Dez perguntas para Marina Silva responder para "qualquer um"

04/03/2013 às 00:06, por [ Caio Maia ]

(Aviso importante aos trivelistas: este é um post de política. Não tem absolutamente nada de esporte. O blog está de mudança daqui, vai falar também de outros assuntos, e eu não quis esperar pra não perder o tema! Prometo, porém, para breve, uma entusiasmada defesa do Wenger.)

Em 2010, eu editava uma revista de sustentabilidade. Era, como qualquer pessoa inteligente, crítico tanto a PSDB quanto a PT, e sentia falta de gente que pudesse pensar o país por uma lógica mais moderna. Naturalmente, portanto, não tinha como não me empolgar com a perspectiva de uma candidatura presidencial de Marina Silva – ainda que pelo Partido Verde de Sarney Filho e de tantos outros adesistas.

Marina trazia não só suas credenciais. Trazia também a de muita gente boa, honesta e idealista, como os empresários Guilherme Leal e Ricardo Young. Presenças que provavelmente serviram para disfarçar uma enorme ausência: a de qualquer tipo de proposta efetiva de país. O que pretendia e pretende Marina Silva se chegar ao poder?

Queria eu saber em 2010, quando solicitei a sua assessoria uma entrevista para a Sustenta!. Marina, porém, não podia falar com a gente. “Desculpa, querido, agora tou preocupado com a Veja, não dá pra ela ficar conversando com qualquer um”, foi o que eu ouvi. Sério, não tou sacaneando. Estranhei, ruminei, mas depois deixei pra lá – se falar com a Veja ao invés de falar com “qualquer um” pudesse fazer uma diferença para todo mundo, que assim fosse.

Mas não foi. Nem para a Veja, nem para ninguém, Marina conseguiu em algum momento dizer como seria seu governo. A melhor frase que ouvi dela foi algo na linha de “programa de governo a gente faz depois que ganha”. Imagino que Fernando Collor de Mello tenha pensado assim – ou talvez não, ele pelo menos tinha uma agenda, ainda que lamentável.

Queria ter entrevistado Marina Silva em 2010, quando eu era “qualquer um”, e continuo querendo em 2013, quando sou ainda mais “qualquer um”, já que nem edito mais uma revista de sustentabilidade. Mas não vou pedir a entrevista, não. Aí, Marina, as perguntas estão aí, no melhor espírito da “rede”. Se você achar e quiser responder para “qualquer um”, a “comunidade” agradece.

1- A senhora disse recentemente que Dilma não entende a “nova economia”. Já que a senhora a entende, o que a diferencia da antiga? E de que maneira um eventual governo seu ou da Rede pretende promover o crescimento econômico do Brasil?

2- O estatuto da Rede fala em “função social da terra”. Um governo da Rede pretende realizar uma reforma agrária? Em que moldes?

3- Seu programa, como aliás todos os programas “progressistas”, fala em “democratização dos meios de comunicação”. O que significa isso? É dar TV para “os movimentos sociais”? Para as igrejas, pelo menos as que ainda não têm? A SENHORA VAI COLOCAR LIMITES À PROPRIEDADE CRUZADA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, OU SEJA, VAI MEXER COM A GLOBO?

4- A senhora conhece a carreira política de Walter Feldman, um dos três parlamentares a aderir de imediato a seu partido? É esse o tipo de parlamentar que devemos esperar encontrar na Rede?

5- Seu partido não vai aceitar doações de empresas que produzam armas, agrotóxicos, fumo ou bebidas. Mas vai aceitar de empreiteiras? E de bancos?

6- No documento “7 Motivos Para Apoiar a Rede”, o segundo “Motivo” é a diversidade. “Queremos que a #REDE seja um espaço de respeito e valorização das diferenças, um espaço acolhedor para pessoas de qualquer origem, sexo, raça, credo, cor ou idade”, diz o manifesto. Isto quer dizer que seu partido apóia o direito de qualquer pessoa de casar com quem bem entenda, certo? INCLUSIVE COM PESSOAS DO MESMO SEXO?

7- O consumo de drogas é questão que envolve aspectos principalmente de saúde pública e segurança, mas também de liberdades individuais. A senhora já se manifestou contra a legalização do consumo da maconha, prática que muitos países têm adotado depois de numerosos estudos. Seu posicionamento está baseado em algum estudo em outra direção ou apenas em uma questão pessoal e religiosa? E, neste sentido, quanto os eleitores podem esperar que seus posicionamentos políticos serão baseados em questões pessoais e religiosas?

8- O manifesto da Rede promete universalizar não só educação de qualidade como também saúde de qualidade. A Rede tem um programa para isso ou, como a senhora disse em 2010, vai decidir como fazer isso depois que ganhar a eleição?

9- O que a senhora acha de igrejas como a Universal, que possui, entre outros bens e empresas, a segunda maior rede de televisão do Brasil, estarem isentas de impostos?

10- Se a senhora, como aconteceu nos dois últimos partidos aos quais pertenceu, for alijada do grupo de comando da Rede deixará o partido para formar outro?

Que a rede nos ajude e Marina nos responda!