A vitória do Brasil sobre a Costa Rica, por 2 a 0, com dois gols nos acréscimos, foi um alívio. Para a Seleção e para a situação na tabela. Não para quem estava preocupado com o nível de futebol que o time treinado por Tite apresentou na estreia contra a Suíça. Alguns dos mesmos problemas se repetiram: lado esquerdo sobrecarregado, dificuldade para criar, Neymar excessivamente individualista. Com exceção dos primeiros 15 minutos do primeiro tempo, o Brasil sofreu. Desta vez, Tite foi um pouco além da sua formação ideal para mudar o jogo e foi premiado pelo gol de Coutinho, a partir do segundo atacante que colocou dentro da área. Neymar, no último ato, fez 2 a 0 e desabou em campo, chorando. O choro do alívio. Agora, com quatro pontos, a classificação às oitavas de final está mais encaminhada. Mas ainda há preocupações sérias a serem administradas.

Costa Rica bem

A Costa Rica executou bem o seu plano de jogo. Uma linha com quatro jogadores. Outro com cinco à frente da primeira. E, quando recuperar a bola, lançar nas costas de Marcelo. Foi assim que surgiu a melhor chance de gol do primeiro tempo. Celso Borges recebeu o cruzamento rasteiro dali e bateu de primeira. Sorte do Brasil que Fagner apareceu para pressionar, e o jogador da Costa Rica não conseguiu direcionar direito o seu chute. 

Brasil bem mal

O Brasil tem um lado esquerdo fantástico: Marcelo, Coutinho e Neymar. Eu sei disso, você sabe disso e obviamente a Costa Rica também sabe disso. Logo, estava preparada para que o volume de jogo do time brasileiro fosse majoritariamente por esse setor, como já havia sido na estreia contra a Suíça. Marcelo tentou três chutes. Um deles foi o mais perigoso, uma batida cruzada próxima à trave de Navas. O outro foi o único que acertou o alvo, mas sem problemas para o goleiro do Real Madrid. Coutinho não apareceu no primeiro tempo, e Neymar também não foi bem. Tentou dribles onde não havia espaço em vez de tentar a tabela rápida. Sua única boa ação foi um cruzamento perigoso para Jesus na segunda trave. Mas houve impedimento. 

A seleção brasileira foi muito lenta na chegada ao ataque, sem triangulações ou movimentações. E muito previsível. Apenas nos minutos finais da etapa inicial, houve algum jogo pelo lado direito. O que surpreendeu também Willian, que errou as duas ou três jogadas que precisou fazer. Diante de uma equipe muito fechada, Paulinho foi peça nula. Não houve espaços para infiltrar ou entrar na área como elemento surpresa, seus pontos fortes. Sem eles, o jogador do Barcelona não contribui muito para a construção ofensiva. Muitos times precisaram enfrentar retrancas bem organizadas nesse Mundial. O Brasil foi mal nos primeiros 45 minutos desse desafio.

Paulinho no jogo

Tite tentou corrigir um dos problemas com a entrada de Douglas Costa. E acabou corrigindo ambos. Além de variar os lados, o Brasil teve mais aproximação e tabelas. Os espaços apareceram. E Paulinho os encontrou. Tocou de calcanhar para Jesus e infiltrou. Recebeu de volta, mas a zaga cortou. Fagner ficou com a sobra e mandou para a pequena área. Neymar dividiu com a defesa, e Navas agarrou. Fagner, contrariando as preocupações e fazendo um bom jogo, cruzou na cabeça de Jesus. A bola acertou o travessão. Paulinho fez uma grande jogada para recolher o rebote e rolou para Coutinho. A bola explodiu na zaga e foi para fora. Paulinho recebeu pela direita e tocou para Neymar exigir linda defesa de Navas. O jogador do Barcelona ainda rolou para Coutinho que, de frente, bateu sem problemas para Navas.

Desequilíbrio

Apesar do que fez nos primeiros 15 minutos do segundo tempo, Paulinho foi sacado para a entrada de Firmino. Mudou a formação da equipe, agora com dois atacantes e um meia a menos. A primeira consequência foi um jogo mais aberto, sem o controle que o Brasil impunha até então. Foi de Jesus o passe de primeira que deixou Neymar na cara do gol. O craque brasileiro, porém, tomou a decisão errada. Em vez de encher o pé de perna esquerda, dominou e tentou cortar para a perna direita. Giancarlo González tocou-o com o braço, e Neymar despencou. O árbitro inicialmente deu pênalti, mas, checando o assistente de vídeo, voltou atrás corretamente. E depois disso, o Brasil perdeu o rumo. 

Substituição de Tite funciona

O time pode inicialmente ter ficado menos sólido com a entrada de Firmino, mas colocar dois atacantes na área funcionou. Foi daí que saiu o gol da vitória. Marcelo cruzou da esquerda para a segunda trave. O jogador do Liverpool escorou de cabeça para Gabriel Jesus, que errou o domínio. Apareceu Coutinho como elemento surpresa dentro da área e completou de bico. Foi o alívio para a seleção brasileira. Com 1 a 0 no placar, Firmino ainda teve uma chance clara de fazer 2 a 0, o que veio por meio de Neymar, que recebeu de Douglas Costa e selou a vitória brasileira 

Ficha técnica

Brasil 2 x 0 Costa Rica

Local: Estádio de São Petersburgo, em São Petersburgo (Rússia)
Árbitro: Bjorn Kuipers (Holanda)
Gols: Coutinho e Neymar (Brasil)
Cartões amarelos: Neymar e Coutinho (BRA); Johnny Acosta (COS)

Brasil: Alisson; Fagner, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Casemiro, Paulinho (Roberto Firmino) e Coutinho; Willian (Douglas Costa), Neymar e Gabriel Jesus (Fernandinho). Técnico: Tite

Costa Rica: Keylor Navas; Johnny Acosta, Giancarlo González e Óscar Duarte; Cristian Gamboa (Francisco Calvo), Celso Borges, David Guzmán (Yeltsin Tejada) e Bryan Oviedo; Johan Venegas, Bryan Ruiz e Marco Ureña (Christian Bolaños). Técnico: Óscar Ramírez