Um dos destaques do Campeonato Inglês na temporada é o bom futebol e os bons resultados do Liverpool. Comandado por Brendan Rodgers, o time conseguiu se remontar e tem apresentado um futebol ofensivo, de velocidade e intensidade. Depois de perder para o Manchester City no Boxing Day, os Reds terão pela frente outro enorme desafio: o Chelsea em Stamford Bridge. Um lugar Rodgers conhece bem. E um técnico, José Mourinho, que conhece melhor ainda – e a quem atribui o seu sucesso atual. O norte-irlandês é um dos pupilos de Mourinho, assim como André Villas-Boas. Só que em comparação ao recém demitido técnico do Tottenham, Rodgers é quem pode se dizer um pupilo que deu certo.

“Eu era um ninguém de 30 anos que trabalhava em categorias de base quando eu fui designado para trabalhar com ele”, conta Rodgers ao jornal The Independent sobre o momento que foi trabalhar com Mourinho no Chelsea. “Nos demos bem imediatamente. Eu acho que na época estava me preparando para um dia me tornar técnico. Eu fui inteligente o bastante para aprender de um dos melhores operadores. Daquele momento em diante, ele me deu confiança e autoestima que me preparou para o cargo que exerço hoje”, explicou ainda o técnico.

Rodgers agradece muito ao seu mentor pelo trabalho. Ele foi técnico das categorias de base do Chelsea na primeira passagem do português pelo time azul de Londres. Foi sua formação como treinador, que o habilitou a seguir voos mais altos. Em 2008, assumiu como técnico do Watford. Em 2009, Reading. Em 2010, assumiu o comando do Swansea, onde seu trabalho ganhou notoriedade internacional – chamavam o time de “Swanselona”, pelo estilo de posse de bola e passes. Foi o que o alavancou para assumir o Liverpool, em 2012. Na primeira temporada, terminou em sétimo lugar, com um futebol bom, mas inconsistente, especialmente nos momentos decisivos. Mas a atual temporada começou muito melhor.

Se você acha que a admiração é apenas de um lado, está enganado. Mourinho faz questão de elogiar Rodgers. “O técnico é um dos meus melhores amigos no esporte, então não tem rivalidade. Respeito total por um time com a história que tem o Liverpool. Ele está fazendo um trabalho fantástico. Mas ele está treinando toda semana de modo calmo. Todo dia. Talvez duas vezes ao dia. O que é uma grande, grande vantagem”, disse Mourinho.

Aos 40 anos, Rodgers encontrará o seu mentor como técnico pela primeira vez. Fora de casa. Precisando vencer para seguir entre os primeiros. Um desafio e tanto para quem tanto fala bem do Special One. Mais ainda se você pensar que estará sem Daniel Sturridge, machucado. Aliás, Steven Gerrard também, além de José Enrique, Coates e Flanagan. O Chelsea só não terá Remires. E o elenco é bem mais farto, diga-se.

Só que Mourinho tem um problema que o seu pupilo não tem para domingo: um ataque inoperante. Fernando Torres, Samuel Eto’o e Demba Ba fizeram, somados, cinco gols na Premier League. Só Suárez, principal jogador dos Reds, tem 19. Sturridge tem nove. A diferença de gols marcados entre Chelsea e Liverpool é de 10 em favor dos Reds. Só o Manchester City marcou mais gols que o Liverpool (53 a 43).

Rodgers tem um estilo muito diferente de Mourinho. Não é espalhafatoso como o português, nem é falastrão. Ao contrário, é um cara ponderado e equilibrado. Seus times não possuem o mesmo futebol direto dos de Mourinho, mas é um time que também sabe contra-atacar muito bem. Rodgers não é chamado de novo Mourinho porque tem pouco do estilo fora de campo do seu mentor. Mas é, atualmente, o mais bem sucedido dos pupilos do português. O que não quer dizer que Villas-Boas acabou para o futebol. Pode e provavelmente irá se recuperar. Mas o momento é de Rodgers, que terá uma dura missão neste domingo em Stamford Bridge. Mas todo jogo duro é também uma grande chance de fazer história. Mais do que isso, o seu Liverpool pode dar mais uma mostra de que é mais do que um postulante a vaga na Liga dos Campeões. Que o objetivo é o título, que não vem desde 1990.