O Vissel Kobe é um time de médio porte no Japão. Seu melhor resultado na elite nacional foi o nono lugar da temporada 2011. Desde 1997, sua primeira participação na J-League (fundada em 1993), o Vissel Kobe foi rebaixado em duas oportunidades. Em 2013, a equipe jogou a segunda divisão e ficou com o vice-campeonato, ao somar 83 pontos em 42 partidas (25v, 8e, 9d), atrás do Gamba Osaka. Pelo menos o acesso aconteceu.

Com quase metade da temporada 2014 transcorrida, esperava-se que o Vissel Kobe estivesse na parte de baixo da tabela, provavelmente brigando contra o rebaixamento ou na zona intermediária. Mas eis que o time de Kobe surpreende os adversários… Passadas 14 rodadas, a equipe ocupa o terceiro lugar, com 24 pontos, cinco pontos atrás do líder e favorito Urawa Red Diamonds, e na zona de classificação para a Liga dos Campeões da Ásia 2015.

E uma das razões do sucesso do Vissel Kobe nesta primeira etapa do Campeonato Japonês, que foi interrompido em 18 de maio para a disputa da Copa do Mundo e só volta em 15 de julho, são três brasileiros. Será que algum destes se encaixaria no seu time?

Pedro Júnior

Pedro Júnior (Vissel Kobe)

O atacante começou a carreira de forma avassaladora, numa excelente dupla com o também atacante Paulo Ramos (falecido), nos juniores do Vila Nova de Goiás. Após excelente Copa São Paulo, Pedro Júnior não ficou muito tempo no centro-oeste e passou a defender o Grêmio, junto de seu companheiro de ataque.

Era a grande chance do jovem atleta na carreira, mas Pedro Júnior não mostrou competitividade e acabou emprestado para Cruzeiro e São Caetano. Nas últimas temporadas, o jogador defendeu times japoneses por cinco anos seguidos e voltou ao Brasil, tendo passagem pelo Sport.

No Vila Nova, Pedro Júnior jogou outras três vezes, na tentativa de recuperar seu futebol.  E as boas performances pelo Vila Nova na Série C 2012 resultaram na assinatura de contrato com o Jeju United (Coreia do Sul). Desde então Pedro Júnior está no Vissel Kobe.

Desempenho em 2014: o atacante só não participou de uma partida e nas outras 13 foi escalado como titular. São nove gols marcados, artilharia do Campeonato Japonês e apenas quatro jogos sem ficar em campo os 90 minutos (1.110 minutos no total).

Marquinhos

Marcos Gomes de Araujo (Vissel Kobe)

O atacante começou a carreira no Operário Ferroviário, do Paraná. Ganhou fama como Marquinhos Cambalhota, uma marca das suas comemorações. Após dois anos estava no Coritiba, de onde saiu rumo ao futebol japonês, ainda em 2001. Desde então, Marquinhos defende equipes daquele país – com exceção de 2011 –, sendo sua melhor temporada a de 2008, quando foi o jogador mais valioso da competição e o artilheiro, com a camisa do vencedor Kashima Antlers – são quatro títulos japoneses, três pelo Kashima e um pelo Yokohama Marinos.

Em 2011, o técnico Oswaldo Oliveira indicou o experiente atacante ao Atlético Mineiro, mas Marquinhos não agradou, disputando apenas cinco jogos, com um gol anotado. Nos dois últimos anos, ele esteve no Yokohama Marinos, vice-campeão de 2013.

Desempenho: mesmo com 38 anos, Marquinhos jogou as 14 partidas do Vissel Kobe na liga nacional, todas como titular, com sete gols marcados – o quarto colocado na artilharia e segundo no Vissel Kobe, atrás de Pedro Júnior. São apenas três substituições durante os jogos e 1200 minutos em campo.

Fábio Simplício

Fábio Simplício

Mais famoso do trio de brasileiros do Vissel Kobe, o volante Fábio Simplício apareceu muito bem no São Paulo, onde conquistou dois estaduais e um torneio Rio-São Paulo. A Europa era o destino esperado e o jogador aceitou defender o Parma, onde ficou duas temporadas, sem tanto sucesso.

Mesmo assim, o Palermo aceitou pagar cerca de € 7,1 milhões pelo brasileiro, titular no time italiano, que estava na primeira divisão, mas marcando poucos gols, como de costume. Ao fim do contrato, em janeiro de 2010, Fábio Simplício ficou livre, apesar da boa passagem, e assinou com a Roma por três anos – ficou duas temporadas.

Seu primeiro time no Japão foi o Cerezo Osaka, com a melhor performance sendo na segunda temporada (2013), na qual Fábio Simplício foi titular absoluto, com 39 partidas no ano e seis gols, sendo um dos melhores brasileiros na temporada. É o único dos três que já vestiu a camisa da seleção brasileira. Foi em 2009, num amistoso contra Omã, e só podia ser no comando de Dunga.

Desempenho: o volante não vem jogando tanto em 2014. São apenas seis partidas, todas como titular, com dois gols anotados. Fábio Simplício foi substituído só uma vez e tem 517 minutos dentro das quatro linhas.

Informações

- Os brasileiros são os estrangeiros em maior número no Japão, com 30 jogadores. Dos 18 times, apenas quatro não têm o talento tupiniquim a seu serviço (Cerezo Osaka, Shimizu S-Pulse, Sagan Tosu e Sanfrecce Hiroshima). Em seguida vem a Coreia do Sul (23), além de três australianos e dois norte-coreanos e eslovenos. Com um cada, vêm Croácia, Indonésia, Canadá, Colômbia, Nova Zelândia, Holanda, Uruguai (Diego Forlán, no Cerezo Osaka), Sérvia e Montenegro.

- Outro brasileiro com algum destaque no Japão é o veteraníssimo lateral esquerdo Dutra, ex-América Mineiro, Sport, Santa Cruz. Atuando no Yokohama Marinos, o atleta é o mais velho na primeira divisão, com 40 anos. Marquinhos é o terceiro da lista. Até o momento são dois jogos de Dutra na liga nacional, como titular, sem completar 90 minutos (161 minutos em campo).

- Além do Vissel Kobe, a outra surpresa positiva no Japão é o Sagan Tosu. Na terceira temporada na elite nacional, a equipe ocupa o segundo lugar, com 28 pontos, um atrás do Urawa Red Diamonds. Em 2012, ano de estreia na primeira divisão, o Sagan Tosu foi o quinto colocado – ano passado ficou em 12º lugar. Por outro lado, o Cerezo Osaka já viu Diego Forlán marcar seis vezes, mas a equipe é apenas a 13ª colocada, com 16 pontos, um acima da zona de rebaixamento e a oito da terceira posição. O lanterna é o novato Tokushima Vortis, com apenas quatro pontos. São três brasileiros no time: Douglas Matos (Moto Club e Figueirense), Kleiton Domingues (Vitória) e Alex (ex-lateral da base do Cruzeiro).