O campeão brasileiro de 2013 estreou, de fato, na Copa Libertadores de 2014 contra a Universidad de Chile, sua primeira grande atuação. Mas parece não ter saído do Mineirão. O Cruzeiro conviveu com um sério problema de bipolaridade nesta primeira metade da fase de grupos do torneio continental. Jogou muito bem em casa, mas, em contrapartida, ficou muito abaixo da crítica nos jogos fora. A atuação contra o Defensor é um exemplo disso. Noite pouquíssimo inspirada da equipe celeste na visita ao Estádio Luis Franzini, com os mineiros derrotados por 2 a 0.

O Cruzeiro até fez um bom papel nos primeiros minutos de jogo. Era ele quem propunha o jogo aos uruguaios. Entretanto, contra um adversário muito bem composto, mal conseguiu ameaçar a meta do goleiro Campaña. Marcelo Moreno mais se atrapalhou do que criou no ataque, enquanto o trio formado por Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Dagoberto falhava demais na pontaria. E, nos acréscimos da primeira etapa, o Defensor deu uma mostra do que iria aprontar, com uma cabeçada de Malvino que parou na trave.

O segundo tempo foi emblemático. Tanto pela vontade do Defensor quanto pela inoperância do Cruzeiro. A tragédia começou a ser escrita quando Felipe Gedoz cobrou falta no capricho e não deu nem tempo de Fábio reagir, abrindo o placar. Aumentou quando os cruzeirenses tinham seu fio de esperança, após a expulsão de Arias por pênalti de decisão questionável em Ricardo Goulart. Mas Dagoberto errou o gol por muito. E, mesmo com um a mais, os visitantes tomaram o segundo gol em um contra-ataque. De Arrascaeta fez uma jogada sensacional ao chapelar dois adversários e deixar Gedoz deixar em ótimas condições para fazer mais um.

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Obviamente, o Defensor tem seus méritos. Seguiu à risca sua proposta de jogo, dando poucos espaços à rápida transição do Cruzeiro e apostando nas bolas paradas. Gedoz foi o grande nome da partida, principal arma dos violetas. Mas De Arrascaeta, promessa das seleções uruguaias de base, também precisa ser acompanhado de perto. E, junto com a eficiência dos anfitriões, houve o excesso de erros do Cruzeiro.

Talvez esperar pelo desempenho avassalador do Brasileirão de 2013 seja um pouco demais. Mais do que um bom time, a Raposa vivia um embalo impressionante naquela campanha. De qualquer forma, também não dá para acreditar que o mesmo elenco caia tanto de nível após poucos meses. A leveza que tanto marcou os celestes no último ano foi perdida em meio à ansiedade nesses dois jogos fora de casa na Libertadores. Algo para Marcelo Oliveira resolver o quanto antes.

Se o Defensor mostrou suas qualidades, Real Garcilaso e Universidad de Chile não podem ser ignorados. E um grupo que se pintava como tranquilo para os mineiros vai se tornando complicado. Nenhum dos visitantes venceu. E, se quiser mesmo passar (e com uma boa posição) para as oitavas de final, o Cruzeiro terá que buscar os pontos contra La U em Santiago. A situação não é tão crítica, mas preocupante, diante de tamanha apatia.