O Catar é logo ali: passada a Copa 2018, Brasil tem base e talentos em potencial para pensar em 2022

Logo após a tragédia de 2014, escrevi aqui na Trivela que apesar da tragédia, o Brasil possuía uma boa geração de jogadores para o Mundial seguinte. Agora, em 2018, o time teve seus problemas, mas não foi eliminado de forma trágica, ainda que seja precoce, nas quartas de final. O que a Seleção pode pensar para 2022? Há jogadores que parecem em fim de ciclo e outros que precisam ser seriamente considerados pela comissão técnica assim que o trabalho recomeçar, após a Copa do Mundo, pensando nos próximos desafios. O primeiro é a Copa América de 2019, que será no Brasil. Depois, as Eliminatórias para a Copa de 2022, que começa no fim de 2019.

Passamos pelos jogadores do elenco que foi à Rússia, outros que já estiveram na Seleção e podem voltar a ter chance e, por fim, também jogadores jovens que devem ser observados pensando nesses próximos quatro anos. É importante aqui lembrar que são apenas projeções baseadas no que sabemos e conhecemos hoje. Muitos jogadores surgem durante o ciclo e, por isso, não estarão citados por aqui. Esperamos que apareçam muitas promessas, especialmente laterais direitos e zagueiros, posições que parecem mais carentes de jogadores jovens.

Os que se vão

Fernandinho, volante, 33 anos

Com 33 anos de idade, Fernandinho parece ter encerrado seu ciclo na Seleção. Dois jogos marcantes tão ruins em eliminações de Copas do Mundo são um peso grande demais e, com essa idade, ele não tem muito mais tempo pela frente. A marca que carrega é indelével, ainda que seja, sim, um ótimo jogador, que venha de temporadas excelentes no Manchester City e que tenha merecido o seu lugar entre os convocados que foram à Rússia. É saudável que Fernandinho não seja mais convocado.

Miranda e Thiago Silva, zagueiros, 33 anos

Thiago Silva e Miranda (Foto: Getty Images)

Os zagueiros precisam de atenção. Miranda e Thiago Silva foram muito bem ao longo da Copa e se credenciaram a estar também na Copa América de 2019, se mantiverem o nível. Depois disso, porém, o time precisa de outros jogadores para o setor, já que tanto Miranda quanto Thiago Silva têm 33 anos e farão 34 ainda este ano, em setembro. Estão, portanto, no fim do seu ciclo. Deve ser a última competição que terão idade para participar em alto nível.

Claro, ainda podem ser usados em Eliminatórias, ao menos em um início de trabalho, caso se considere importante transmitir alguma experiência. Mas pela idade dos dois, buscar alternativas é urgente. Até porque Geromel, que brilha no Brasil desde que chegou ao Grêmio, também já passou dos 30. Tem 32 anos. Pode ajudar no próximo ciclo, mas é uma incógnita pensando na próxima Copa.

Daniel Alves, lateral direito, 35 anos

Daniel Alves, do Brasil (Foto: Getty Images)

Nas laterais, a renovação é bastante urgente. Daniel Alves não foi para a Copa, mas já tem 35 anos. É um jogador que talvez até tenha condições de disputar a Copa América em 2019, em casa, mas é certamente um nome que vive no máximo seus últimos dias de Seleção, se é que ainda terá mais jogos.

Filipe Luís, lateral esquerdo, 32 anos

Filipe Luís é mais velho que Marcelo, tem 32 anos. Também pode estar presente na Copa América, mas será importante buscar jogadores mais jovens para os dois lados.

Marcelo, lateral esquerdo, 30 anos

Marcelo, do Brasil (Foto: Getty Images)

Marcelo tem 30 anos. É um jogador que ainda tem cancha para jogar por ao menos mais alguns anos, a depender da sua condição física, pode inclusive chegar à próxima Copa, se mantiver o alto nível, já que terá 34. A dúvida em relação a ele é mais tática e se conseguirá manter o alto nível até 2022. Se mantiver, com um time mais equilibrado naquele setor, pode seguir na Seleção. Mas terá uma concorrência forte. Avançar ao meio é outra alternativa.

Renato Augusto, meio-campista, 30 anos

No meio-campo, há jogadores capazes de jogar por mais algum tempo, mas já estão mais para sair que para ficar. Renato Augusto é um deles. Era contestado antes da Copa, foi à Rússia mesmo em condições físicas questionáveis e melhorou o time quando entrou. Só que o meia tem 30 anos e joga na China. É uma ponderação que deve ser feita.

Paulinho, volante, 29 anos

Paulinho é um ano mais novo, tem 29 anos, mas sai da Copa muito queimado. Seu Mundial foi ruim. Mereceu deixar o time, não deixou e acabou fazendo a sua segunda Copa abaixo da crítica. Poucos jogadores têm a chance de jogar uma segunda Copa pelo Brasil depois de ir mal em uma. Paulinho teve. E novamente ficou devendo. Há rumores que o jogador pode sair do Barcelona e voltar à China, o que é uma péssima indicação do ponto de vista esportivo. Seja como for, no Barcelona ou em outro clube, Paulinho tem que ficar fora da Seleção para o início do próximo ciclo. Para voltar ao time, terá que jogar muita bola por seu clube – e um clube que não seja da China, diga-se. Mais do que isso: teria que brilhar de forma muito intensa para ser considerado.

Willian, meio-campista, 29 anos

Willian é outro que sai da Copa com uma imagem pior do que chegou. Aos 29 anos, o ponta fez um Mundial abaixo do esperado. Teve bom desempenho em apenas um dos cinco jogos do Brasil, contra o México. Considerando que o time tem outros jogadores para serem testados por ali, talvez ele perca espaço para o início do próximo ciclo. Ainda mais porque ele, como Paulinho, teve a chance de jogar duas Copas, mesmo que em 2014 fosse reserva. É especulado para deixar o Chelsea e jogar pelo Barcelona e precisará mostrar bastante futebol no nível de clubes para voltar a ser cotado. Deve começar o próximo ciclo fora da Seleção.

Taison, atacante, 30 anos

Taison foi o nome mais contestado da convocação. Aos 30 anos, é outro que parece ter pouco espaço para o próximo ciclo. Nem entrou em campo na Rússia e parece difícil que tenha espaço pensando mesmo na Copa América do próximo ano. Ainda mais pela forte concorrência de jogadores jovens que ele terá no mesmo setor que joga.

Os que ficam

Alisson, goleiro, 25 anos

Em termos de goleiros, o Brasil está muito tranquilo. Alisson tem 25 anos e vem crescendo no futebol europeu. Seu desempenho na temporada 2017/18 na Roma chamou a atenção de muitos grandes clubes do mundo. Tem tudo para manter-se no elenco da Seleção e, possivelmente, como titular, ainda mais se a comissão técnica for mantida.

Ederson, goleiro, 24 anos

Entre os reservas, Ederson é até um ano mais jovem que Alisson, com 24 anos, e tem condições de brigar por posição, pela qualidade que já demonstrou. É um goleiro para bons anos jogando pelo Brasil. O gol é certamente um dos setores que o Brasil está mais tranquilo pensando a longo prazo.

Marquinhos, zagueiro, 24 anos

Marquinhos, do Brasil (Foto: Getty Images)

Marquinhos deverá ser o grande nome da defesa. Tem 24 anos e mostrou desde as Eliminatórias que está pronto não só para ser titular, mas para ser um líder do time. Com a idade que tem, pode jogar no mínimo mais duas Copas do Mundo em alto nível. É o nome mais certo do time no setor.

Casemiro, volante, 26 anos

Casemiro, do Brasil (Foto: Getty Images)

Casemiro se mostrou crucial para o time e, aos 26 anos, é outro jogador que não só continua, como também tem perfil para ser uma liderança. Já mostrou sua qualidade e, a não ser que sofra uma brusca queda de rendimento, é um nome para 2022.

Fred, volante, 25 anos

No seu setor, Fred, de 25 anos, também deve ganhar mais espaço. Na Rússia não jogou por lesão, como admitiu Tite, mas foi para o Manchester United e é um jogador de bastante qualidade técnica. Pode ter mais espaço para atuar no próximo ciclo.

Neymar, atacante, 26 anos

No ataque, muitos jogadores são jovens e têm potencial para seguirem no elenco da Seleção. Neymar, claro, tem 26 anos e muito futebol pela frente como melhor jogador brasileiro. O que não significa que não tenha o que aprender, nem o que mudar. Neymar sai da Copa sem falar com jornalistas e colocando comunicado no Instagram sobre sua tristeza. Não tem o perfil de líder, mas como craque que é, precisa se apresentar mais. E amadurecer. Mais do que a reclamação de cair demais, precisa ser mais maduro, como foi em boa parte dos jogos contra Sérvia, México e até a Bélgica.

Philippe Coutinho, meio-campista, 26 anos

Philippe Coutinho possui a mesma idade de Neymar, com 26 anos, e tem tudo para continuar sendo um jogador importante. Foi o principal nome do Brasil na primeira fase, mas caiu demais de rendimento nos jogos eliminatórios, ainda que tenha tido seus momentos – como o passe para o gol de Renato Augusto.

Roberto Firmino, atacante, 26 anos

Roberto Firmino, do Brasil (Foto: Getty Images)

Reserva de Gabriel Jesus na Copa, apesar das más atuações do titular, Roberto Firmino fará 27 anos em outubro de 2018. Fez por merecer até mais minutos do que teve na Rússia, mas é um jogador ainda com potencial de continuar na Seleção e até iniciar o ciclo como titular, ainda mais pensando em Copa América em 2019.

Douglas Costa, atacante, 27 anos

Douglas Costa, do Brasil (Foto: Getty Images)

Douglas Costa é um ano mais velho, tem 27 anos, e saiu da Copa em alta, mostrando ser um dos melhores jogadores brasileiros. É o mais ponta dos jogadores brasileiros, rápido, habilidoso, incisivo, chuta muito a gol. É um atleta que pode pleitear um lugar entre os titulares já no início do próximo ciclo do Brasil. Não fossem pelas lesões que teve rumo a 2018 talvez chegasse como titular à Rússia, e deveria ter ganhado a posição se não tivesse se machucado contra a Costa Rica.

Gabriel Jesus, atacante, 21 anos

Gabriel Jesus sai da Copa com a imagem arranhada pelo mau desempenho, mas ainda é um jogador jovem. Com 21 anos, era o mais novo do elenco brasileiro na Rússia e tem potencial para seguir no elenco, ainda que não como titular incontestável, como foi nesta Copa.

Os que podem pintar

Alex Sandro, lateral esquerdo, 27 anos

Alguns jogadores estiveram convocados por Tite desde que ele assumiu, em 2016, e têm idade para estar no próximo ciclo. Alex Sandro é o principal deles. O lateral esquerdo, de 27 anos, é quem pinta com mais chances de ser imediatamente usado na lateral esquerda, talvez como reserva de Marcelo.

Jorge, lateral esquerdo, 22 anos

Outro lateral esquerdo que foi citado por Tite e tem potencial é Jorge, do Monaco, que tem só 22 anos. Cria do Flamengo, foi cedo para a França e ainda não se estabeleceu no time do principado, mas é um jogador que tem atuado e se tornado mais importante para a equipe.

Neto, goleiro, 28 anos

No gol, quem pintou como candidato a chegar à Rússia foi o goleiro Neto, que terminou preterido por Cássio, de 31 anos. São jogadores que ainda podem aparecer na Seleção, pela idade que possuem, embora Ederson e Alisson estejam bem à frente. No gol o Brasil parece não ter um problema, com ótimas opções de curto prazo e mesmo a longo prazo.

Arthur, meio-campista, 21 anos

Arthur, do Brasil (Foto: Getty Images)

Quem também estava na lista reserva da Copa e que tende a ganhar bastante espaço no elenco é Arthur, do Grêmio, cotado para ir para o Barcelona. Com 21 anos e um futebol exuberante em 2017, pintou como uma das grandes revelações do futebol brasileiro recente.

Luan, atacante, 25 anos

Junto com ele, outro que estava na lista reserva da Copa é seu companheiro de clube, Luan, que tem 25 anos. Atacante versátil, pode atuar pelos lados, por dentro e até mais à frente, como um centroavante móvel.

Fabinho, meio-campista, 24 anos

Fabinho, que saiu do Monaco para o Liverpool (Foto: divulgação)

No meio-campo, há opções que não foram testadas, mas podem ser muito úteis. Fabinho, ex-Monaco e que foi contratado pelo Liverpool, tem 24 anos e se tornou um excelente meio-campista, mas que é lateral direito de origem. Na falta de outro da posição, pode atuar pelo setor. Mas mesmo como meio-campista, pode fazer um papel melhor que Paulinho, por exemplo.

Allan, volante, 27 anos

Outro que não teve chance e ainda tem uma idade para poder jogar bem é Allan. O meio-campista do Napoli vem muito bem na Itália e tem 27 anos, ainda podendo render bem pelo Brasil, se o treinador assim quiser. Rafinha, do Barcelona (que jogou emprestado à Internazionale na segunda metade da temporada 2017/18 e foi muito bem) é outro que já esteve na Seleção e pode ser observado.

Lucas Paquetá, meio-campista, 20 anos

Lucas Paquetá, do Flamengo, comemora (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

No Brasil, Lucas Paquetá tem se destacado pelo Flamengo, com apenas 20 anos. É certamente um jogador que deve ser testado em algum momento, mantido o ótimo nível demonstrado.

Maycon, volante, 20 anos

Maycon, de 20 anos, que deixou o Corinthians para se juntar ao Shakhtar Donetsk, é um jogador que pode ser muito útil como volante. Já demonstrou qualidade de passe, chute e posicionamento. Chegou até a jogar como lateral esquerdo em alguns momentos de necessidade do Corinthians.

Rodrigo Dourado, volante, 24 anos

Rodrigo Dourado, 24 anos, do Internacional, já se tornou um líder do elenco colorado. Surgiu como uma grande promessa, foi jogador da seleção olímpica e não vingou tão rapidamente como se esperava, mas apesar dos altos e baixos, já mostrou qualidade para ser um atleta observado.

Malcom, atacante, 21 anos

Malcom, jogador do Bordeaux (Foto: AP Photo/Matilde Campodonico)

No ataque, a fartura de jogadores jovens é alta. Dos que não estiveram na Seleção ainda, destacam-se Malcom, do Bordeaux, de 21 anos, cotado para se transferir para a Internazionale. Fez ótima temporada pelo seu clube, o que o levou a ser especulado em outros grandes times europeus. Surgido no Corinthians, está em alta e parece provável que tenha uma chance em breve na Seleção.

Vinícius Júnior, atacante, 17 anos

Vinícius Júnior, do Flamengo (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

Vinicius Junior, de 17 anos, que está deixando o Flamengo pelo Real Madrid, tem apenas 17 anos. É um jogador ainda em formação, com problemas, mas o principal é que tem muito talento. Tanto que deve chegar ao Real Madrid para integrar o elenco profissional merengue. O potencial é grande e pode se aprimorar muito em diversos aspectos.

Richarlison, atacante, 21 anos

Richarlison, do Watford (Foto: Getty Images)

Surgido no Fluminense, Richarlison é um jogador que tem força física e atuou muito bem como ponta. No Watford, viveu um início muito promissor, caiu de rendimento, mas é jovem e é cotado para reforçar até times maiores. Possui bastante potencial técnico, pode reforçar os lados do campo, um dos setores mais ricos do Brasil em termos de talento.

Paulinho, atacante, 17 anos

Paulinho, do Vasco (Foto: Celso Pupo/Fotoarena)

Paulinho, do Vasco, já vendido ao Bayern Leverkusen, prestes a completar 18 anos em 15 de julho. Pintou muito bem no clube carioca, mostrou potencial em seleções de base, com boa finalização, velocidade e articulação de jogadas. É um jogador que pode atuar em várias posições do ataque.

David Neres, atacante, 21 anos

David Neres, do Ajax (Foto: Getty Images)

Sua primeira temporada na Europa foi de muito destaque David Neres é um ponta canhoto, que atua normalmente pela direita, cria muitos problemas com uma capacidade incrível de drible. Tem personalidade e mostrou boa capacidade de finalização.

Rodrygo, atacante, 17 anos

Rodrygo, do Santos (Photo by Ricardo Nogueira/Getty Images)

Vendido ao Real Madrid, outro atacante de 17 anos e que surgiu de forma avassaladora neste ano no Santos. Deve ficar no Brasil pelo menos até dezembro e vale ficar de olho no jogador. Ainda é muito novo, mas tem mostrado potencial para ser excelente. Já jogou em várias posições do ataque.

Pedrinho, atacante, 20 anos

Pedrinho durante o jogo do Corinthians/ (Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians)

Pedrinho, do Corinthians, de 20 anos, tem feito um ano de 2018 muito bom. Ainda não dá para saber até onde o jogador pode chegar, mas pode atuar pela ponta ou pelo meio, como fazia na base. É um jogador de muita habilidade, capacidade de acelerar o jogo.

Pedro Rocha, atacante, 23 anos

Um dos destaques do Grêmio na campanha da Libertadores de 2017, acabou vendido no meio da campanha, mas já vinha de excelentes atuações em 2016, na conquista da Copa do Brasil. Foi para o Spartak Moscou e não vingou ainda, mas é um jogador para se prestar atenção, ao menos, como uma possibilidade em caso de necessidade. Por enquanto, parece longe do nível dos jogadores da seleção, mas mostrou potencial.

Everton, atacante, de 22 anos

Everton, do Grêmio (Foto: Getty Images)

O substituto de Pedro Rocha no Grêmio acabou se tornando também um destaque do time. Everton, de 22 anos, começou 2018 como titular e tem ido muito bem pelo clube. É um jogador que já mostrou o seu talento, ainda é jovem, finaliza bem quando exigido, com gols importantes. Se há muitos na sua frente na fila da Seleção, é uma alternativa para se deixar na lista e observando.

O Catar é logo ali!

Alguns desses jogadores ainda não estão no nível esperado de Seleção, mas podem chegar lá. Há muita água para correr de julho de 2018 até novembro de 2022 (sim, teremos uma Copa em novembro, algo inédito). O Brasil terá trabalho e muitos dos que pintam como promessas não irão vingar – como, em passado recente, Ganso, Pato ou mesmo Lucas Moura. De qualquer forma, o Brasil segue revelando bons atletas. Há potencial. Organizado, pode ser feito um time interessante, com muitas boas opções. Vale ficar de olho. Até porque, como diz um famoso apresentador de TV, o Catar é logo ali.