Pelé ganhou sete Bolas de Ouro. Em 1958, 1961, 63, 64, 67, 69 e 70. O que é isso? O mundo da fantasia? Exatamente. A Trivela imaginou o que aconteceria se a revista France Football permitisse que jogadores sem nacionalidade europeia e que atuassem em qualquer clube do mundo pudessem ser votados. E o resultado é que o maior jogador da história chegaria até os dias de hoje com o maior número de conquistas na principal premiação individual do futebol, três a mais que Lionel Messi. Entenda a nossa avaliação e, por favor, discorde dela!

1957

Perderia de Di Stéfano, que fez 48 gols em 47 jogos e foi campeão europeu e espanhol pelo Real Madrid. Pelé não ganhou títulos e fez 41 gols em 38 jogos. Foi seu primeiro ano como profissional.

1958

Didi foi o melhor da Copa do Mundo, mas Pelé marcou 75 gols, um recorde para uma única temporada que só seria batido em 2011/12 por Lionel Messi. Foram 58 no Paulistão, oito no Rio São-Paulo e mais nova pela seleção brasileira, inclusive seis no Mundial da Suécia. No confronto direto com Raymond Kopa, vencedor daquele ano, balançou a rede três vezes na vitória por 5 a 2 sobre a França. Didi era mais conhecido, mais experiente, mas a repercussão do feito daquele craque com cara de criança seria enorme. Bola de Ouro para ele.

1959

Pelé deu um banho em Di Stéfano em número de gols, mas conquistou apenas o Torneio Rio São-Paulo. O argentino, com 37 gols em 41 jogos e liderou o Real Madrid à conquista da Copa dos Campeões. Na balança, o título europeu pesaria mais na votação, embora naquela época ele não fosse tão valorizado quanto é atualmente.

1960

Foi um ano “ruim” para Pelé, que jogou 33 partidas oficiais – fez 33 gols – e conquistou apenas o Campeonato Paulista. O vencedor da Bola de Ouro naquele ano foi o espanhol Luis Suárez, campeão espanhol, da Taça das Cidades com Feiras, um embrião da Copa Uefa, e um dos principais responsáveis pela eliminação do Real Madrid na Copa dos Campeões, depois de cinco títulos consecutivos do clube da capital espanhola. Marcou 17 vezes em 42 partidas pelo Barcelona, muito bom para um meia.

1961

Omar Sívori conquistou o italiano para a Juventus com média de quase um gol por jogo, mas Pelé foi espetacular naquele ano. Balançou a rede 62 vezes em 38 partidas, levou o Paulistão e a Taça Brasil. O Santos recebeu proposta do time de Turim, da Inter de Milão e do Milan de 600 milhões de liras, mais que o dobro da transferência recorde daquela época – Suárez para a Inter por 250 milhões. Ganharia sua segunda Bola de Ouro.

1962
Juntos, Pelé e Garrincha nunca perderam uma partida

Juntos, Pelé e Garrincha nunca perderam uma partida

Pelé repetiu os feitos do ano anterior e ainda somou uma Taça Libertadores e um Mundial de Clubes. No segundo jogo contra o Benfica, teve uma das melhores atuações da sua carreira. Garrincha também foi bem pelo Botafogo, com os títulos do Roberto Gomes Pedrosa e do Carioca. No fim, o Anjo das Pernas Tortas levaria o prêmio por ter carregado a seleção brasileira ao bicampeonato mundial no Chile enquanto Pelé estava machucado. Josef Masopust, campeão da Bola de Ouro por levar a Tchecoslováquia à final da Copa, ficaria chupando o dedo.

1963

Não haveria Copa do Mundo para atrapalhar Pelé. Com 51 gols em 36 partidas oficiais pelo Santos, voltou a ser campeão sul-americano e mundial, embora não tenha sido tão importante na vitória sobre o Milan. Seria mais do que o suficiente para superar o soviético Lev Yashin.

1964

Denis Law levou a Bola de Ouro pelas suas atuações no título inglês do Manchester United de 1964/65, com 28 gols em 36 jogos pela liga. Foi um título representativo por ser o primeiro do clube desde o desastre de Munique, sete anos antes. O simbolismo não seria suficiente para superar os três títulos de Pelé e seus 44 tentos em 31 partidas oficiais pelo Santos.

1965
Pelé e Eusébio foram dois dos maiores jogadores dos anos 1960

Pelé e Eusébio foram dois dos maiores jogadores dos anos 1960

Pelé foi muito bem. Levou a Taça Brasil e o Paulista pelo Santos e marcou 64 gols em 48 jogos, mas Eusébio teve um ano estupendo na Copa dos Campeões. Marcou duas vezes na goleada sobre o Real Madrid nas quartas de final de 1964/65 e levou o time até a final. Na primeira metade da edição seguinte, fez sete tentos. Isso sem contar as atuações no Campeonato Português, que o Benfica venceu com 88 gols em 26 jogos. Até pelo brasileiro ter vencido as últimas duas Bolas de Ouro, o português ganharia essa.

1966

Foi um dos piores anos de Pelé. O Santos venceu o Rio São-Paulo e ele nem entrou em campo. Não jogou sequer 15 partidas no Paulistão e se machucou na Copa do Mundo. O inglês Bobby Charlton, campeão mundial pelo time da casa, não perderia o prêmio de jeito nenhum.

1967

Também foi um ano complicado para o brasileiro, mas ele ganharia, meio que por inércia. Fez 17 gols 18 jogos pelo Paulistão e teve boas atuações no Roberto Gomes Pedrosa. O vencedor da Bola de Ouro naquele ano foi o húngaro Flórián Albert, que vinha de boas temporadas e nunca havia vencido. Talvez a France Football tenha aproveitado para premiá-lo porque ele fez um excelente campeonato nacional, mas, Ferenc Puskás que me perdoe, arrebentar no Hungarão não é o suficiente.

1968
O Manchester United levou a Copa dos Campeões com George Best arrebentando

O Manchester United levou a Copa dos Campeões com George Best arrebentando

Pelé não foi nem um pouco mal naquele ano e conquistou o Paulistão, o Roberto Gomes Pedrosa e uma Recopa dos Campeões Intercontinentais de alto nível, contra adversários como Racing, Peñarol, Inter de Milão e Real Madrid. No entanto, George Best foi estupendo no título europeu do Manchester United e, mesmo sendo ponta, fez gol à beça no Campeonato Inglês e manteria a Bola de Ouro.

1969

Gianni Rivera foi o dono do Milan campeão europeu, mas Pelé estava em forma. Fez 38 gols em 37 partidas por Campeonato Paulista e Robertão, e mais sete pelo Brasil em nove jogos. Um desses foi o milésimo da carreira dele, um feito que não passaria despercebido. Rivera foi às redes apenas seis vezes, pouco até para um meia naquela época. A disputa seria acirrada e o o título da Copa dos Campeões poderia ajudar a pender para o italiano, mas Pelé levaria sua sexta Bola de Ouro.

1970

Sem discussões, sem discussões. O vencedor foi o alemão Gerd Müller, que fez realmente uma Copa do Mundo muito boa, mas Pelé foi o melhor jogador do torneio e se consagrou tricampeão do mundo. Ganharia sua sétima Bola de Ouro.

1971 em diante

Pelé caiu muito de rendimento por conta da idade e do excesso de amistosos. Passou a jogar cada vez menos partidas oficiais e ganhou só mais um Paulistão pelo Santos. Ao mesmo tempo, surgiu uma concorrência pesada nas figuras de Johan Cruyff e Franz Beckenbauer. Ele ainda poderia ganhar alguns votos por inércia, mas seria improvável que conquistasse outra Bola de Ouro.