O Brasil conseguiu vencer bem o México nas oitavas de final da Copa, por 2 a 0, e avança às quartas de final com autoridade. Em um jogo que teve dificuldades provocadas pelo bom time mexicano, a Seleção teve destaques importantes, como o equilíbrio emocional para lidar com os problemas que surgiram no campo, além de solução táticas e técnicas da equipe. Neymar foi muito importante, sendo decisivo nos dois gols do time, enquanto Willian fez uma partida excelente no segundo tempo, sendo um dos melhores do time. Em uma partida que o ataque conseguiu ir bem, foi fundamental também o papel dos defensores, que fizeram outra grande partida, além do treinador, que mudou taticamente o Brasil para melhorar o time, diminuir o ímpeto do México e, assim, controlar mais um jogo que começou com os mexicanos muito bem. A classificação às quartas de final foi merecida de um time que teve maturidade em campo, em todos os sentidos, para mostrar, em campo, que é melhor.

LEIA TAMBÉM: Contos Russos #19: O tempo espanhol (ou valeu, Iniesta)

Precaução mexicana

O técnico Juan Carlos Osorio decidiu tirar do time Miguel Layún, que atuava como ponta direita nesta Copa, e colocou em campo Rafa Márquez, o veterano de 39 anos, no meio-campo. Com isso, o técnico deu mais força de marcação no meio-campo para um setor que é tão importante para o jogo do Brasil.

Filipe Luís no lugar de Marcelo

A única alteração da escalação do Brasil em relação ao jogo contra a Sérvia foi a entrada, desde o começo do jogo, do lateral esquerdo Filipe Luís, que já tinha entrado no lugar do titular no início da partida. A justificativa de Tite era pela recuperação ainda incompleta de Marcelo. Outros pedidos de mudança no time, como a saída de Willian e de Gabriel Jesus, não foram feitas, como esperado.

Início muito bom do México

Nos 20 primeiros minutos, o México foi melhor que o Brasil. Vela, atuando pelo lado esquerdo, deu trabalho para a marcação do Brasil, com Fagner muitas vezes no mano a mano. O brasileiro teve trabalho para impedir que o mexicano criasse jogadas. Atacando com muita velocidade, como foi no jogo contra a Alemanha, o México criou perigo para o Brasil. Era sempre bloqueado na hora do chute.

Mudança tática brasileira

Para melhorar o rendimento do time, enquanto o México tinha um bom início fazendo o Brasil sofrer, Tite fez o time jogar em duas linhas de quatro, com Willian pela direita e Coutinho pela esquerda. Pelo meio, Casemiro e Paulinho, lado a lado. O técnico gritou para Paulinho ficar mais próximo de Casemiro e o time se alinhou. Neymar ficou mais à frente como um segundo atacante ao lado de Gabriel Jesus. Com isso, somado à perda de intensidade mexicana, o Brasil conseguiu controlar um jogo que, até os 23 minutos do primeiro tempo, não controlava.

Melhora do Brasil

Logo depois do bom início mexicano, o Brasil finalmente assusto. O Brasil trabalhou bem a bola para chegar a Neymar em condições de partir para cima, tirar dois marcadores com uma finta e chutar forte, quase sem ângulo, para defesa de Osorio. Depois desse lance, o Brasil seguiu pressionando, com cruzamentos e bolas trabalhadas pelos lados do campo. Foram alguns minutos de pressão.

Movimentação e gol

Logo aos seis minutos do segundo tempo, o Brasil conseguiu abrir o placar. Neymar recebeu pelo lado direito e conduziu a bola para o meio, chamando a marcação de Layún, que virou lateral no segundo tempo. Neymar deu de calcanhar para Willian, que se movimentou da direita para o meio, e o camisa 19 do Brasil foi à linha de fundo e cruzou rasteiro. Neymar, de carrinho, completou para o gol e abriu o placar em Samara. Foi um bom lance de movimentação do time, com Paulinho abrindo pela direita no espaço normalmente ocupado por Willian.

Willian buscando jogo

Quase sempre isolado pelo lado direito, Willian fez um primeiro tempo de poucas jogadas de linha de fundo, sempre na jogada individual buscando o cruzamento. Estava apagado. No segundo tempo, porém, ele mudou de comportamento. Buscou o jogo pelo meio, trabalhou jogadas pelo meio, onde o jogo flui mais. Conseguiu fazer muito mais boas jogadas e, assim, se tornou um destaque do time no segundo tempo.

Agressão de Layún

Aos 26 minutos do segundo tempo, Layún, fora de campo, pisou no tornozelo de Neymar, que estava caído. Justamente o tornozelo direito de Neymar, que ele operou. Neymar rolou no chão, o que fez os mexicanos, claro, ironizarem. O replay mostra que o mexicano realmente pisou no tornozelo do brasileiro enquanto ele estava caído, fora de campo. Uma agressão covarde.

Neymar, decisivo

Sendo sempre muito perigoso, Neymar conseguiu decidir de vez o jogo aos 43 minutos. Em uma jogada de contra-ataque rápido, Fernandinho retomou a bola, tocou nas costas de Layún pela esquerda, com espaço, Neymar avançou e cruzou rasteiro para Roberto Firmino completar para o gol vazio. Um gol que selou a vitória e a classificação.

O 5º jogo do México fica para 2022

Desde 1986 o México tenta chegar novamente às quartas de final da Copa do Mundo. Naquela edição, caiu, nos pênaltis, para a Alemanha. De lá para cá, os mexicanos seguem sendo eliminados nas oitavas de final. Desta vez, mais uma vez, não era favorito. E cai. Ficará para tentar outra vez em 2022.

Sistema defensivo brasileiro

No ataque o Brasil decidiu o jogo, mas a defesa ajudou demais. Thiago Silva, mais uma vez, foi muito bem, assim como Miranda. Nas laterais, Filipe Luís foi muito bem, mais uma vez, marcando bem. Tomou um cartão amarelo que o deixa pendurado para o jogo das quartas de final, se é que ele continuará no time. Fagner sofreu bastante, especialmente no começo do primeiro tempo. Depois, melhorou o seu nível de atuação, também porque passou a ser mais ajudado pelos outros jogadores do setor, especialmente Willian.

Capacidade de adaptação

Diante de dificuldades que o México apresentou, o Brasil teve uma grande qualidade para se adaptar ao jogo e mostrar flexibilidade. Jogou em um 4-4-2, em linha se defendendo. No ataque, variava mais os posicionamentos, com liberdade para Willian e Coutinho, e Paulinho mais preso, para dar equilíbrio e mais vantagens ao Brasil no ataque. Esse é um ponto positivo, porque outros jogos apresentarão mais dificuldades e o Brasil precisa estar pronto para saber se adaptar, em campo, ao que o jogo oferece. E isso tem mérito de Tite também em fazer. Não quer dizer que o Brasil não tenha problemas. O primeiro tempo mostrou que tem sim, Fagner sofrendo, por exemplo, e os problemas no lado direito. Mas a boa atuação no segundo tempo mostra que time, e Tite, souberam entender que o time precisava melhorar. E melhorou.

FICHA TÉCNICA

Brasil 2×0 México

Local: Arena Samara, em Samara (Rússia)
Árbitro: Gianluca Rocchi (Itália)
Gols: Neymar aos 6’/2T, Roberto Firmino aos 43’/2T (Brasil)
Cartões amarelos: Filipe Luís, Casemiro (Brasil), Edson Álvarez, Héctor Herrera, Carlos Salcedo, Andrés Guardado (México)
Cartões vermelhos: nenhum

Brasil

Alisson; Fagner, Thiago Silva, Miranda e Filipe Luís; Casemiro, Paulinho (Fernandinho aos 35’/2T) e Philippe Coutinho (Roberto Firmino aos 41’/2T); Willian (Marquinhos aos 46’/2T), Neymar e Gabriel Jesus. Técnico: Tite

México

Guillermo Ochoa; Edson Álvarez (Jonathan dos Santos, 10’/2T), Hugo Ayala, Carlos Salcedo e Jesus Gallardo; Rafael Márquez (Miguel Layún, intervalo), Héctor Herrera e Andrés Guardado; Carlos Vela, Hirving Lozano e Javier Hernández (Raúl Jiménez aos 15’/2T). Técnico: Juan Carlos Osorio