O futebol de Bogotá retornou ao seu esplendor nesta década. Se a quantidade de craques das duas potências locais não é a mesma dos tempos de El Dorado, na virada da década de 1950, a relevância de Millonarios e Independiente Santa Fe não se nega. Em 2012, os dois clubes encerraram longos jejuns no Campeonato Colombiano. Os albirrojos acabaram com uma seca de 37 anos, meses antes que os albiazules também botassem fim à espera de 24 anos. O Santa Fe se manteve um passo à frente, erguendo ainda mais duas taças, em 2014 e 2016, além de ter faturado a Copa Sul-Americana em 2015, na qual os rivais haviam sido semifinalistas pouco antes. Já nas próximas semanas, será inescapável: a glória de um significará a desgraça do outro. Pela primeira vez na história, o clássico de Bogotá decidirá o campeão nacional, valendo o troféu do Torneio Finalización.

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Esta não será a primeira vez que Santa Fe e Millonarios compartilham as duas primeiras colocações do Campeonato Colombiano. O cenário aconteceu anteriormente em 1958, 1963 e 1975. A diferença é que, nas três ocasiões, o formato do torneio era diferente, sem uma decisão que valesse a taça. Em 1958, os albirrojos ficaram um ponto à frente na tabela de pontos corridos, enquanto os albiazules deram o troco cinco anos depois. Já em 1975, o Santa Fe conquistou o hexagonal final batendo o Independiente Medellín na última partida, três pontos à frente dos rivais. São 20 duelos por fases finais, mas nunca em uma decisão, com o formato instituído desde 2002. O mais próximo aconteceu em 2011, quando ambos caíram nas semifinais. Já em 2013, na única final disputada entre eles, o Santa Fe faturou a Superliga Colombiana.

Segundo colocado na fase de classificação do Finalización, o Santa Fe eliminou o Jaguares de Córdoba nas quartas de final. Já nas semifinais, teve trabalho contra o Deportes Tolima. Ganhou a ida fora de casa por 1 a 0, mas dependeu de um gol aos 36 do segundo tempo para buscar o empate por 1 a 1 no Estádio El Campín. Juan Daniel Roa, que não balançava as redes havia dois anos, foi o herói. Treinados pelo uruguaio Gregorio Pérez, os Cardenales possuem um elenco renovado em relação aos sucessos recentes. Ainda assim, contam com a cátedra do ídolo Omar Pérez, que segue envergando a camisa 10 e costuma entrar nos minutos finais das partidas.

Já o Millonarios terminou em quarto na primeira fase. Os Embajadores superaram La Equidad nas quartas de final, antes de frustrarem o América de Cali nas semis. A classificação também se consumou fora de casa, batendo os Diablos Rojos por 2 a 1 no Pascual Guerrero. Neste domingo, carimbaram a vaga ao segurarem o empate por 0 a 0, com grande atuação do goleiro uruguaio Nicolás Vikonis. Artilheiro do Finalización, o atacante Ayron del Valle é a referência ofensiva, apoiado por Duvier Riascos. Já o treinador é Miguel Ángel Russo, campeão da Libertadores com o Boca Juniors em 2007.

As finais do Finalización estão marcadas para a próxima quarta e para o domingo seguinte. Certamente não se falará sobre outra coisa em Bogotá, em meio à rivalidade fervilhante. A própria imprensa local já classifica este como o maior clássico da história da cidade. Que o espetáculo impere em campo e nas arquibancadas.