Schuerrle comemora o sexto gol da Alemanha contra o Brasil  (AP Photo/Martin Meissner)

Alemanha fulminante massacra Brasil atordoado

A crônica

O maior vexame da história da seleção brasileira. Isso pode definir o que aconteceu no Mineirão. Opções de expressão para este triste capítulo não faltarão, e nenhum dos adjetivos usados será suficientemente forte para sintetizar a goleada por 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil. Um passeio como poucos já vistos definiu a vitória alemã ainda aos 30 minutos da etapa inicial, quando fizeram cinco gols. A maior goleada sofrida pela Seleção em uma Copa, justamente na que está sediando, será um baque difícil de ser digerido. A Alemanha, que nada tem a ver com isso, avança para a final com um moral do tamanho do mundo para enfrentar Argentina ou Holanda.

A seleção brasileira começou a partida com uma boa atitude, partindo para cima e pressionando os alemães, que apenas se seguravam em seu campo e aguardavam um erro do Brasil, que não demorou a chegar e veio aos montes. O primeiro deles aconteceu em uma bola parada. Toni Kroos cobrou escanteio aos 11 minutos do primeiro tempo, e Thomas Müller apareceu sozinho na segunda trave para abrir o placar.

Conforme a Alemanha foi aumentando sua posse de bola, os defeitos da marcação brasileira foram se evidenciando. Com ela, o Brasil partia para o ataque com vontade e sem organização; sem ela, um verdadeiro caos foi se instaurando. Aos 23 minutos, Kroos recebeu com liberdade a bola, tocou para dentro da área, Müller ajeitou para Klose. O atacante bateu rasteiro, Julio César fez boa defesa, mas, no rebote, o camisa 11 completou para o gol, ampliando para 2 a 0 e se tornando o maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols.

O apagão do Brasil seguiu, e o caminhão de gols alemão atropelou o despedaçado time brasileiro. Aos 24 minutos, Lahm cruzou para Toni Kroos, que bateu da entrada da área e fez o terceiro. Dois minutos depois, Fernandinho falhou na saída de jogo, os alemães tomaram a bola, e Kroos tabelou com Khedira, recebeu a bola de volta e bateu tranquilo para fazer o quarto. Para dar fim aos seis minutos de tragédia completa, Khedira pega a bola na entrada da área, toca para Özil, que ajeita para o volante bater no contrapé de Julio César e fazer o quinto. A partir daí, um grande número de torcedores começou a deixar as arquibancadas do Mineirão, ao mesmo tempo em que gritavam “vergonha”.

Depois de todo o caos da zaga e dos gols sofridos em sequência, o Brasil seguiu desorganizado na defesa e sem eficiência no ataque, mas a Alemanha, elegantemente, puxou o freio de mão. Poderiam fazer o sexto, o sétimo, o oitavo, todos ainda antes do intervalo, mas seguraram o ritmo e deixaram para complementar o placar na segunda etapa.

Mesmo abatida, a seleção brasileira começou o segundo tempo indo para cima, tentando um gol de honra, como se isso ainda fosse possível. Mas além da barreira emocional a ser superada havia outra no gol da Alemanha: Manuel Neuer. O goleiro provou por que é considerado por tantos o melhor do mundo e fez uma série de grandes defesas. Primeiro em chute de trivela de Oscar dentro da área. Depois, em duas finalizações fortes de Paulinho, também de dentro da área.

Sem se preocupar em atacar, a seleção alemã segurou o Brasil nos primeiros minutos da etapa complementar e então, quando os brasileiros já não mais ameaçavam, começaram a avançar novamente e a ganhar campo. E, com a zaga dos comandados de Felipão toda desestruturada, não teve dificuldade para balançar a rede mais duas vezes. André Schürrle, que havia entrado no lugar do recordista Klose, fez o sexto após cruzamento de Lahm e fechou o show de gols alemão com uma bomba no alto, sem chance para Julio César, aos 31 minutos do segundo tempo.

Os torcedores que haviam ficado para assistir ao restante do jogo viram Oscar diminuir a goleada com um gol aos 45 minutos, coisa que não poupou os jogadores das fortes vaias. Em certo momento, antes do único tento brasileiro, a torcida já gritava “olé” conforme os alemães passavam a bola. Após o apito final, Felipão entrou no gramado consolando seus jogadores e fazendo gestos como quem chama para si a responsabilidade, tentando tirar dos ombros dos atletas a derrota vexatória. Uma missão impossível. Um cenário desses é completamente sem precedentes, e a única coisa que se pode afirmar é que esse jogo não acabará nunca para o Brasil. Independentemente do que vier pela frente, absolutamente nada apagará a história escrita pelos eficientes e calculistas alemães diante dos abalados brasileiros.

FICHA TÉCNICA

Brasil 1×7 Alemanha

Brasil

Brasil escudoJulio César; Maicon, Dante, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho, intervalo), Hulk (Ramires, intervalo), Oscar, Bernard; Fred (Willian, 24′/2T). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Alemanha

Alemanha escudoManuel Neuer; Philipp Lahm, Jérôme Boateng, Mats Hummels (Per Mertesacker, intervalo) e Benedikt Höwedes; Sami Khedira (Julian Draxler, 31′/2T), Bastian Schweinsteiger, Thomas Müller, Toni Kroos e Mesut Özil; Miroslav Klose (André Schürrle, 13′/2T). Técnico: Joachim Löw.

Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Árbitro: Marco Rodríguez (MEX)
Gols: Thomas Müller, 11′/1T, Miroslav Klose, 23′/1T, Toni Kroos, 24′/1T, Toni Kroos, 26′/1T, Sami Khedira, 29′/1T, André Schürrle, 24′/2T, André Schürrle, 31′/2T, Oscar, 45′/2T
Cartões amarelos: Dante
Cartões vermelhos: nenhum

O cara

Toni Kroos

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Marcou dois gols, deu uma assistência e foi o maestro do meio de campo alemão, estupendo na partida. Com o maior número de passes no jogo e uma precisão incrível, foi quem conduziu o time da Alemanha. Estava por todas as partes do campo foi essencial para o domínio e massacre alemãos.

Os gols

11’/1T: GOL DA ALEMANHA!

Toni Kroos cobra escanteio, e Müller aparece sozinho na segunda trave para abrir o placar, batendo de chapa.

23’/1T: GOL DA ALEMANHA!

Fernandinho erra a interceptação, Kroos pega a bola, toca no meio da área. Müller ajeita para Klose. O atacante bate rasteiro, Julio César faz grande defesa, mas Klose pega o rebote para fazer 2 a 0.

24’/1T: GOL DA ALEMANHA!

Lahm cruza da direita, a bola passa pela área e chega para Kroos, que pega de primeira da entrada da área e faz o terceiro.

26’/1T: GOL DA ALEMANHA!

Fernandinho erra saída de bola, a Alemanha toma a bola, Kroos tabela com Khedira e bate tranquilamente para fazer seu segundo gol na partida.

29’/1T: GOL DA ALEMANHA!

O caos na zaga brasileira não acaba. Khedira pega a bola na entrada da área, toca para Özil, recebe de volta e bate com calma para o gol, no contrapé de Julio César, para fazer o quinto.

24’/2T: GOL DA ALEMANHA!

Philipp Lahm recebe a bola dentro da área e cruza rasteiro para Schürrle, que bate de primeira e faz 6 a 0.

31′/2T: GOL DA ALEMANHA!

Schürrle recebe a bola na área e chuta forte, de esquerda, para fazer o sétimo gol alemão, contando ainda com desvio no travessão antes de balançar a rede.

45′/2T: GOL DO BRASIL!

Oscar livra-se da marcação alemã e bate de dentro da área para fazer o único gol brasileiro no massacre alemão.

A Tática

Escalações iniciais de Brasil e Alemanha

Escalações iniciais de Brasil e Alemanha

Diferentemente da maioria dos outros jogos, Oscar foi posicionado no meio, mas se mexia pouco para buscar a bola e ajudava na descompactação do Brasil. Bernard começou aberto pela direita e Hulk, mais uma vez, foi deslocado para a ponta esquerda. A Alemanha optou pelo posicionamento aberto pela direita de Thomas Müller, lado fundamental para os contra-ataques, e Klose ficou mais próximo ao gol. Toni Kroos era o principal responsável pela criação das jogadas no meio do campo, contando com as subidas de Khedira e Schweinsteiger.

A Estatística

16

Com seu gol, o segundo da Alemanha, Miroslav Klose chegou a 16 em Copas do Mundo, superou Ronaldo e se tornou o maior artilheiro da história dos Mundiais.