tendência, porém, é a formação com Valbuena, Benzema centralizado e Griezmann pela esquerda, com a aposta no toque de bola rápido para desestabilizar uma defesa lenta.