O Botafogo conseguiu uma vitória importante contra o Flamengo no clássico carioca do domingo, com um 2 a 0 no Engenhão. O destaque do jogo foi Roger, pelos dois gols que marcou, mas também o sistema defensivo do time. Seguro, sem dar espaços, limitou as chances de Guerrero. Conseguiu executar o seu jogo, já conhecido, com muita eficácia: marcação forte, sem espaços, dando campo ao adversário e explorá-lo com muita velocidade quando recupera a posse de bola. Uma vitória muito importante para o alvinegro encostar no G-6 e no próprio Flamengo, quinto colocado. O time chega empolgado para o jogo contra o Grêmio, no meio da semana, pela Libertadores.

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O técnico do Flamengo, Reinaldo Rueda, decidiu fazer mudanças no time que jogou o jogo de ida da final da Copa do Brasil na quinta-feira contra o Cruzeiro. Dos titulares daquele jogo, só Rodney começou jogando. Além dele, apenas Gustavo Cuéllar, que entrou no segundo tempo da partida de quinta. Diego Alves, Rhodolfo, Éverton Ribeiro e Geuvânio, que não puderam ser inscritos na Copa do Brasil, foram titulares. O contestado Rafael Vaz voltou ao time, assim como o lateral esquerdo Trauco. No meio, Rômulo e Cuéllar foram titulares. Matheus Sávio também começou o jogo, com Paolo Guerrero njo ataque, com a braçadeira de capitão.

O Botafogo de Jair Ventura veio com mais titulares. Não jogaram Rodrigo Lindoso, João Paulo e Marcos Vinícius, todos machucados. Leonardo Valencia começou como meia, com Pimpão de um lado e Bruno Silva de outro, dando o equilíbrio que o time se acostumou a ter. Roger ficou no comando de ataque do time.

Como esperado, o panorama do jogo era o Flamengo com o jogo cadenciado de passes e o Botafogo acelerando com a bola. Na sua proposta, o Botafogo era mais perigoso. Valencia e Pimpão eram os jogadores mais perigosos do Botafogo, que aceleravam muito e criavam boas chances.

A melhor chance do Flamengo veio em uma cobrança de falta de Guerrero, que Gatito fez uma grande defesa. Do outro lado, Roger teve uma boa chance de cabeça aos 34 minutos, que Diego Alves interveio com uma grande defesa. O cruzamento veio com Rodrigo Pimpão, que estava bem na partida. Guerrero ainda teria uma chance no final da primeira etapa, mas chutou para fora, bem marcado.

O Botafogo conseguiu abrir o placar no segundo tempo. Em cobrança de escanteio, Leo Valencia cobrou na área, Igor Rabello cabeceou na trave e, no rebote, Roger mandou para a rede: 1 a 0, aos 10 minutos. Logo depois, aos 12, Rhodolfo deu um chutão, a bola explodiu em Victor Luís e sobrou para Roger, que chutou para fora.

Rueda, então, colocou alguns dos seus titulares em campo. Tirou Geuvânio e lançou Berrío, depois tirou Rômulo e colocou Willian Arão. O Flamengo sofria para criar chances e via a sua posse de bola não se converter em chances. Ao mesmo tempo, o Botafogo era perigoso quando chegava. E chegou de novo para marcar 2 a 0.

Aos 23, Leo Valencia lançou em profundidade para Bruno Silva na direita, e o camisa 8 cruzou rasteiro para Roger tocar e marcar 2 a 0. Mais uma vez, a marcação não conseguiu lidar com o camisa 9 do Fogo, que se antecipou. A marcação do time de Rueda, um dos pontos que ele conseguiu melhorar desde que chegou, parecia perdida, desde o meio-campo até a última linha.

Rueda levou a campo Everton, tirando o apagado Matheus Sávio. O garoto pouco fez com a bola. Se a linha defensiva rubro-negra era titubeante, a do Botafogo teve uma atuação segura. O time não deu espaços e viu o Flamengo, mesmo com as mudanças, não conseguir vencer a defesa. Jair ainda tirou, no final do jogo, Pimpão e Valencia para colocar Guilherme e Fernandes.

Depois de dois anos e meio sem vencer o Flamengo, o Botafogo sai de campo com uma vitória. O time foi melhor que o rival, aproveitou a falta de coordenação do Flamengo em campo para impor a sua proposta de jogo. Com a vitória, o Botafogo encostou no G-6. Chegou a 34 pontos, mesma pontuação do Cruzeiro, com mesmo número de vitórias, sete, mas saldo de gols pior (7 a 4). O Flamengo segue em quinto, com 35 pontos.

Rueda certamente será questionado por colocar em campo um time tão modificado para um clássico. O time volta a campo na quarta-feira contra a Chapecoense, pela Copa Sul-Americana, um torneio que o técnico colombiano conhece bem – foi até a final com o Atlético Nacional na última temporada, quando aconteceu a tragédia que impediu a final com a própria Chapecoense. O torneio é uma das chances de título do Flamengo, além da Copa do Brasil, algo que também não pode ser descartado, já que o Brasileirão é um título que, salvo um milagre, não virá.

O Botafogo, por sua vez, mesmo tendo um jogo pesado no meio da semana contra o Grêmio pela Libertadores, optou por levar a campo o seu time titular, exceto pelos lesionados. Consegue pontos importantes. Jair já fez o alerta que o time não pode só olhar para cima na tabela. É preciso tomar cuidado também com a parte de baixo. Por isso, chegar a 34 pontos é importante pensando em primeiro chegar aos 45 pontos para ter tranquilidade quanto ao rebaixamento. Assim, seguir a sua caminhada até aqui heroica na Libertadores. E, quem sabe, mais para frente brigar até mais para cima. O Palmeiras, quarto, está com 37 pontos. É possível, se conseguir regularidade.

O Flamengo tem que mirar os quatro primeiros lugares, que garantem vaga direta à fase de grupos da Libertadores. São dois pontos de diferença do Flamengo ao Palmeiras, o que é perfeitamente alcançável. O time precisará jogar mais e com frequência. Um mantra para o Brasileirão que o Fla, com seu elenco recheado, ainda não conseguiu.