Gary Lineker foi um grande atacante e, como comentarista, não tem papas na língua. Deu uma entrevista para a revista GQ em que criticou duramente a Fifa e o presidente Joseph Blatter. O seu principal descontentamento foi a escolha das sedes para 2018 e 2022. De um jeito bem inglês, afirmou que o seu país deveria boicotar a Copa do Mundo e se levantar contra o que está errado. Mas que não vai fazer isso porque tem muito em jogo.

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Um dos principais apresentadores da BBC, Lineker contou de quando estava comendo um hambúrguer com David Beckham antes das votações das sedes, em meio a um lobby para convencer os membros do comitê-executivo a votarem na Inglaterra. Disse que o primeiro-ministro David Cameron e o príncipe William faziam a mesma coisa. Mas os britânicos eram os únicos a fazer isso. “Isso cheira mal, já está decidido”, disse.

Ao menos a eleição do Catar está sendo investigada por um representante da Fifa chamado Michal García, e foi justamente essa a resposta da entidade às declarações de Lineker, que foi muito mais incisivo ao falar de Blatter e companhia. “Corrupção no primeiro escalão dá náuseas, todo o sistema da Fifa me deixa enjoado. Sepp Blatter comanda como se fosse um ditador há tanto tempo e sempre se defende falando coisas sem sentido”, disse.

O ex-atacante acha que há uma única solução para o problema: as nações “limpas” deveriam boicotar as futuras Copas do Mundo. Evidentemente, como ele não é bobo, sabe que isso nunca vai acontecer. Há muito dinheiro e pessoas envolvidas. “É um esporte de massa que significa muito para muitas pessoas. Deveríamos defender o que está certo, mesmo que isso significasse nunca mais sediar a Copa do Mundo. O único jeito de mudar seria os países limpos virarem as costas e dizerem: não vamos disputar seus torneios”, explicou.

Lineker também falou de coisas menos (ou talvez mais) importantes, como a formação de jogadores ingleses e os problemas de propagandas de casas de aposta. Afirmou que recebeu várias propostas para endossar bebidas alcoólicas, mas recusou para não passar um mau exemplo às crianças. É um bom entrevistado, tanto que recebeu várias solicitações da imprensa depois do papo com a GQ. “Mas eu estou de férias. Vocês não podem comprar a revista”, escreveu no Twitter.