O bagaço da laranja?
24/07/2012 às 13:49, por [ Eduardo Zobaran ]
“Fui num pagode, acabou a comida
Acabou a bebida, acabou a canja
Sobrou pra mim o bagaço da laranja
Sobrou pra mim o bagaço da laranja”
O Botafogo perdia por 1 a 0 aos 40 e poucos minutos do segundo tempo no último domingo quando a torcida teve um estalo. O Seedorf já havia deixado em campo, em uma estreia sem brilho, mas também sem vexame, quando a arquibancada percebeu que aquele jogo era do Grêmio, não tinha jeito. E que isso não era o fim do mundo. A torcida se inflamou, gritou Ninguém Cala, cantou o hino do clube e deixou o Engenhão certa de que, muito mais do que uma estrela internacional, é dela que o clube mais precisa.
Foi um jogo atípico e não pela derrota no primeiro jogo da maior contratação do clube nos últimos anos, provavelmente a mais midiática de sua história. O resultado era até provável na cabeça de muitos botafoguenses, com suas manias, idiossincrasias e neuroses. O que surpreendeu no Engenhão foi a renovação do astral da torcida, algo que não se via há algum tempo – ainda que, vira e mexe, o Botafogo seja apontado como um time que joga bonito.
No domingo, o time esteve longe de praticar o jogo bonito. Num dia em que quase todos os jogadores estiveram abaixo do seu nível normal, a equipe não deixou de ser competitiva e poderia ter saído com resultado melhor. A impressão que ficou, por sinal, é de que o time balançou com a partida. Não pelos mais de 35 mil torcedores no Engenhão. Muito mais pelo craque internacional, que todos – inclusive jogadores – estavam na expectativa de ver fazer uma boa apresentação.
Seedorf não tocou muito na bola. Ainda que alguns tenham visto genialidade em cada ajeitada no calção, não teve nem lampejos. Era um jogador claramente sem ritmo de jogo, que, mesmo assim, conseguiu atuar sem comprometer a equipe. A primeira impressão é de que não pode ser o camisa 10, mas tem total condição de ajudar na armação das jogadas da equipe, principalmente no início delas. Pensa rápido e gosta de tocar de primeira, mas precisa conhecer melhor seus companheiros.
Não precisa ser nenhum especialista em futebol para notar que o Botafogo perdeu em conjunto com a entrada do surinamês, já atuou pior do que na maioria dos últimos jogos. Mas o curioso foi notar que as trombetas do apocalipse, que costumam soar de dentro para fora quando o assunto é o clube da estrela solitária, fizeram um caminho inverso. Dessa vez, as críticas mais pesadas à atuação de Seedorf vieram de torcedores de outros times. E isso, tratando-se de Botafogo, é quase histórico.

